Coletiva Faroeste Caboclo

maio 27, 2013

Trio

por Janaina Pereira

Ísis Valverde e Fabrício Boliveira foram as estrelas da coletiva de imprensa paulistana do filme Faroeste Caboclo, realizada no último dia 20 de maio. Intérpretes de Maria Lúcia e João de Santo Cristo, os célebres personagens criados pelo cantor e compositor Renato Russo para a música que inspirou o filme, os atores mostraram total consciência da importância do longa para suas carreiras e para uma legião (com trocadilho) de fãs de Renato.

“Tive cuidado ao construir a personagem porque sei que Maria Lúcia é uma presença marcante no imaginário dos fãs de Legião Urbana. Foi importante nesse processo a ajuda da Dona Carmem, mãe do Renato Russo, que nos recebeu na casa da família em Brasília. Perguntei para ela em quem o Renato havia se inspirado para criar Maria Lúcia, e ela me mostrou fotos da turma dele na época e explicou: ‘não era uma Maria Lúcia, mas várias Marias Lúcias.’ Aí eu identifiquei o sorriso de uma, a tristeza de outra, e assim fui criando a personagem”, revelou Ísis, que foi questionada por uma repórter sobre a importância de Maria Lúcia ser maior no filme do que na música. A atriz não titubeou: “Não concordo, acho que Maria Lúcia é importante na música sim. E não escolho personagem pelo tamanho, mas pela densidade”.

Fabrício

Articulado, o ator Fabrício Boliveira (foto) descreveu Faroeste Caboclo como um filme político. “Apesar de retratar uma história dos anos 80, permite um diálogo com o Brasil de hoje, quando temos a resistência de Marco Feliciano (presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara), às diferenças e às minorias. E acho que as cenas mais violentas não são as de pancadaria, mas as que mostram o preconceito contra o Santo Cristo. Ele é negro, pobre, então seu destino é o tráfico, de olho na ascensão social. Mas há um tanto de escolha pessoal também. Que caminhos ele pode vislumbrar? Quero que o filme desperte essas questões e que elas permaneçam, em vez de a pessoa sair do cinema e ir comer uma pizza depois e esquecer”.

Faroeste Caboclo não segue linearmente a música de nove minutos de Renato Russo, o que é uma saída inteligente do roteiro. Ainda assim, o diretor René Sampaio foi confrontado por alguns jornalistas sobre essa opção. “A gente nunca quis fazer um clipe da música. Um clipe de 100 minutos seria meio chato. Achei que a gente devia amplificar o sentido e o significado da história e, além disso, buscar o que era essencial. Então quando você assiste ao filme, permanece com a essência dos personagens e do drama, sem perder o espírito”, explicou Sampaio, que mostrou durante a coletiva de imprensa a mesma segurança apresentada na direção deste seu primeiro longa-metragem.

Giuliano

Quem também esteve presente na coletiva foi o filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini (foto), um dos produtores do longa. Ele contou sobre sua emoção ao participar do projeto, e revelou que seu pai escreveu a música já pensando em transformá-la em filme. “Faroeste foi destinado pelo meu pai para que virasse filme. Acompanhar esse resultado e participar disso… não tenho nem palavras para descrever a minha felicidade e o meu orgulho. É verossímil, extremamente fiel, mas ao mesmo tempo autônomo, tem vida própria. Meu pai com certeza teria adorado”.

O filme Faroeste Caboclo tem pré-estreia nesta quarta, dia 29, e estreia na quinta, dia 30.

Fotos: Angela Debellis

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