12 anos de Escravidão

fevereiro 18, 2014

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por Janaina Pereira

 

Steve McQueen é um dos melhores cineastas da atualidade. No entanto, o inglês, homônimo do falecido ator americano, não é conhecido do ‘grande público’ no Brasil. Seus dois primeiros filmes – Hunger e Shame – foram exibidos em festivais de cinema (Cannes e Veneza, respectivamente) com muito sucesso, e lançaram aos olhos do mundo o ator alemão Michael Fassbender. Com uma história real americana, McQueen vem chamando a atenção do público e da crítica e parece que, finalmente, será reconhecido também em solo tupiniquim. Porque 12 anos de Escravidão (12 years a Slave), seu novo filme que estreia nesta sexta, 21, é uma das melhores produções dos últimos tempos.

Baseado no livro homônimo de Solomon Northup, o longa conta a história do próprio Solomon (interpretado de forma ímpar por Chiwetel Ejiofor, de Coisas Belas e Sujas), violinista negro e alforriado em Saratoga, Estado de Nova York. Em 1841 ele foi sequestrado em Washington e vendido como escravo na Louisiana. Acompanhamos sua saga ao longo de 12 anos, quando passa por alguns senhores de escravo até chegar às mãos do cruel Epps (o sempre brilhante Michael Fassbender, de Shame), que açoita os escravos sem dó nem piedade.

Em sua sangrenta jornada, Solomon tenta esconder que sabe ler e escrever, para que sua formação não lhe custe a própria vida. Ele vê negros morrendo por nada, e tenta compreender o porquê da escravidão. Ainda assim, se mantém aparentemente passivo diante dos constantes abusos físicos que Patsey (a estreante Lupita Nyong’o) sofre de Epps, e a forma como isso vira agressão pelas mãos da esposa do senhor de escravos (Sarah Paulson, de Amor Bandido). 

A passividade, porém, é puro instinto de sobrevivência. Não reagir com o corpo é corroer a alma e expressar no olhar. E aí entra a força da interpretação de Chiwetel Ejiofor – desde já uma das mais marcantes da história do cinema. Enquanto no dia-a-dia ele parece aceitar aquela vida injusta, seus olhos dizem outra coisa.  O desespero, o pavor e o pedido de socorro que são vistos claramente no olhar de Solomon/ Ejiofor fazem o espectador querer entrar na tela para salvá-lo. Reparem na cena do enterro de um escravo, onde Solomon canta e parece colocar para fora, pela primeira vez, a sua dor, expressa pelas palavras da música, e não apenas pelo olhar.  

No ótimo elenco que tem nomes como Benedict Cumberbatch (Star Trek Além da Escuridão), Paul Giamatti (Tudo pelo Poder), Paul Dano (Os Suspeitos) e (o também produtor do longa) Brad Pitt (Guerra Mundial Z),  Michael Fassbender (parceiro de McQueen em todos os seus filmes) mais uma vez mostra porque é um dos melhores atores do mundo, e dá ao público outra atuação visceral e memorável. Já a revelação Lupita Nyong’o aparece o suficiente para garantir seu (merecido) Oscar de coadjuvante – o longa foi indicado em nove categorias, entre elas melhor filme, diretor, ator (Ejiofor) e ator coadjuvante (Fassbender). 

Destacam-se também a trilha sonora de Hans Zimmer, a fotografia, o roteiro no ritmo certo e a direção impecável de Steve McQueen. 

Muito se fala que 12 anos de Escravidão é um filme violento, uma espécie de Paixão de Cristo (filme de Mel Gibson) dos escravos. Discordo. A produção traz à tona uma história real sobre sequestro de escravos livres, algo que eu – e a maioria da humanidade – sequer imaginava que um dia tivesse acontecido. A violência de fato está lá – e sabemos que isso foi real – e vem num crescente, explodindo na cena em que Epps resolve castigar Patsey, já na parte final do filme.  Não há nada de desnecessário ou abusivo nas cenas de sangue e lágrimas: McQueen apenas mostra corajosamente o que de fato aconteceu. 

Perdendo terreno na corrida para o Oscar para Gravidade e Trapaça, é de se espantar que alguém ainda tenha dúvidas de que 12 anos de Escravidão é o filme do ano. O tema é árido, existem cenas difíceis, mas diante de uma humanidade que insiste na discriminação – de negros, mulheres, homossexuais, judeus, idosos – este é o filme mais importante produzido nos últimos anos.  

