Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

julho 19, 2012

por Janaina Pereira

O filme mais esperado do ano chega às telas brasileiras no próximo dia 27. Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises), última parte da trilogia de Batman sob o comando de Christopher Nolan – iniciada em 2005 com Batman Begins, seguido de O Cavaleiro das Trevas em 2008 – , traz em suas 2 horas e 45 minutos de duração toda a expectativa de um final apoteótico para um dos personagens mais queridos das HQs. Se você tem algum temor que o filme não esteja à altura da grandiosidade dos anteriores, pode relaxar: Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é sensacional.

Ok, ele tem lá seus defeitos. É tudo muito explicado, quase didaticamente, para que ninguém tenha dúvidas de nada (típico dos roteiros de Nolan e seu irmão Jonathan, mais uma vez escrevendo a trama juntos). Personagens estabelecem relações intensas em segundos, outros têm um final menos glamouroso do que o esperado. Tudo isso, no entanto, não tira a grandiosidade do longa, que tem grandes sequências de ação e encerra a trilogia com muita dignidade. Ponto para Nolan, um diretor que já mostrou que tem competência de sobra. E ponto também para o ótimo elenco repleto de estrelas, que inclui Anne Hathaway (Selina Kyle/Mulher Gato), Joseph Gordon-Levitt (John Blake), Marion Cotillard (Miranda Tate) e Tom Hardy (Bane) ao lado de Christian Bale (Bruce Wayne/Batman), Michael Caine (Alfred), Morgan Freeman (Lucius Fox) e Gary Oldman (Comissário Gordon), o quarteto que atuou em todos os três filmes sempre dando show de interpretação.

A história começa exatamente onde o anterior, O Cavaleiro das Trevas, terminou. Harvey Dent, o Duas Caras, morreu mas deixou, supostamente, um legado de justiça em Gothan City. Oito anos depois, a Lei Dent colocou na cadeia um bando de criminosos, Gothan é uma cidade tranquila, Batman sumiu e Bruce Wayne está recluso. Mas um mercenário cheio de má intensão, Bane, quer colocar fogo em Gothan – literalmente. O bilionário Wayne vai precisar sair de seu casulo, mesmo relutando em colocar Batman de volta às ruas. Nesta jornada em que precisa resgatar a confiança em si mesmo e nas pessoas que o cercam, Wayne/Batman acaba esbarrando em duas mulheres que podem ser decisivas em seu destino – a ladra Selina Kyle e a ambientalista Miranda Tate – e em um jovem policial, John Blake, que questiona a idolatria à Harvey Dent.

Contar mais é estragar a trama, que tem suas pequenas reviravoltas, momentos que não chegam a surpreender mas dão muito charme ao filme. Com muitos personagens e histórias a desenvolver, o longa dá espaço para todo mundo ter sua grande cena, mas é impossível não destacar o veterano Michael Caine em uma interpretação recheada de emoção, fazendo de Alfred um dos personagens mais queridos da trilogia. Tom Hardy em versão músculos a la Vin Diesel acerta o tom do seu Bane, e para os que se preocupavam com a atuação de Anne Hathaway como Selena, podem respirar aliviados: a atriz não tenta competir com a inesquecível Mulher Gato de Michelle Pfeiffer (em Batman – O Retorno, de Tim Burton – 1991) e cria sua própria versão da personagem, em uma atuação correta e segura.

É claro que falar de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge sem elogiar a atuação de Christian Bale é uma tremenda injustiça. O ator mostra de novo que o uniforme do homem morcego caiu como uma luva nele, e dessa vez tem um desafio um pouco maior: em diversos momentos Batman fica em segundo plano para evidenciar Bruce Wayne, apresentado como um homem comum, cheio de defeitos e falhas, que sempre será movido por um sentimento menos nobre, a vingança. Dessa vez, mais do que nos filmes anteriores, vemos Wayne e suas feridas, e Bale consegue dar o tom certo a esses momentos de exposição das fraquezas do seu personagem – e isso foi o que mais me agradou. Sou muito fã de Batman, e sou fã justamente porque ele não é um herói com super poderes; ele é apenas um homem que tentar consertar o mundo a partir de uma vingança pessoal. Na verdade Batman é um anti-herói, o alterego de um bilionário que deseja fazer justiça de qualquer jeito. Focar nesse lado sombrio (muito claro nas HQs, mas pouco visto nas adaptações para o cinema e TV) deixou evidente que o diretor Christopher Nolan sempre soube o que estava fazendo, o que dá um encerramento épico à trilogia.

Em um ano em que os heróis das HQs estiveram em alta nos cinemas, com Os Vingadores e O Espetacular Homem-Aranha, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge chega para mostrar que nessa briga quem ganha mesmo é Batman. Mesmo que Nolan e Bale jurem que não haverá outros filmes, todo mundo vai especular sobre essa possibilidade. Quando o filme acabou, já me bateu uma saudade imensa dessa bem-sucedida série que pode ser conhecida como ‘o Batman de Nolan’. É de se aplaudir um diretor que consegue fazer três filmes que se encaixam perfeitamente, mantendo o mesmo nível de interesse e qualidade, sem deixar buracos ou perder os detalhes, e com um protagonista tão complexo como o homem morcego. Mas confesso que, se for para fazer algo meia-boca, é melhor parar por aqui mesmo. E, que me desculpem os fãs do Homem-Aranha, mas espetacular mesmo é o Batman.

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