Django Livre

janeiro 9, 2013

Django-Livre-poster-12Nov2012

por Janaina Pereira

Desde Pulp Fiction (1994), Quentin Tarantino vem colecionando elogios da crítica porcausa de seu estilo pop. Sangue, ironia e uma ótima trilha sonora sempre foram a santíssima trindade do cineasta, que construiu uma carreira sólida e conquistou uma legião de fãs fiéis. Vencedor do Oscar de melhor roteiro por Pulp Fiction, presidente do júri do Festival de Veneza em 2010, indicado algumas vezes ao Oscar de melhor diretor – feito que, surpreendentemente não se repetiu este ano – Tarantino é um dos nomes fortes do cinema hollywoodiano. Quando parecia que ele continuaria fazendo mais do mesmo, surgiu com Bastardos Inglórios (2009), a improvável incursão do diretor nas tramas de guerra. Mostrando maturidade, criou um roteiro em que coloca Hitler no centro de uma história criativa, mas sem perder o jeito pop e sangrento que sempre o acompanharam.

Sob esta perspectiva, muito se esperava de Django Livre, seu novo trabalho que chega aos cinemas brasileiros no dia 18. Tarantino dessa vez faz uma homenagem ao gênero western spaghetti que dominou o cinema nos anos 1960 – o título do filme é uma referência a Django (1966), de Sergio Corbucci, estrelado pelo astro italiano Franco Nero. O veterano ator, inclusive, faz uma participação especial em Django Livre para deleite dos cinéfilos – difícil é saber se os mais jovens entenderão a piada porque Nero não é conhecido da nova geração.

Na trama que se passa na América do século 19, dois anos antes da Guerra Civil, o escravo Django Freeman (Jamie Foxx) tem sua liberdade comprada por um caçador de recompensas alemão, o Dr. King Schultz (Christoph Waltz). Com a ajuda de Schultz, Django vai em busca da mulher Brunhilde (Kerry Washington), vendida para o fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

Tendo a escravidão como foco central, Tarantino abusa do sangue, que jorra pela telona sem dó nem piedade. São 165 minutos de muitas chibatadas e tiros, bem ao estilo do diretor. No meio das cenas sanguinárias o destaque fica com Christoph Waltz (repetindo com Tarantino a dobradinha de sucesso de Bastardos Inglórios, que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante), que domina a primeira hora do filme até surgir Leonardo DiCaprio com seu lápis nos olhos a la Johnny Depp e uma excelente interpretação mais uma vez ignorada pelo Oscar. Mesmo tendo boa atuação, o protagonista Jamie Foxx ‘some’ diante das performances arrebatadoras de Waltz e DiCaprio. Vale ressaltar ainda a presença irreconhecível de Samuel L. Jackson, parceiro de Tarantino desde Pulp Fiction, que embora não esteja sendo lembrado nas premiações de ator coadjuvante, merece aplausos.

A trilha sonora, que vai do hip hop ao blues, pontua com impressionante perfeição as cenas, mostrando mais uma vez que Tarantino sabe como valorizar seus filmes. Ainda que o cineasta tenha voltado ao comodismo das produções que espirram sangue, ele mantém os bons e irônicos diálogos – uma de suas marcas registradas como roteirista – e faz de Django Livre um prato cheio para seus fãs e uma boa diversão para quem gosta de cinema. Não chega a ser maduro e perspicaz como Bastardos Inglórios, mas certamente vale o ingresso.

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