Se você tiver que escolher um filme, um único filme para assistir, veja 12 anos de Escravidão. Você vai ficar emocionalmente abalado, pode até chorar e ficar angustiado, mas ele é necessário para o mundo em que vivemos. E se eu puder descrevê-lo em uma palavra, digo a vocês que 12 anos de Escravidão é devastador.

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A hora mais escura

fevereiro 14, 2013

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por Janaina Pereira

A cineasta Kathryn Bigelow chamou a atenção do mundo ao conquistar o Oscar de melhor direção por Guerra ao Terror (2010), e se tornar a primeira mulher a receber este prêmio. No ‘Clube do Bolinha’ que é Hollywood, a ex-mulher de James Cameron impõe respeito e ganha admiradores por fugir do estereótipo de ‘diretora de comédias românticas/dramas’ e apostar em filmes essencialmente masculinos. Seu novo trabalho, A Hora mais Escura (Zero Dark Thirty), em cartaz a partir desta sexta, 15, é, na minha modesta opinião, o melhor dos concorrentes ao Oscar – ao lado de Amor, de Michael Haneke.

A trama relata o que supostamente aconteceu na caçada a Osama Bin Laden, inimigo número 1 dos EUA após os atentados em 11 de setembro. Seguindo a determinação da agente da CIA, Maya (Jessica Chastain), o filme narra os bastidores da ação que mataria Bin Laden em maio de 2011.

Apesar da trama ser original, foi baseada em relatos de agentes que estiveram envolvidos na caça a Bin Laden, incluindo a agente mulher que liderou boa parte da operação, e que inspirou a personagem de Jessica. A CIA teria, inclusive, dado acesso a alguns documentos à Bigelow e ao roteirista Mark Boal (que também é jornalista), mas depois do lançamento do filme questionou as cenas de tortura que aparecem no longa, negando que os EUA façam qualquer coisa neste sentido.

O grande diferencial de A hora mais escura é o fato do filme ser dirigido por uma mulher. Bigelow dá um olhar feminino à trama, mostrando os dramas pessoais entre as cenas de ação. Dificilmente um homem deixaria tão claro que foi o desejo pessoal de uma mulher que levou Bin Laden à morte – e é essa visão feminina em um terreno masculino e árido que transforma o filme em algo mais do que uma história de ação/guerra.

Infelizmente Kathryn Bigelow sofre com o machismo e a falta de compostura tipicamente americana quando o assunto é abafar seus próprios podres. Machismo porque só isso explica a não-inclusão da (ótima) diretora na categoria direção do Oscar 2013, mesmo seu filme concorrendo em outras categorias importantes, como melhor filme e roteiro original (no total, foram cinco indicações). A campanha que vários políticos americanos fizeram contra A Hora mais Escura – pelo fato de o filme apresentar cenas de tortura – só mostra como o povo que acha que domina o mundo também acredita que nós, pessoas de outros países, realmente pensamos que os EUA nunca torturaram ninguém. Bigelow não disse nada que a gente já não sabia.

Também é importante ressaltar o ótimo desempenho de Jessica Chastain, atriz que nos últimos dois anos vem se transformando em um dos nomes sólidos do cinema americano. Indicada ao Oscar, era favorita até Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida) começar a arrebatar todos os prêmios – o que é uma pena, pois Jessica tem atuação infinitamente melhor que Jennifer, e é merecedora de todo e qualquer prêmio.

Mesmo que A hora mais escura tenha sido extremamente questionado pelas cenas de tortura, é importante lembrar que o filme não se baseia apenas isso, pois esta seria apenas uma das táticas usadas pelos americanos para conseguirem o que desejam. Neste ponto, o roteiro de Mark Boal é bem claro, apontando todas as controvérsias do sistema americano. Também deixa claro que não há heróis nem vilões, pois tudo que é feito – de um lado ou de outro da ‘guerra’ – tem sua justificativa.

Espero que longe dos EUA A hora mais escura faça o sucesso que merece. É, desde já, um dos grandes filmes do ano, e que passa a limpo um dos pontos mais importante da história recente.

