Por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

Massacrados pela imprensa brasileira, que questionou o retrato violento que o filme faz do Rio, Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio (Fast Five) foi lançado nesta sexta-feira, dia 15, no Cinépolis Lagoon, no Rio de Janeiro. O diretor Justin Lee e 13 atores do elenco, que vieram à cidade para promover o longa, participaram da premiere mundial e passaram por um tapete vermelho dominado pela imprensa estrangeira. Para os jornalistas brasileiros sobrou pouca coisa: entre o CQC e o Pânico na TV, programas que vem dominando os eventos de cinema realizados no País, uma dúzia de jornalistas de sites tentava arrancar alguma declaração dos artistas.

 Foi um trabalho árduo. Além da imprensa especializada não estar presente – esta jornalista que escreve agora a vocês era uma rara representante da espécie – ficou muito claro, desde o início, que o evento tinha sido realizado para os jornalistas estrangeiros. Priorizando as emissoras de TV, Vin Diesel e cia passaram a maior parte do tempo dando entrevistas para os veículos internacionais. Entre uma piada de Rafael Cortez e uma dancinha de Sabrina Sato e da panicat Juju Salimeni, sobraram meia dúzia de palavras de The Rock – agora Dwayne Johnson – e Paul Walker. Os atores, que deram toda a atenção aos estrangeiros, passaram rapidamente pela imprensa brasileira. Nem mesmo Sabrina Sato, que Walker já havia tentado ‘fisgar’ em um evento no Copacabana Palace, conseguiu arrancar sorrisos do ator. “Não ficaria com ele, não faz o meu tipo”, esnobou Sabrina.

Quando tudo parecia perdido, Vin Diesel salvou a noite. Simpático e atencioso,o ator disse que tinha trocado de roupa três vezes por causa do calor. Diesel ressaltou que estava encantado com o Rio e que pretende voltar outras vezes ao Brasil. Ele ainda ganhou um ursinho de pelúcia, presente da panicat Juju, que já havia roubado a cena na coletiva de imprensa ao dar um selinho no ator. “Ele tem bocão, bração, tudo ão. Resta saber se na hora H não é inho”, brincou a moça mais fotografada da noite, em seu justíssimo vestido pink.

Enquanto os jornalistas faziam seu trabalho, fotógrafos disputavam quase a tapa uma pose dos astros. Celebridades brasileiras tentavam tirar uma ‘casquinha’, e até jornalista convidado passava pelo tapete vermelho com pose de candidato ao Oscar. A assessoria do evento, porém, tratava de retirá-los do lugar destinado exclusivamente à equipe de Velozes e Furiosos 5.

Depois de seis horas de evento – entre espera pela liberação da entrada, atrasos e um tapete vermelho que durou cerca de duas horas – o grand finale ficou por conta de uma assessora brasileira que resumiu a noite “Chamem os seguranças, precisamos tirar essa gente daqui.” ‘Essa gente’ eram os jornalistas. Para quem acha que temos uma vida glamourosa e que premieres de cinema realizadas no Brasil são o máximo, fica a dica: é tudo para estrangeiro ver.

Fotos: Janaina Pereira

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Uma Manhã Gloriosa

abril 1, 2011

por Janaina Pereira

 

Adoro o Harrison Ford. Ator que ficou famoso depois dos 30 anos – coisa rara em Hollywood – ele é dono dos melhores personagens do cinema recente: Indiana Jones, Han Solo e o Deckard de Blade Runner, além de ser o melhor presidente que os EUA já teve em Força Aérea Um, e o melhor Jack Ryan dos três que foram parar nas telonas, em Perigo Real e Imediato.

Todo esse passado brilhante do querido Harry ficou literalmente para trás. Faz tempo que o ator não emplaca um sucesso, e em Uma Manhã Gloriosa, seu mais recente trabalho, a situação não é diferente. Além de ser creditado após Rachel McAdams (de Sherlock Holmes), Ford serve de ‘escada’ para a atriz fazer graça. Lamentável.

Uma Manhã Gloriosa, de Roger Michell (diretor de Um lugar chamado Nothing Hill) é um equívoco atrás do outro. Comédia romântica das mais sem graças, em que o romance fica em segundo plano para dar espaço a um clichê: a disputa por um lugar ao sol no trabalho. O tema, batido, é um desafio para qualquer roteirista, mas eu tinha esperança de ver algo razoável, já que o roteiro estava nas mãos de Aline Brosh McKenna, que adaptou o sensacional O Diabo Veste Prada e escreveu o simpático Vestida Para Casar.

Dessa vez a roteirista errou feio e nada se salva no filme. A trama gira em torno de Becky, uma jornalista que perdeu o emprego (Rachel McAdams) e luta desesperadamente para arrumar outro trabalho. Ela é produtora de jornais matutinos para a TV, e consegue um emprego graças a sua insistência. Com um programa fracassado na mão, ela vê em um experiente jornalista (Harrison Ford) a chance de reerguer sua carreira e o programa, claro.

Entre situações manjadas como o romance com o colega de trabalho bonitão e mulherengo e a conquista da equipe graças à sua doçura e garra, a jornalista é um poço de clichês e forçadamente equivocada em situações constrangedoras.

No meio de tudo isso ainda temos Diane Keaton (de Alguém Tem Que Ceder) como coadjuvante do já coadjuvante Harrison Ford. Para quem não exige nada de um filme, pode ser que encontre algo positivo na trama, mas realmente é difícil. Uma Manhã Gloriosa passa completamente desapercebido em qualquer cinema e na carreira de Harrison Ford. Desnecessário ele ter feito este filme, mas a gente finge que não viu.