Festival do Rio 2013: Nebraska

outubro 4, 2013

Nebraska-poster

Por Janaina Pereira

Alexander Payne, um dos mais promissores diretores americanos, está de volta depois do bem-sucedido Os Descendentes (2011). Nebraska, em cartaz no Festival do Rio, é o novo trabalho do diretor. O filme é um road movie que acompanha Woody Grant (Bruce Dern), um senhor que, após receber uma carta que promove assinaturas de revistas, acredita ter ganho o prêmio de um milhão de dólares. Depois de uma série de tentativas de ir a pé de sua cidade, em Montana, até Nebraska, onde o prêmio supostamente está, ele acaba tendo a companhia do filho mais novo, David (Will Forte), que decide acompanhá-lo. David, na verdade, está preocupado com o estado de saúde do pai, e acaba alimentando a idéia de Woody ganhou mesmo o tal prêmio. Durante o trajeto, Woody sofre um pequeno acidente, sendo obrigado a ficar uns dias na cidade onde nasceu, que fica no meio do caminho para Nebraska. Quando a notícia de que Woody se tornou um milionário se espalha, pai e filho começam a enfrentar sérios problemas com os moradores do local.

O (ótimo) roteiro de Bob Nelson, com diálogos afiadíssimos, explora a relação de pai e filho e, especialmente, a inversão de papéis que é comum em determinado momento de nossas vidas – quando os filhos se tornam pais de seus pais. David tem consciência que seu pai está senil, e que qualquer coisa que o faça feliz pode significar muito. Woody, que na maior parte das vezes não sabe o que está fazendo, parece estar sempre em um mundo paralelo – o que torna o personagem familiar, já que todo espectador certamente já conheceu um idoso assim.

Os grandes momentos do filme ficam por conta da atuação de Bruce Dern – vencedor do prêmio de melhor ator no Festival de Cannes deste ano – e de June Squibb, que interpreta Kate, a esposa de Woody. A atriz, inclusive, tem a melhor cena do filme, quando visita o cemitério e começa a descrever as pessoas que morreram. Mérito, também, do cineasta Alexandre Payne, que se firma como um bom diretor de atores.

Filmado em preto e branco – o que só aumenta o clima nostálgico do filme –Nebraska tem uma trama triste, mas não é feito para chorar. As boas doses de humor tornam o filme leve, embora a sequência final cause uma certa melancolia. Ao espectador, fica a sensação de fazer parte da história – e muitos certamente se identificarão com ela.

Nebraska é o caso raro de filme inteligente que alcança as multidões, e que não deve passar despercebido na temporada de premiações. Que o Oscar seja justo – e generoso – com ele.

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