Cisne Negro

fevereiro 4, 2011

 
 
por Janaina Pereira
 
 
A primeira vez que Cisne Negro (Black Swan) foi exibido, na abertura do Festival de Veneza de 2010, a reação de convidados e jornalistas presentes no Festival foi uma só: o Oscar já é de Natalie Portman. De lá para cá, a atriz vem acumulando premiações, todas merecidas, e a indicação para o prêmio máximo hollywoodiano está garantida. Natalie merece a estatueta, até porque ela é a essência de Cisne Negro, e acho pouco provável que o filme fizesse tanto sucesso se não fosse o trabalho primoroso da atriz.
 
O auê criado agora no lançamento brasileiro – estreia nesta sexta, dia 4 – do longa de Darren Aronofsky, que havia ganho o Leão de Ouro em Veneza 2008 com O Lutador, é diferente do que aconteceu na mesma cidade de Veneza, onde Cisne Negro não causou tanto reboliço. Fora a atuação de Natalie, até o prêmio de atriz revelação para Mila Kunis foi uma surpresa por lá. Aliás, para mim, as cinco indicações ao Oscar – filme, diretor, atriz, edição e fotografia – já são um prêmio para o longa que, curiosamente, não concorre em roteiro. Não que a produção seja ruim, longe disso. É que não tem mesmo a cara de Oscar – ou, vendo por outro prisma, é bom saber que o Oscar tem uma nova cara.
 
Uma mistura de suspense e drama psicológico, Cisne Negro conta a história de Nina Sayers (Natalie Portman), uma jovem bailarina que busca a perfeição e o lugar de estrela de uma companhia de dança novaiorquina. Ela se dedica 100% ao balé, em parte pela obsessão da mãe (Barbara Hershey), uma ex-bailarina aposentada que nunca chegou a brilhar nos palcos, pois abandonou a carreira para ter a filha.
 
Nina parece carregar o fardo de ser o que a mãe não foi, e já nas primeiras cenas percebemos que seu lado psicológico não é dos mais equilibrados. A voz doce e serena esconde uma menina ansiosa e angustiada, que vê sua grande chance chegar quando a estrela da companhia, Beth MacIntyre (Winona Ryder), é obrigada a se aposentar. Tudo faz parte dos planos de Thomas Leroy (Vicent Cassel), diretor artístico da companhia, que deseja rejuvenescer a próxima temporada e dar um novo gás ao espetáculo em cartaz.
 
Leroy decide que o balé irá representar o clássico O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, e escolhe Nina para estrelar o espetáculo. O grande desafio, dele e da própria bailarina, é fazer de Nina não apenas um cisne branco perfeito – porque isso ela já é – mas transformá-la no cisne negro ideal – e para isso Nina precisa soltar seus demônios, o que ela faz, literalmente, contando com a conflituosa ajuda da novata Lily (Mila Kunis).
 
O pecado do roteiro é impedir o espectador de refletir, de ficar na dúvida do que é realidade e imaginação ao longo da trama. Tudo acaba se explicando muito bem, quando a não explicação seria muito mais interessante. Ainda assim, Cisne Negro é um bom filme, grandioso especialmente em suas cenas de balé, e conquista o público graças ao final arrebatador, em uma das sequências mais bonitas do cinema recente, com direito à trilha sonora original de Tchaikovsky para O Lago dos Cisnes. Toda a tensão criada ao longo da trama finalmente explode, e este é o grande momento do filme.
A direção de Aronofsky tem algumas cenas inspiradas, como as que mostram o sofrimento físico de Nina para atingir a perfeição. Vincent Cassel e Mila Kunis estão abaixo de Barbara Hershey no quesito interpretação: é a atriz, vestida sempre de negro, quem dá o tom amargo à vida de Nina, conseguindo, assim, algumas das cenas mais importantes.
 
E, se não bastasse isso, Cisne Negro traz uma Natalie Portman – que emagreceu bastante para fazer o papel – inspirada, cheia de facetas, exercendo toda a sua doçura e malícia, capaz de se transfigurar em poucos segundos. A atriz é a unanimidade no longa, conseguindo uma atuação marcante do começo ao fim. Exatamente como diz sua personagem Nina, foi perfeito. Se o longa de Aronofsky não chega a tanto, Natalie pelo menos conseguiu; e não importa se é o lado bom ou mau, o cisne branco ou negro: Natalie Portman é a rainha deste espetáculo.
 
