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por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

Debaixo de uma forte chuva, aconteceu na noite desta terça-feira, 28, a Premiere Latina de Se Beber, não Case! Parte 3, e a cidade escolhida para acolher o elenco da franquia foi o Rio de Janeiro. Por cerca de uma hora, os atores Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Jen Keong, Heather Graham e o diretor Todd Phillips circularam pelo tapete vermelho do tradicional Cine Odeon, na Cinelândia, centro do Rio.

brad e todd

Cooper, galã mais cobiçado do momento, foi esperado por uma centena de fãs que não arredaram o pé da porta do Odeon enquanto não conseguiram uma foto ou autógrafo do ator. Ainda que rapidamente, o ele satisfez a vontade de algumas fãs, mas não deixou de fotografar a si mesmo, especialmente em companhia do diretor Todd Phillips (foto).

Elegante em um terno claro, mas exibindo uma questionável escova no cabelo, Bradley Cooper, que faz o personagem Phil na franquia, passou rapidamente pelos fotógrafos e emissoras de TV, assim como seu companheiro de elenco Zach Galifianakis, o divertido Alan da trilogia. Ed Helms, que interpreta o nerd Stu, mostrou certa timidez diante dos fotógrafos. Enquanto isso, Justin Bartha (o Doug), Jen Keong (Mr. Chow) e Heather Graham (Jade) esbanjavam simpatia no red carpet carioca.

elenco

Nesta quarta, 29, a trupe de Se beber, não case! Parte 3 sobe o Morro da Urca para uma coletiva de imprensa, seguida por uma série de entrevistas para jornalistas brasileiros e de outros países da América Latina. Bradley Cooper e cia. devem deixar o Rio na quinta-feira à noite.

Trio

por Janaina Pereira

Ísis Valverde e Fabrício Boliveira foram as estrelas da coletiva de imprensa paulistana do filme Faroeste Caboclo, realizada no último dia 20 de maio. Intérpretes de Maria Lúcia e João de Santo Cristo, os célebres personagens criados pelo cantor e compositor Renato Russo para a música que inspirou o filme, os atores mostraram total consciência da importância do longa para suas carreiras e para uma legião (com trocadilho) de fãs de Renato.

“Tive cuidado ao construir a personagem porque sei que Maria Lúcia é uma presença marcante no imaginário dos fãs de Legião Urbana. Foi importante nesse processo a ajuda da Dona Carmem, mãe do Renato Russo, que nos recebeu na casa da família em Brasília. Perguntei para ela em quem o Renato havia se inspirado para criar Maria Lúcia, e ela me mostrou fotos da turma dele na época e explicou: ‘não era uma Maria Lúcia, mas várias Marias Lúcias.’ Aí eu identifiquei o sorriso de uma, a tristeza de outra, e assim fui criando a personagem”, revelou Ísis, que foi questionada por uma repórter sobre a importância de Maria Lúcia ser maior no filme do que na música. A atriz não titubeou: “Não concordo, acho que Maria Lúcia é importante na música sim. E não escolho personagem pelo tamanho, mas pela densidade”.

Fabrício

Articulado, o ator Fabrício Boliveira (foto) descreveu Faroeste Caboclo como um filme político. “Apesar de retratar uma história dos anos 80, permite um diálogo com o Brasil de hoje, quando temos a resistência de Marco Feliciano (presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara), às diferenças e às minorias. E acho que as cenas mais violentas não são as de pancadaria, mas as que mostram o preconceito contra o Santo Cristo. Ele é negro, pobre, então seu destino é o tráfico, de olho na ascensão social. Mas há um tanto de escolha pessoal também. Que caminhos ele pode vislumbrar? Quero que o filme desperte essas questões e que elas permaneçam, em vez de a pessoa sair do cinema e ir comer uma pizza depois e esquecer”.

Faroeste Caboclo não segue linearmente a música de nove minutos de Renato Russo, o que é uma saída inteligente do roteiro. Ainda assim, o diretor René Sampaio foi confrontado por alguns jornalistas sobre essa opção. “A gente nunca quis fazer um clipe da música. Um clipe de 100 minutos seria meio chato. Achei que a gente devia amplificar o sentido e o significado da história e, além disso, buscar o que era essencial. Então quando você assiste ao filme, permanece com a essência dos personagens e do drama, sem perder o espírito”, explicou Sampaio, que mostrou durante a coletiva de imprensa a mesma segurança apresentada na direção deste seu primeiro longa-metragem.

