por Janaina Pereira

 

 
Um dos maiores sucessos do cinema em 2009, Se beber não case (The Hangover) surpreendeu público e crítica com seu humor leve, sem idiotices, explorando um roteiro bacaninha: quatro amigos vão fazer uma despedida de solteiro em Las Vegas e acordam no dia seguinte com o noivo desaparecido. Para piorar tudo, eles têm um bebê e um tigre no quarto de hotel e não lembram de nada do que aconteceu na noite anterior.

Descobrir como aquele bebê e aquele tigre foram parar lá – e onde está o noivo, é claro – é a tarefa do trio enlouquecido, e o público embarca junto nessa aventura. As piadas em tom certo, o entrosamento do elenco, a ótima trilha sonora e a história nada original, mas contada de forma inusitada, fizeram do filme um campeão de bilheterias, com direito a um Globo de Ouro de melhor comédia no ano passado.Se não bastasse tudo isso, ainda elevou o lindo e loiro Bradley Cooper – até então um ator coadjuvante na maioria dos filmes em que atuou – ao posto de galã da vez.

Claro que tanto dinheiro no bolso levou o diretor, produtor e roteirista Todd Phillips a pensar numa segunda parte. A pergunta que estava no ar era: esse roteiro tem uma segunda piada? A resposta vocês podem conferir a partir desta sexta, 27, com a estreia de Se beber não case parte 2 (The Hangover Part II). Mas posso adiantar que detesto piada repetida, portanto, se não querem ler alguém falando mal do filme, podem parar por aqui.

Se continuou sua leitura, vamos lá: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galfianiakis e Justin Bartha repetem seus papéis como Phil, Stu, Alan e Doug. Dessa vez é Stu (Helms) quem vai casar e, traumatizado pela despedida de solteiro do amigo Doug (Bartha) no filme anterior, resolve não comemorar. Mas é claro que as coisas não saem como ele planejou. O casamento na Tailândia está ameaçado de não aconteceu porque Phil (Cooper), Alan (Galfianiakis) e o próprio Stu acordam em Bangcoc, num quarto sujo de hotel, sem lembrar do que aconteceu na noite anterior. A partir dai é uma repetição de sequências – e piadas – do primeiro filme.

Infelizmente, Todd Phillips não quis arriscar nada e repetiu o roteiro, mudando apenas de cenário. O pouco de piadas ‘novas’ são apelativas e sexuais, o que faz o filme ser desnecessariamente vulgar. Toda a diversão do primeiro Se beber não case, aparentemente, se repete: você vai rir, vai achar graça aqui e ali, e vai querer ver o filme anterior de novo (e quem não viu vai precisar ver para entender muitas piadas). O problema é que minutos depois você já esqueceu essa segunda parte, e só a primeira vai permanecer na sua memória.

A coisa toda é tão forçada que o filme começa exatamente como o primeiro, mas no final você pensa – por que o diretor começou daquele jeito? Por que ele, pelo menos, não aproveitou o Justin Bartha? O ator quase não é visto no primeiro filme, mesmo a trama girando em torno do seu personagem, mas lá fazia sentido, agora… soa forçado, uma tentativa de fazer tudo a imagem e semelhança do filme anterior.

Infelizmente Se beber não case parte 2 é uma grande decepção mas, preciso admitir: não dava mesmo para esperar muita coisa de um roteiro de piada única. Bem, pelo menos tem o Bradley Cooper, sempre um colírio para os olhos femininos.

Namorados para Sempre

maio 24, 2011

 

por Janaina Pereira

Se você acha que encontrou ou vai encontrar o príncipe encantado, se está apaixonado e vê o mundo em uma lente cor de rosa, ou se acabou de se separar, fuja de Namorados para Sempre – o título um tanto traiçoeiro para Blue Valentine, certamente um dos melhores filmes do ano. De forma tocante e sincera como poucas vezes se vê no cinema, o diretor Derek Cianfrance conta uma linda história de amor que, no entanto, está prestes a terminar.

Você poderá dizer “ah, falar em amores que não dão certo de forma bacana a gente já viu no cinema!”. Claro que sim, o ótimo (500) dias com ela está ai para comprovar isso. Mas falar de um amor que nasce, cresce e morre de forma brutal – e com uma criança no meio disso tudo, o que torna a situação ainda mais dolorosa – é realmente algo raro.

Blue Valentine é a história da descoberta do amor e do amor que se perde, em momentos do passado e do presente. O filme já começa mostrando que tem algo errado na relação de Dean (Ryan Gosling, de Half Nelson) e Cindy (Michelle Williams,de O Segredo de Brokeback Mountain), e aos poucos vamos percebendo que a situação é muito mais densa do que parece. Com indas e vinda no tempo, acompanhamos o encontro do casal, porque e como ficaram juntos, as promessas quebradas e as ilusões alimentadas. É fácil perceber onde tudo aquilo vai terminar, mas o fim de uma relação sempre deixa as suas marcas.

