Poesia

fevereiro 21, 2011

por Janaina Pereira

Se você procura uma história densa e reflexiva, não pode perder este filme. O sul-coreano Lee Chang-Dong e o seu Poesia (Poetry) reforçam a tese de que o cinema asiático é mesmo singular.

O longa ganhou o prêmio de melhor roteiro este ano em Cannes, e foi um dos mais aclamados por lá. No Brasil já foi exibido no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, ano passado, com sucesso. A trama mistura, de forma bastante original, a poesia e o crime de forma impactante. A primeira cena, com um corpo boiando num rio, resume bem o que virá pela frente.

Por duas horas e trinta minutos somos conduzidos ao dia-a-dia de Mija – interpretada pela grande dama do cinema coreano, Yun Jung-Hee – uma senhora que começa a sofrer com os sinais da idade avançada, apresentando problemas de saúde e falta de memória. Criando o neto rebelde, ela vive sempre elegante mesmo tendo pouco dinheiro e levando uma vida extremamente simples. Para ganhar uma grana extra além de sua pensão, Mija trabalha como empregada doméstica, cuidando de um senhor que sofreu um derrame.

Tudo é muito simples, como a maioria dos filmes orientais. O silêncio, a ausência de trilha sonora, os diálogos suscintos, a troca de olhares, as ações comedidas. As cenas vão se sucedendo e nos levam a uma história surpreendente, onde aos poucos descobrimos que os problemas de saúde de Mija são mais sérios do que podemos imaginar; sua relação com o idoso pode ter conseqûências imprevisíveis e seu neto está envolvido em um crime que lhe afetará diretamente.

Entre os percalços da vida, Mija encontra um pouco de (des)conforto em um curso de poesia, que lhe ensina a trabalhar as palavras que sua mente insiste em esquecer, e a observar os detalhes da vida como um bem precioso que precisa ser lembrado.

Embora se repita muitas vezes, Poesia não é cansativo, pelo contrário, é uma pequena obra-prima sobre as fraquezas e franquezas do ser humano. Um trabalho primoroso do diretor Lee Chang-Dong e da atriz Yun Jung-Hee, cúmplices dentro e fora da telona – a personagem Mija foi escrita especialmente para ela. Desde já, um dos melhores filmes do ano. É o cinema oriental dando uma rasteira nos ocidentais e mostrando como o ser humano é igual em qualquer lugar do mundo, e que a poesia é uma questão de percepção da vida.

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