127 horas

fevereiro 15, 2011

por Janaina Pereira

Se você não sabe nada sobre a trama de 127 horas (127 hours), o novo filme de Danny Boyle (vencedor do Oscar em 2008 por Quem quer ser um milionário?), mas é uma pessoa sensível, fica a dica: leve um saco desses de vômito para a sessão. O filme tem uma cena que pode ser tensa demais para estômagos delicados.

Mas, se você é do tipo que gosta de emoções fortes, vai adorar 127 horas. Eu adorei. Apesar da cena que quase me fez desmaiar no cinema, o filme é muito digno, graças ao seu protagonista que nos dá uma tremenda lição de vida.

O longa narra a história baseada em fatos reais do engenheiro e alpinista Aron Ralston, vivido na telona por James Franco, que luta por sua sobrevivência após uma rocha cair sobre seu braço e aprisioná-lo em um isolado cânion em Utah.

Você vai ler por ai o que acontece com o braço de Ralston. Imaginou? Pois é bem pior do que você imagina. Só que é importante ressaltar que o filme é bem mais do que isso. O roteiro de Simon Beaufoy, baseado no livro escrito por Aron Ralston, condensa em 90 minutos as tais 127 horas de agonia do protagonista. Isso dá à trama fòlego suficiente para fazer o espectador acompanhá-la sem sofrer mais do que o necessário.

Danny Boyle conduz muito bem a narrativa, apoiado em uma boa trilha sonora e na atuação segura de James Franco. O ator passa 97% do filme sozinho em cena, e não perde em nenhum momento o fio da meada. Ele sofre mas mantém a esperança do personagem e, principalmente, convence quando Ralston precisa tomar a decisão entre lutar por sua vida ou simplesmente se deixar morrer.

Acima de tudo e de todos, porém, é a história real de Aron Ralston que faz de 127 horas um grande filme. Um engenheiro, com espírito de aventura, que teria só mais um dia divertido em sua vida, mas precisa suportar o desespero, refletir sobre tudo que deixou para trás, e escolher seguir adiante ou deixar as coisas como estão.

A decisão, cruel, nos faz refletir: o que você faria no lugar dele? A maioria, com certeza, deixaria as horas passarem. Mas, com seu exemplo de vida, Ralston deixa claro que existe uma enorme diferença entre não querer morrer e querer realmente viver.

127 horas recebeu seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e ator (Boyle ficou fora dos indicados em direção). Não deve levar nada, mas vale a ida ao cinema. E se você esquecer o saquinho de vômito, depois não diga que eu não avisei.

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