Por Janaina Pereira, de San Sebastian

O filme Los Pasos Dobles, de Isak Lacuesta , foi anunciado na noite deste sábado, dia 24, como o grande vencedor da Concha de Ouro em San Sebastian (foto). A premiação do júri presidido pela atriz americana Frances McDormand causou surpresa. O franco favorito de público e crítica era o espanhol No habrá paz para los malvados.

O longa vencedor, uma co-produção Espanha-Suiça, foi vaiado na sala de imprensa, assim como o vencedor de melhor fotografia, o sueco Happy End. Os prêmios de melhor diretor para Filippos Tsitos e melhor ator para Antonis Kafetzopoulos, ambos de Adikos Kosmos, também não agradou a maioria.

Unanimidade foram os prêmios de melhor roteiro para I Wish,de Hirokazu Kore-eda, melhor atriz para Maria León, de La voz dormida e Prêmio Especial do Júri para Le Skylab, de Julie Delpy. Todos foram intensamenteaplaudidos pelos jornalistas, tanto no anúncio da premiação como na coletiva de imprensa.

O prêmio de audiência do público, dado aos filmes queparticipam da mostra Perlas, ficou com The Artist, de Michel Hazanavicius. O longa francês concorreu com nomes fortes, como Wim Wenders e seu ótimo documentário Pina, e Steve McQueen e o badalado Shame, entre outros.

O Brasil ganhou uma menção especial com Histórias que Existem para Serem Lembradas, de Julia Murat, que foi apresentado na MostraHorizontes.

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por Janaina Pereira, de San Sebastian

Foi exibido hoje para a imprensa o filme que o público vai assistir amanh,a no encerramento da 59ª edição do Festival de San Sebastian. Untouchable, escrito e realizado por Eric Toledano e Olivier Nakache, um drama agridoce sobre a história real de um tetraplégico e seu enfermeiro, conquistou os jornalistas com seu humor ácido e melodrama sem apelos.

O dia de hoje também foi marcado pela chegada do ator espanhol Antonio Banderas (foto), que à noite estará na premiere mundial de seu novo filme, o desenho animado O Gato de Botas. Banderas, no entanto, não vai conversar com a imprensa, participando apenas de uma sessão de fotos.

Amanhã  imprensa e público terão a exibição especial do novo filme do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn. o aclamado Drive, que deu ao diretor a Refn o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes 2011. O longa, protagonizado pelo atual queridinho de Hollywood, Ryan Gosling, promete ter uma das sessões mais disputadas do festival.

 

por Janaina Pereira, de San Sebastian
Los Pasos Dobles, de Isaki Lacuesta (foto), último concorrente espanhol a Concha de Ouro do Festival de San Sebastian, foi exibido hoje para imprensa. A história é uma ficção que evoca a figura de François Augiéras, pintor e  escritor de intensa vida que supostamente deixou enterrado o seu trabalho em um bunker sob  o deserto. O filme foi recebido ocm frieza pela imprensa.
Na Mostra Perlas, em que o filme mais votado será premiado, o primeiro longa em 3D do alemão Wim Wenders, Pina, documentário sobre a lendária dançarina contemporânea Pina Bausch, segue na liderança como favorito do público.

por Janaina Pereira, de San Sebastian

O ator Michael Fassbender, estrela de Shame, um dos filmes da Mostra Perlas do Festival de San Sebastian, chegou ontem à noite à cidade e hoje foi a grande estrela do festival. Fassbender, 34 anos, acaba de ganhar o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza (foto) e é apontado como o novo símbolo sexual do cinema, desfilou simpatia na sessão de fotos e participou de um programa de TV, sendo seguido de perto pelas fãs por onde andava na cidade.

Na Mostra Oficial, foram exibidos The Deep Blue Sea, novo filme de Terence Davies, e La Voz Dormida, de Benito Zambrano, que caiu nas graças da imprensa local.

por Janaina Pereira, de San Sebastian

Uma comédia sobre uma família francesa e um drama sobre uma família japonesa foram os dois principais filmes do dia em San Sebastian. Le Skylab, de Julie Delpy, e I wish, de Hirokazu Kore-eda, conquistaram os jornalistas nas sessões para a imprensa.