 
 
Confira aqui o trailer de Cisne Negro.
 
 
 
 

Oscar 2011

janeiro 25, 2011

Por Janis Lyn

E hoje saíram os indicados ao maior prêmio do cinema, o Oscar 2011.
Tive algumas surpresas boas, como a indicação do Javier Bardem (por Biutiful) e Toy Story 3 por Melhor Filme (além de Melhor Animação), mas tive algumas decepções também.

As canções de Burlesque não foram nem sequer lembradas/ indicadas e o querido Chris Nolan não foi indicado por Melhor Diretor, o que é um absurdo, já que seu filme, A Origem, está indicado. O campeão de indicações é O Discurso do Rei, com 12 ao todo.

Confira abaixo todos os indicados a estatueta de ouro:

Melhor filme

“Cisne Negro”
“O Vencedor”
“A Origem”
“Minhas Mães e Meu Pai’’
“O Discurso do Rei”
“127 Horas”
“A Rede Social”
“Toy Story 3”
“Bravura Indômita”
“Inverno da Alma”

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale (“O Vencedor”)
Geoffrey Rush (“O Discurso do Rei”)
Mark Ruffalo (“Minhas Mães e Meu Pai”)
Jeremy Renner (“Atração Perigosa”)
John Hawkes (“Inverno da Alma”)

Melhor atriz coadjuvante

Melissa Leo (“O Vencedor”)
Helena Bonham Carter (“O Discurso do Rei”)
Hailee Steinfeld (“Bravura Indômita”)
Amy Adams (“O Vencedor”)
Jacki Weaver (“Reino Animal”)

Melhor diretor

Darren Aronofsky (“Cisne Negro”)
David Fincher (“A Rede Social”)
Tom Hooper (“O Discurso do Rei”)
Joel and Ethan Coen (“Bravura Indômita”)
David O. Russel (“O Vencedor”)

Melhor atriz

Nicole Kidman (“Reencontrando a Felicidade”)
Natalie Portman (“Cisne Negro”)
Jennifer Lawrence (“Inverno da Alma”)
Annete Benning (“Minhas Mães e Meu Pai”)
Michelle Williams (“Blue Valentine”)

Melhor ator

Javier Bardem – “Biutiful”
Jeff Bridges – “Bravura Indômita”
Jesse Eisenberg – “A Rede Social”
Colin Firth – “O Discurso do Rei”
James Franco – “127 Horas”


Roteiro original

“A Origem”
“Minhas Mães e Meu Pai”
“O Discurso do Rei”
“Another Year”
“O Vencedor”

Roteiro adaptado

127 Horas” – Danny Boyle, Simon Beaufoy
“Toy Story 3” – Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich
“Bravura Indômita” – Joel Coen, Ethan Coen
“Inverno da Alma” – Debra Granik, Anne Rosellini
“A Rede Social” – Aaron Sorkin

Melhor Animação

“Como Treinar Seu Dragão”
“O Mágico”
“Toy Story 3”

Melhor Direção de arte

“Alice no País das Maravilhas” – Diretor de Arte: Robert Stromberg; Decoração de Set: Karen O’Hara
“Harry Potter e as relíquias da Morte” – Diretor de Arte: Stuart Craig; Decoração de Set: Stephenie McMillan
“A Origem” – Diretor de Arte: Guy Hendrix Dyas; Decoração de set: Larry Dias and Doug Mowat
“O Discurso do Rei” – Diretor de Arte: Eve Stewart; Decoração de Set: Judy Farr
“Bravura Indômita” – Diretor de Arte: Jess Gonchor; Decoração de Set: Nancy Haigh

Melhor Fotografia

“Cisne Negro” – Matthew Libatique
“A Origem” Wally – Pfister
“O Discurso do Rei” – Danny Cohen
“A Rede Social” – Jeff Cronenweth
“Bravura Indômita” – Roger Deakins


Melhor Documentário

“Exit through the Gift Shop” – Banksy and Jaimie D’Cruz
“Gasland” – Josh Fox and Trish Adlesic
“Trabalho Interno” – Charles Ferguson and Audrey Marrs
“Restrepo” – Tim Hetherington and Sebastian Junger
“Lixo Extraordinário” – Lucy Walker and Angus Aynsley

