Um Dia

dezembro 1, 2011

por Janaina Pereira

Livro de sucesso estrondoso no mundo inteiro, Um Dia, de David Nicholls, foi párar nos cinemas, claro. Estreia nesta sexta, dia 2, com direito a queridinha de Hollywood Anne Hathaway como uma inglesa, e Jim Strugges como seu par, o drama romântico Um Dia (One Day), dirigido por Lone Scherfig (Educação) e adaptado para a telona pelo próprio Nicholls. Não precisa ler o livro para ver o filme, mas confesso que depois de ver o filme fiquei sim com vontade de ler o livro!

Para quem ainda não sabe, Um Dia narra os encontros e desencontros da inteligente e insegura Emma (Hathaway, carismática como sempre) com o pretencioso e desconcertante Dexter (Strugges, bem no papel). Eles estudaram na mesma faculdade mas não são amigos, e no dia 15 de julho de 1988, após a formatura, o destino trata de uni-los. Mas se engana quem pensa que o longa é uma história de amor. A partir do dia em que suas vidas se cruzam, Emma e Dex – como ela gosta de chamá-lo – vivenciam a mais cruel das descobertas: o tempo não perdoa.

Pois é, Um Dia é sobre o tempo: o tempo que se perde sendo inseguro, imaturo, burro. O tempo que se perde demorando a fazer escolhas, e fazendo escolhas erradas. O tempo que se perde com medo, com tristezas, com rancores, com desafetos e com falta de amor. Ano a ano, sempre no dia 15 de julho, vamos acompanhando o que o tempo faz com os protagonistas. Percebemos que Emma, mesmo sendo gente boa e divertida, leva tempo demais para acordar para a vida, demora a perceber que merece ser feliz e que é maior e melhor do que imagina. Também percebemos que Dex é um idiota, fofíssimo e encantador, é verdade, mas que perde tempo com mulheres que posam bem ao seu lado, mas não lhe dão valor; um cara que só se importa – literalmente – com sexo, drogas e rock´n roll.

Mas como todos nós – e quem não passou por isso, vai passar – Dex e Emma vão aprender com seus erros e um belo dia vão perceber que é possível ser feliz de uma forma muito simples, fazendo o que se gosta e tendo ao lado alguém em quem se confia. E é aí que o danado do tempo dá uma rasteira neles e nos espectadores.

Um Dia, o filme, pode arrancar lágrimas de muitos, mas comigo o efeito foi diferente. Talvez porque eu tenha a idade dos personagens já ao final do filme – aquela fase cruel dos ’30 e muitos anos’ chegou e você se pergunta ‘o que vai ser daqui para frente’ – fiquei imaginando as coisas que não fiz, os erros que cometi, as pessoas que deixei pelo caminho e, especialmente, os que me deixaram pelo caminho. Na verdade, bem lá no fundo do meu coração, sei que já fui muito Emma nessa vida, e tive meus momentos de Dexter. E é justamente aí que mora toda a graça do filme: David Nicholls fez personagens tão humanos, tão verossímeis e tão sinceros, que me identifiquei com eles.

Lembre-se que Um Dia não é uma história de amor, mas uma história sobre o tempo. Que constrói e destrói amizades e amores sim, mas que nos fortalece e que, inevitavelmente, nos faz crescer.

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Uma resposta to “Um Dia”

  1. kywi said

    Jim Sturgess e Não Jim Strugges…
    Gostei bastante da crítica! tô bem afim de ver o filme! =)

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