O filme, exibido no Festival de Sundance 2010, tem como destaque o roteiro de Derek Cianfrance, Cami Delavigne e Joey Curtis, às vezes bastante agressivo, e cruel como a realidade quase sempre é, e a direção de Cianfrance, que chama a atenção por acompanhar os atores bem de perto, mostrando as reações, em close, sempre com a câmera fechada no rosto, permitindo aquelas cenas tão reais quanto sinceras. Outro ponto forte está no casal protagonista. Ryan Gosling e Michelle Williams concorreram ao Globo de Ouro deste ano por suas atuações, mas só ela garantiu uma indicação ao Oscar. O que soa totalmente injusto: embora Michelle esteja muito bem em cena, o filme é todo de Gosling, que se entrega totalmente ao papel.

Ok, o ator leva a vantagem do roteiro tratar a história muito mais do ponto de vista do seu personagem. Enquanto Dean é um rapaz simples sem muitos planos na vida, que se entrega aos sentimentos sem medo das consequências, Cindy é uma moça que sonha ser médica e, à primeira vista, tem um futuro promissor. Talvez ela tenha feito as escolhas sentimentais erradas, é verdade, mas ainda assim ela acredita que vale a pena seguir em frente. Assim como são diferentes, as reações de ambos diante da vida também são bem distintas. Ele vai, ela volta; ele quer, ela não; ele ataca, ela sempre se defende. E no meio de tanta tristeza e paixão, Ryan Gosling consegue fazer um personagem à principio sem nenhum carisma, mas totalmente sincero no final das contas.

Se você acredita no amor, no casamento, na família e no Dia dos Namorados – o filme estreia dia 10 de junho, justamente para aproveitar a data – Namorados para Sempre não é a melhor opção de filme. Mas se você já viveu seus dramas amorosos, sabe que amor não rima com dor à toa, e já teve seu coração partido, vai entender a essência desta produção.

 

por Janaina Pereira

Ok, o título brasileiro de Rabbit Hole  não é muito feliz, mas vamos esquecer isso. Reencontrando a Felicidade, de John Cameron Mitchell, é bem mais do que o filme que deu a Nicole Kidman (Moulin Rouge) uma merecida indicação ao Oscar deste ano. A obra, escondida entre tantos bons títulos do Oscar 2011, chega finalmente aos cinemas brasileiros nesta sexta, dia 6, e não pode passar desapercebida. Necessário e comovente, o filme é daqueles que fazem o espectador viver o drama dos personagens, sem dó nem piedade.

Baseado no livro homônimo de David Lindsay-Abaire, vencedor do Pulitzer, a trama gira em torno do casal Becca e Howie Corbett (Nicole Kidman e Aaron Eckhart). Logo nos primeiros minutos do filme, percebemos que eles sofreram uma perda brutal: a morte por acidente do filho único. A criança, com apenas 4 anos, foi atropelada na porta de casa, e passados 8 meses, o casal não consegue superar a dor.

Becca hesita em se abrir para sua mãe (Dianne Wiest), que perdeu um filho para as drogas, mas, secretamente, se aproxima do adolescente envolvido no acidente que provocou todas as mudanças na sua vida. Enquanto isso, Howie, que participa de um grupo de apoio a pais que perderam filhos, começa uma amizade com Gabby (Sandra Oh, do seriado Grey´s Anatomy). Entre lembranças, dores e tristezas, o casal busca uma maneira de continuar suas vidas e, especialmente, de manter o casamento e o amor que ainda os une.

O ponto forte do filme está nas ótimas atuações de Nicole Kidman e Aaron Eckhart (O cavaleiro das trevas), que dão show em cena. Nicole – que devia estar com o botox vencido pois o rosto permanece esticado, mas não tanto a ponto de esconder suas expressões faciais – convence como a mãe que perdeu o filho de forma abrupta. Ela não ficou devendo nada a outras duas mães de perdas dolorosas: Juliete Binoche em A liberdade é azul e Naomi Watts em 21 gramas. Eckhart mostra uma força dramática impressionante, conseguindo uma química perfeita com Nicole.

Além dos protagonistas, Diane West brilha no papel da mãe de Nicole Kidman, e o diretor John Cameron Mitchell, que poderia ter feito um filme piegas e melodramático, mostra muita versatilidade atrás das câmeras, com sequências intimistas e reflexivas, aproximando os personagens do público.

Reencontrando a Felicidade é desses filmes que tem o timing perfeito para um tema tão difícil. Quando o filme acabou, fiquei com aquela sensação de pesar no coração, e a certeza de que o amor de mãe é realmente um dos mais sublimes desta vida.