Melhor Filme estrangeiro

“Biutiful” (México)
“Dogtooth” (Grécia)
“Em um Mundo Melhor” (Dinamarca)
“Incendies” (Canadá)
“Outside the Law (Hors-la-loi)” (Argélia

Maquiagem

“Minha Versão do Amor” – Adrien Morot
“The Way Back” – Edouard F. Henriques, Gregory Funk and Yolanda Toussieng
“O Lobisomem” – Rick Baker and Dave Elsey

Trilha sonora original

“Como Treinar seu Dragão”- John Powell
“A Origem” – Hans Zimmer
“O Discurso do Rei” – Alexandre Desplat
“127 Horas”- A.R. Rahman
“A Rede Social” – Trent Reznor and Atticus Ross

Melhor Canção original

“Coming Home” de “Country Strong” (Música e letra de Tom Douglas, Troy Verges e Hillary Lindsey)
“I See the Light” de “Enrolados” (Música de Alan Menken e letra de Glenn Slater)
“If I Rise” de “127 Hours” (Música de A.R. Rahman e letra Dido and Rollo Armstrong)
“We Belong Together” de “Toy Story 3″ (Música e letra de Randy Newman)

Curta-metragem de animação

“Day & Night” – Teddy Newton
“The Gruffalo” – Jakob Schuh and Max Lang
“Let’s Pollute” – Geefwee Boedoe
“The Lost Thing” – Shaun Tan and Andrew Ruhemann
“Madagascar carnet de voyage (Madagascar, a Journey Diary)” – Bastien Dubois

Curta-metragem

“The Confession” – Tanel Toom
“The Crush” Michael – Creagh
“God of Love” – Luke Matheny
“Na Wewe” – Ivan Goldschmidt
“Wish 143” – Ian Barnes and Samantha Waite

Edição de som

“A Origem” – Richard King
“Toy Story 3” – Tom Myers and Michael Silvers
“Tron: o Legado” – Gwendolyn Yates Whittle and Addison Teague
“Bravura Indômita” – Skip Lievsay and Craig Berkey
“Incontrolável” – Mark P. Stoeckinger

Mixagem de som

“A Origem” – Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick
“O Discurso do Rei” – Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley
“Salt” – Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan e William Sarokin
“A Rede Social” – Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick e Mark Weingarten
“Bravura Indômita” – Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff e Peter F. Kurland

Efeitos visuais

“Alice no País das Maravilhas” – Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas e Sean Phillips
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” Tim Burke, John Richardson, Christian Manz e Nicolas Aithadi
“Além da Vida – ” Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojanski e Joe Farrell
“A Origem” – Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley e Peter Bebb
“Homem de Ferro 2” – Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright e Daniel Sudick

Figurino

“Alice no País das Maravilhas” – Colleen Atwood
“I Am Love” – Antonella Cannarozzi
“O Discurso do Rei” – Jenny Beavan
“The Tempest” – Sandy Powell
“Bravura Indômita” – Mary Zophres

Documentário (curta)

“Killing in the Name”
“Poster Girl”
“Strangers No More”
“Sun Come Up”
“The Warriors of Qiugang”

Melhor Edição

“Cisne Negro” – Andrew Weisblum
“O Vencedor” – Pamela Martin
“O Discurso do Rei” – Tariq Anwar
“127 Horas” – Jon Harris
“A Rede Social” – Angus Wall and Kirk Baxter

A premiação acontece dia 27 de fevereiro, no Kodak Theatre, EUA. Os anfitriões da vez são os promissores atores James Franco e Anne Hathaway.

Guerra ao Terror

fevereiro 4, 2010

 
por Janaina Pereira
 
 
Adoro filmes de guerra. Como jornalista, sempre sonhei estar em uma guerra para mostrar ao mundo o que acontece. Como cinéfila, este tipo de filme me encanta desde pequena. De clássicos como Apocalipse Now, do Coppola, ao oscarizado Platoon, de Oliver Stone, passando por Império do Sol, do Spielberg – ainda acho o melhor filme dele – vi todos os filmes de guerra que o cinema já produziu. Sempre gostei de História, e as guerras (des)constroem o mundo. Talvez daí venha minha fascinação.
 
