Reencontrando a Felicidade

maio 2, 2011

 

por Janaina Pereira

Ok, o título brasileiro de Rabbit Hole  não é muito feliz, mas vamos esquecer isso. Reencontrando a Felicidade, de John Cameron Mitchell, é bem mais do que o filme que deu a Nicole Kidman (Moulin Rouge) uma merecida indicação ao Oscar deste ano. A obra, escondida entre tantos bons títulos do Oscar 2011, chega finalmente aos cinemas brasileiros nesta sexta, dia 6, e não pode passar desapercebida. Necessário e comovente, o filme é daqueles que fazem o espectador viver o drama dos personagens, sem dó nem piedade.

Baseado no livro homônimo de David Lindsay-Abaire, vencedor do Pulitzer, a trama gira em torno do casal Becca e Howie Corbett (Nicole Kidman e Aaron Eckhart). Logo nos primeiros minutos do filme, percebemos que eles sofreram uma perda brutal: a morte por acidente do filho único. A criança, com apenas 4 anos, foi atropelada na porta de casa, e passados 8 meses, o casal não consegue superar a dor.

Becca hesita em se abrir para sua mãe (Dianne Wiest), que perdeu um filho para as drogas, mas, secretamente, se aproxima do adolescente envolvido no acidente que provocou todas as mudanças na sua vida. Enquanto isso, Howie, que participa de um grupo de apoio a pais que perderam filhos, começa uma amizade com Gabby (Sandra Oh, do seriado Grey´s Anatomy). Entre lembranças, dores e tristezas, o casal busca uma maneira de continuar suas vidas e, especialmente, de manter o casamento e o amor que ainda os une.

O ponto forte do filme está nas ótimas atuações de Nicole Kidman e Aaron Eckhart (O cavaleiro das trevas), que dão show em cena. Nicole – que devia estar com o botox vencido pois o rosto permanece esticado, mas não tanto a ponto de esconder suas expressões faciais – convence como a mãe que perdeu o filho de forma abrupta. Ela não ficou devendo nada a outras duas mães de perdas dolorosas: Juliete Binoche em A liberdade é azul e Naomi Watts em 21 gramas. Eckhart mostra uma força dramática impressionante, conseguindo uma química perfeita com Nicole.

Além dos protagonistas, Diane West brilha no papel da mãe de Nicole Kidman, e o diretor John Cameron Mitchell, que poderia ter feito um filme piegas e melodramático, mostra muita versatilidade atrás das câmeras, com sequências intimistas e reflexivas, aproximando os personagens do público.

Reencontrando a Felicidade é desses filmes que tem o timing perfeito para um tema tão difícil. Quando o filme acabou, fiquei com aquela sensação de pesar no coração, e a certeza de que o amor de mãe é realmente um dos mais sublimes desta vida.

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