A atriz e diretora francesa fez uma comédia familiar cheia de bossa, mostrando o ponto de vista de uma menina sobre sua família. Já o aclamado diretor japonês reflete sobre a separação de uma família, onde um dos filhos fica com a mãe e o outro com o pai.

Tanto Delpy quanto Kore-eda usaram crianças para expressaras emoções e decepções que uma família pode causar. E os dois tiveram muita sensibilidade em seus pontos de vista tão distintos. Le Skylab e I wish já são apontados como favoritos a Concha de Ouro, ao lado do espanhol No habrá paz para los malvados.

 

Por Janaina Pereira, de San Sebastian

A atriz, cantora e diretora canadense Sarah Polley (foto) conquistou a imprensa em San Sebastian com seu segundo trabalho para o cinema, o drama Take this Waltz, que traz Michelle Williams e Seth Rogen como protagonistas. O longa è um dos concorrentes a Concha de Ouro de melhor filme.

A historia è simples: uma jovem dona de casa (Michelle) casada e aparentemente feliz, se interessa por um estranho, que logo ela descobre ser seu vizinho. Dividida entre a razao e a emocao, ela tenta levar a situacao da melhor forma possivel, mas em algum momento tera que decidir com quem ficar.

Sarah, que adaptou o livro homonimo para a telona, conduz bem a historia, sem deixar a trama cair na banalidade. Por melhor que sejam suas intencoes de fazer um filme independente bacana que fala sobre as armadilhas do coracao, ela acaba esbarrando em alguns problemas como a pouca profundidade dos diàlogos, e a resolucao rapida demais da trama em seus momentos finais. Mas, o maior deles, està na escolha de sua protagonista. Michelle Williams è otima, mas anda fazendo sempre o mesmo papel, de moca confusa em seus sentimentos, e sempre em filmes independentes que tentam ser modernos.

Nao foi por acaso que, na coletiva de imprensa, Sarah foi questionada que seu filme lembrava muito Blue Valentine, um dos melhores filmes recentes sobre relacionamentos, que è protagonizado por… Michelle Williams. Contrariada, a diretora – que chamou muita atencao eu seu filme de estreia, Longe Dela, que trouxe Julie Christie (indicada ao Oscar) de volta ao cinema – respondeu que seu Take this Waltz nao tinha nada a ver com Blue Valentine, e que Michelle foi escolhida por ser uma boa atriz. Tudo bem, pode ser que a intencao nao era essa… mas que em varios momentos o filme lembra o sucesso de , ah, lembra sim!

De qualquer modo, è bom dar mèritos a diretora Sarah Polley que mostrou ao mundo uma faceta mais seria do comediante Seth Rogen, que se sai muito bem como o marido fofo, mas um tanto distante, da protagonista. E com certeza a diretora vai cair nas gracas daqueles que cultuam o cinema romantico independente como uma vàlvula de escape para os desgastados melodramas hollywoodianos.

 

por Janaina Pereira, de San Sebastian

Sorriso cativante, figurino clàssico, voz suave, gestos doces, olhar sereno. Esta è Glenn Close, uma das maiores atrizes americanas, a grande homenageada este ano do Festival de San Sebastian. Ao contrario de seus personagens – a maioria de carater duvidoso e com um pé na maldade – Glenn transparece ternura o tempo todo, mostrando que, de fato è uma grande atriz: ela està bem longe de lembrar, pessoalmente, qualquer um dos seus papeis famosos, como a amante louca de Atracao Fatal ou a megera Cruela de 101 Dalmatas.

Depois da exibicao para a imprensa, ontem â noite, de Albert Nobbs, de Rodrigo Garcia, o mais recente trabalho de Glenn Close no cinema – que jà tem indicacao dada como certa no Oscar 2012 – foi a vez de conversar com a atriz hoje, um domingo chuvoso e frio em San Sebastian. Por mais de uma hora, Glenn conversou com os jornalistas, sempre respondendo com bom humor e humildade os elogios a sua performance no longa.

A atriz disse que se for indicada ao Oscar ficara muito feliz – já concorreu cinco vezes ao Oscar, a última delas em 1989 por Ligações Perigosas. “Seria maravilhoso ser indicada. Estou há muito tempo sem uma indicação”, declarou Close, sorridente.