Se eu fosse fazer um filme, adoraria fazer um filme de guerra. Ideia estranha vinda de uma mulher? Graças a Kathryn Bigelow (de Caçadores de Emoção, aquele filme de surf e assaltos com Keanu Reeves e Patrick Swayze) não é mais. A diretora, até pouco tempo apontada apenas como a ex-mulher de James Cameron, conquistou público e crítica com seu filme Guerra ao Terror (The hurt locker). Claro que você já ouviu falar deste longa, o mais comentado dos últimos dias por causa das nove indicações para o Oscar. Mas existe mais força nele do que se possa imaginar.
 
Para começar, o filme chegou ao Brasil e foi direto para DVD, em abril do ano passado. Quando 2009 já estava chegando ao fim, Guerra ao Terror – que custou U$ 11 milhões, uma mixaria na indústria hollyoodiana – começou a ganhar prêmios importantes e apareceu como único filme que pode desbancar Avatar na corrida pelo Oscar deste ano. Assisti ao longo dias antes da lista de indicações ser anunciada, e afirmo que prefiro que ele ganhe, embora não ache essa coca-cola toda.
 
O que me encantou em Guerra ao Terror, além do seu final arrasador, é o olhar feminino para um tema tão masculino. Ninguém acreditava em um filme de guerra feito com poucos recursos por uma mulher. E ela foi lá e fez. Só pela ousadia  Kathryn  Bigelow já tem toda a minha admiração.
 
O filme começa com uma frase marcante, que só no final vai fazer todo sentido.  “War is a drug”, ou seja, a guerra é uma droga, um entorpecente, algo que vicia mas de certa forma dá prazer,  e para aqueles que não conseguem se controlar, pode matar. A frase é de Chris Hedges, jornalista americano, correspondente de guerra, com experiência de coberturas em mais de 50 países.A observação de Hedges não diz respeito especificamente à guerra do Iraque, onde se passa a ação de Guerra ao Terror, mas ajusta-se com perfeição ao personagem principal, o sargento William James (Jeremy Renner), que integra uma unidade do Exército americano em Bagdá especializada em desarmar bombas.

James chega para substituir o sargento Matt Thompson (Guy Pierce), que vai pelos ares na abertura da história. Faltam 38 dias para terminar a missão desse grupo, formado também por outros dois militares, o sargento J.P. Sanborn (Anthony Mackie), chefe do trio, e o soldado Owen Eldridge (Brian Geraghty), que dá cobertura aos dois. Claro que esses 38 dias serão longos e insanos, e ao longo de 131 minutos, acompanhamos a saga deste trio em Bagdá.

Os soldados são os invasores, cercados de inimigos, em missão supostamente “pacificadora”. Naturalmente, não questionam muito o sentido do que estão fazendo pois são militares, com uma missão a cumprir. E há todo aquele heroísmo em desarmar bombas e tal. É tão viril, é tão americano. E o que Kathryn explora não é apenas o lado psicólogico dos militares, nem a estupidez da guerra – isso a gente já viu antes em muitos filmes. A diretora aposta nesse lado viciante para mostrar porque os americanos não vivem sem os confrontos. Um caminho brilhante traçado pelo roteiro de Mark Boal, jornalista que passou semanas com o Exército em Bagdá, em 2004.

A primeira hora da produção é dispersa e sem nada que me convencesse. Bocejei. Achei a direção, inclusive, lenta demais. A partir da metade, em uma cena especifica – a relação de James com um menino – tudo muda. O filme cresce e isso se deve não só a câmera mais tensa de Kathryn como a atuação alucinada e alucinante de Jeremy Renner.E a partir daí que Guerra ao Terror se torna um filme que faz você pular da cadeira e ter todas as reações junto com os personagens.

No final, bem, no final eu me rendi. As duas últimas cenas são tão emblemáticas que eu sai do cinema com a certeza de que gosto tanto de filme de guerra porque também sou viciada nesse tipo de adrenalina. É inexplicável, não faz o menor sentido, e não tem nada de heróico nisso. Não é à toa que a fase “War is a drug” vem de um jornalista.

Torço para que Kathryn Bigelow leve o Oscar. Não só porque sou Anti-Avatar, como também porque ela fugiu dos caminhos das cineastas mulheres que adoram comédias românticas e dramas, mostrando que vê o mundo mais vermelho sangrento do que rosa. É bom saber que existem mulheres que pensam como eu.