Giuliano

Quem também esteve presente na coletiva foi o filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini (foto), um dos produtores do longa. Ele contou sobre sua emoção ao participar do projeto, e revelou que seu pai escreveu a música já pensando em transformá-la em filme. “Faroeste foi destinado pelo meu pai para que virasse filme. Acompanhar esse resultado e participar disso… não tenho nem palavras para descrever a minha felicidade e o meu orgulho. É verossímil, extremamente fiel, mas ao mesmo tempo autônomo, tem vida própria. Meu pai com certeza teria adorado”.

O filme Faroeste Caboclo tem pré-estreia nesta quarta, dia 29, e estreia na quinta, dia 30.

Fotos: Angela Debellis

Reino Escondido

maio 17, 2013

reino

Por Pedro de Biasi

As principais qualidades de Reino Escondido (Epic), que estreia nesta sexta, 17, chamam a atenção, mas permitem apreciar elementos ainda mais louváveis na animação. Não se trata de uma obra particularmente original ou subversiva – pelo contrário –, como a premissa deixa bastante claro. O ponto de vista principal é de uma sociedade de minúsculas pessoas que vivem na floresta e protegem o meio ambiente. Em conflito com esse grupo mantedor do equilíbrio, estão os Boggans, liderados por Mandrake, que pretendem espalhar a decomposição. Esse embate oculto se cruza com o mundo dos “pisadores”, as pessoas comuns, quando a jovem Mary Katherine visita o pai, obcecado por essas criaturas e determinado a provar sua existência.

É exatamente por se tratar de um filme tão tradicional que as qualidades se destacam. O ambientalismo, a perspectiva dos supervisores da ordem, a separação estética escancarada do bem e do mal, tudo indica uma moral tradicional ao ponto do irritante. Unido com um roteiro que segue caminhos nada surpreendentes, o engessamento parece contaminar e deteriorar qualquer elemento digno de interesse. No entanto, o longa é construído com uma habilidade notável: a simples premissa se desenvolve sem grandes trancos e os detalhes se encaixam sem esforço. Com uma narrativa tão fluida, é fácil acompanhar seu andamento e atentar para outros aspectos dignos de nota.

Além de contar sua história de forma precisa – algo um tanto raro em Hollywood hoje em dia –, Reino Escondido equilibra as várias facetas que formam o produto animado tradicional. Há bons momentos de humor, embora alguns personagens tenham essa função tão exacerbada que se tornam intrusos em qualquer cena. As sequências de ação, por sua vez, têm seu charme, mesmo que cenas confusas sejam usadas aqui e ali para disfarçar uma violência que não condiria com o público infantil. Além disso, o fotorrealismo e a qualidade da animação, outras áreas em que os realizadores mostram domínio da técnica, sustentam diversas imagens que o diretor Chris Wedge usa com habilidade para transmitir medo, apreensão, deslumbramento ou vertigem.

Se, por um lado, o programa é agradável o suficiente com essas qualidades, por outro, um filme redondo pode facilmente se tornar quadrado e inócuo. A verdade é que o longa trabalha de forma sutil – pode-se até dizer de forma reticente – a extrapolação das funções mais básicas do vilão. Mandrake não tem sua história de fundo revelada em um flashback, o que poderia tornar seu drama distante, e tampouco é uma força do mal cujo único sentimento é ganância por aquilo que seus inimigos possuem. Uma perda traumática em sua vida acontece em cena, e a questão é retomada alguns minutos depois para destacar sua cicatriz emocional. Além disso, sua própria condição sugere uma dialética real, e não apenas a pretensão de uma.

Ao invés de uma força maligna estéril, que existe apenas para ameaçar os valores corretos, os Boggans representam o outro lado da vida, cuja preservação é o objetivo dos heróis. Mandrake é o arauto da decomposição, um estágio natural na existência de um ser vivo. Mesmo que o personagem alastre ativamente a podridão, a Rainha da floresta usa de seus próprios poderes de forma semelhante para curar e rejuvenescer. O equilíbrio pressupõe a ação das duas forças em conflito, o que torna ambas necessárias, e a sobrevivência dos vilões em seu reino apodrecido mostra que eles não são descartáveis. É a mesma contraposição presente em O Rei Leão, mas com diferenças importantes: Scar e suas hienas vivem em miséria e fome, e o leão não revela características emocionais que não sejam “vilanescas”.

Outro elemento convencional, o romantismo, está presente em Reino Escondido como uma instituição menos garantida do que de costume. Não por acaso, o filme trata de separações românticas causadas por incompatibilidades distintas: pode ser o fim de uma vida ou a distinção entre duas espécies. Não é, de forma alguma, um filme que usa seu formato tradicional para introduzir um viés subversivo. Pode-se dizer, por outro lado, que a animação é muito bem-feita em seu nicho tradicional e, de quebra, coloca em xeque os clichês associados à maldade e aos finais felizes. Embora essa qualidade não seja tão impressionante, a boa ourivesaria é merecedora de elogios.