Quando foi perguntada sobre uma suposta rivalidade na corrida pelo prëmio com outra franca favorita para 2012, a tambem veterana Meryl Streep, Glenn Close riu e disse: “Meryl e eu somos muito proximas. Nunca falamos de Oscar. E vai continuar assim.”

A atriz, de 64 anos, receberá agora â noite o prêmio Donostia pela carreira. Em Albert Nobbs ela interpreta uma mulher que se passa por homem para sobreviver na Irlanda do fim do século XIX. “É uma história sobre a sobrevivência e demorei 15 anos para levar o projeto ao cinema.” Ela também é produtora e uma das roteiristas do filme.

Glenn Close já havia interpretado Nobbs no teatro em 1982. Na exibição para a imprensa, o filme foi muito aplaudido.

por Janaina Pereira, de San Sebastian

A manha fria nao impediu que a imprensa lotasse a Kursaal 1, sala onde acontecem as cerimonias de abertura e encerramento do Festival de San Sebastian, para conferir No Habra paz para los malvados, o òtimo thriller policial de Enrique Urbizu, ovacionado merecidamente, e ja apontado como o primeiro favorito a Concha de Ouro.

O diretor basco acertou em cheio na trama – de um lado, um policial tentando “apagar” os vestìgios que deixou de um triplo assassinato; do outro, dois policiais procurando respostas para o tal crime – e, especialmente, na escolha de seu protagonista, Jose Coronado (foto), um dos mais respeitàveis atores espanhois. Coronado, 54 anos, è o Ricardo Darin da Espanha, um tipo maduro, cabelos grisalhos, bonitao, que no filme aparece totalmente transformado – a barba mal feita, o cabelo grande, o jeito de mafioso, todo o visual do ator foi pensado para impor o lado sombrio de seu personagem, o policial Santos.

No Habra paz para los malvados chama a atencao, especialmente, pelo roteiro que nos leva a um caminho diferente, sem fazer apologia aos bons ou aos maus, e sem mostrar que os fins justificam os meios, como è bem comum nos thrillers policiais americanos. Sobre isso, o ator Jose Coronado – nome forte para a Concha de Prata de melhor ator – disse na coletiva de imprensa, “fizemos um filme muito melhor que a maioria dos thrillers policiais americanos e gastamos dez vezes menos de orcamento.”

O filme mostra ainda o submundo de Madrid e deixa no ar a lembranca de uma das maiores feridas espanholas – os ataques terroristas aos trens na capital espanhola em 11 de marco de 2004, conhecido como 11-M. O mundo, que faz tanta questao de lembrar do 11 de setembro, deveria parar para olhar que, em outros paises, o terrorismo tambem existe e ha vida fora dos EUA. Inclusive vida fora do cinema americano. E o filme de Urbizu è a prova disso.

por Janaina Pereira, de San Sebastian

San Sebastian, bela cidade do Pais Basco, na Espanha, paraiso da gastronomia e repleta de praias maravilhosas, recebe de 16 a 24 de setembro seu 59º Festival de Internacional de Cinema. O Festival de Donostia-San Sebastian (Donostia è o nome da cidade em basco, em catelhano è San Sebastian), que tem como maior foco os filmes latinos, pode nao ser um dos mais comentados mundo afora, mas certamente è um dos mais charmosos.

O deslumbrante predio que abriga o Festival e suas cabines de imprensa realizadas no Teatro Vitoria Eugenia – o Municipal deles – sao puro luxo. A abertura do Festival acontece hoje à noite com Intruders, primeiro trabalho do diretor espanhol Juan Carlos Fresnadillo em Hollywood. A producao, que estreia no Brasil ainda este ano, distribuida pela Universal, sera exibida fora de competicao, mas dentro da selecao oficial do Festival. Todo o elenco do longa – Clive Owen (na foto em sua cehgada ontem à tarde na cidade), Carice van Houten, Daniel Brühl, Ella Purnell e Pilar López de Ayala – vai passar pelo tapete vermelho.

Exibido em sessao nesta manha para a imprensa, infelizmente o filme è um fiasco. Roteirizado por Jaime Marques e Nico Casariego, conta a história de duas crianças assombradas. Juan, de sete anos, mora em um bairro pobre de Madri e é atacado por um intruso sem nome em seus pesadelos, sem que sua mãe possa ajudá-lo. Mia, de 12 anos, por sua vez, conta a seus colegas de
sala um conto de monstro, no mesmo dia em que seu pai presencia um acidente do arranha-céus em construção, onde trabalha.

