Festival de Veneza 2011 – Day 11

setembro 10, 2011

por Janaina Pereira, de Veneza

Faust, de Aleksander Sorukov, ganhou o Leao de Ouro esta noite na 68 ediçao do Festival de Veneza. O filme russo é uma adaptaçao moderna da obra de Goethe, e tinha torcida de boa parte da imprensa. Esteticamente perfeito e grandioso, nao chega a ser uma obra-prima mas mostrou que Darren Aronofsky, o presidente do juri, preferiu nao polemizar como Quentin Tarantino ano passado e escolheu um caminho facil: premiar um filme de diretor famoso, com historia classica, sem margem para erro.

Os filmes orientais, que nao fizeram sucesso entre os jornalistas, levaram a maior parte dos premios – melhor diretor para Shangjun Cai, por People Mountain People Sea (China – Hong Kong); melhor atriz para Deanie Yip por A simple life (China – Hong Kong)e premio Marcello Mastroianni de revelaçao para Shota Sometani e Fumi Nikaido, por Himizu (Japao). O otimo O morro dos ventos uivantes ganhou o premio de fotografia e o chato Alpis o premio de roteiro.

Os jornalistas que acompanhavam a premiaçao pelo telao da sala de imprensa ficaram indignados com o Premio Especial do Juri dado a Emanuele Criasele e seu Terraferma. O filme é bom, mas o premio foi considerado um exagero. Unanimidade de publico e de critica, Michael Fassbender foi ovacionado quando seu nome apareceu como o melhor ator, por Shame (pela Fipresci (Federação Internacional dos Críticos), o filme de McQueen ganhou hoje o premio de melhor de Veneza 2011) – desde cedo o boato de que o ator voltara a Veneza exclusivamente para receber o premio rondou o Festival, o que foi confirmado quando Fassbender surgiu elegante e de barba para receber sua Coppa Volpi.

Na premiaçao, ele agradeceu ao diretor Steve McQueen, a quem chamou de “meu heroi”, repetindo o discurso na coletiva de imprensa que seguiu a premiaçao. “O Steve McQueen mudou minha vida. Ele é meu irmao, meu mentor. Devo esse premio a ele”, disse Fassbender, que ainda ficou meia hora dando, pacientemente, entrevistas para a televisao, sempre com um sorriso genoroso.
Ao contrario do ano passado, quando Tarantino precisou explicar para os jornalistas como foram escolhidos os vencedores – e o diretor americano quebrou um tabu, premiando o mesmo filme mais de uma vez – este ano Darren Aronofsky entrou mudo e quase saiu calado da coletiva. Sentando junto aos vencedores, so foi questionado pelas mediadoras da conferencia de imprensa. Mas ele pode dormir tranquilo porque seguiu direitinho o padrao de Veneza: nao repetiu premios para o mesmo filme, nao desagradou muita gente, e confirmou que ainda falta ao Festival de Veneza um presidente de juri que realmente saiba ousar.

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