O triller de terror, que nao provaca medo em momento algum, tenta ser esperto, dando uma virada na historia em seus momentos finais, mas nao consegue nada alem de bocejos. Apesar de ter apenas 100 minutos, parece interminavel, e nem mesmo o bom ator wen consegue salvar o longa do desastre total. Na sessao de imprensa, meia duzia de jornalistas tentaram puxar os aplausos educados, em vao. Mas, ao contrario do que acontece em Veneza, por exemplo, aqui o pessoal tambem nao vaiou – ou seja, o filme simplesmente “passou batido”, como dizemos em bom português.

Na coletiva, que aconteceu no comeco desta tarde e durou cerca de uma hora, o diretor Fresnadillo foi bombardeado pela imprensa local, que quase nao deu atencao ao astro Owen. Fresnadillo defendeu que o medo è o principal elemento
do filme, e que ele, muitas vezes, vem instigado pela nossa propria familia. O cineasta tambem classificou como “uma grande honra” abrir o Festival, e agradeceu a oportunidade.

Mesmo com boas intencoes, Fresnadillo e Intruders nao agradam. Uma pena porque um Festival que se propoe a mostrar o melhor do cinema hispanico e latino nao merecia comecar com o pè esquerdo. Esperamos dias – e filmes – melhores.

por Janaina Pereira, de Veneza

Faust, de Aleksander Sorukov, ganhou o Leao de Ouro esta noite na 68 ediçao do Festival de Veneza. O filme russo é uma adaptaçao moderna da obra de Goethe, e tinha torcida de boa parte da imprensa. Esteticamente perfeito e grandioso, nao chega a ser uma obra-prima mas mostrou que Darren Aronofsky, o presidente do juri, preferiu nao polemizar como Quentin Tarantino ano passado e escolheu um caminho facil: premiar um filme de diretor famoso, com historia classica, sem margem para erro.

Os filmes orientais, que nao fizeram sucesso entre os jornalistas, levaram a maior parte dos premios – melhor diretor para Shangjun Cai, por People Mountain People Sea (China – Hong Kong); melhor atriz para Deanie Yip por A simple life (China – Hong Kong)e premio Marcello Mastroianni de revelaçao para Shota Sometani e Fumi Nikaido, por Himizu (Japao). O otimo O morro dos ventos uivantes ganhou o premio de fotografia e o chato Alpis o premio de roteiro.

Os jornalistas que acompanhavam a premiaçao pelo telao da sala de imprensa ficaram indignados com o Premio Especial do Juri dado a Emanuele Criasele e seu Terraferma. O filme é bom, mas o premio foi considerado um exagero. Unanimidade de publico e de critica, Michael Fassbender foi ovacionado quando seu nome apareceu como o melhor ator, por Shame (pela Fipresci (Federação Internacional dos Críticos), o filme de McQueen ganhou hoje o premio de melhor de Veneza 2011) – desde cedo o boato de que o ator voltara a Veneza exclusivamente para receber o premio rondou o Festival, o que foi confirmado quando Fassbender surgiu elegante e de barba para receber sua Coppa Volpi.

Na premiaçao, ele agradeceu ao diretor Steve McQueen, a quem chamou de “meu heroi”, repetindo o discurso na coletiva de imprensa que seguiu a premiaçao. “O Steve McQueen mudou minha vida. Ele é meu irmao, meu mentor. Devo esse premio a ele”, disse Fassbender, que ainda ficou meia hora dando, pacientemente, entrevistas para a televisao, sempre com um sorriso genoroso.
Ao contrario do ano passado, quando Tarantino precisou explicar para os jornalistas como foram escolhidos os vencedores – e o diretor americano quebrou um tabu, premiando o mesmo filme mais de uma vez – este ano Darren Aronofsky entrou mudo e quase saiu calado da coletiva. Sentando junto aos vencedores, so foi questionado pelas mediadoras da conferencia de imprensa. Mas ele pode dormir tranquilo porque seguiu direitinho o padrao de Veneza: nao repetiu premios para o mesmo filme, nao desagradou muita gente, e confirmou que ainda falta ao Festival de Veneza um presidente de juri que realmente saiba ousar.