O Discurso do Rei

fevereiro 8, 2011

 
por Janaina Pereira
 
 
Líder de indicaçõs ao Oscar deste ano – são 12 – O Discurso do Rei (The King´s Speech) , de Tom Hooper, – estreia desta sexta, dia 11 – é um daqueles filmes com a cara da premiação hollywoodiana. O sarcasmo inglês, atores elegantes em ótimas atuações, figurino, direção de arte e fotografia primorosos, roteiro enxuto que deixa a história rolar com facilidade… tudo está lá, do jeitinho que o Oscar gosta.
 
Baseado na história real do rei George VI, O Discurso do Rei narra as dificuldades para falar em público – e para o público – do futuro herdeiro do trono britânico desde quando ele era apenas Bertie (Colin Firth). Simpático, inteligente, bom pai, bom marido, bom filho, Bertie é quase o homem perfeito se não titubiasse na hora de discursar. Seja no rádio, diante da realeza ou do público, ele não consegue falar uma frase inteira sem gaguejar.
 
Sua esposa Elizabeth (Helena Boham-Carter) manda o marido se consultar com um excêntrico terapeuta da fala, Lionel Logue (Geoffrey Rush). Depois de um começo difícil, os dois embarcam em um tratamento pouco ortodoxo mas a situação política da Inglaterra acelera as decisões de Bertie: após a morte de seu pai, o rei George V, e a abdicação escandalosa do Rei Eduardo VIII, Bertie, de repente, é coroado rei George VI.
 
Com o seu país na beira de uma guerra e precisando desesperadamente de um líder, ele precisa mais do que nunca da fala para se impor. E é neste momento que sua relação com Lionel entra num impasse, fundamental para o monarca encontrar a sua voz.
 
De forma simpática, o roteiro – favorito ao Oscar na categoria original – nos torna cúmplices da agonia e dos dilemas enfrentados por Bertie. Para isso, a elogiada atuação de Colin Firth – favorito ao Oscar de ator – se apoia, basicamente, na excepcional performance de Geoffrey Rush. As cenas com os dois atores juntos são as melhores do filme, enquanto Firth, sozinho, não funciona tão bem. Ainda assim o ator, que parece nascido e criado dentro de um impecável terno, tem toda a elegância e carisma necessários para o papel, conseguindo ser correto mesmo quando não é brilhante, e brilhante quando está ao lado de Rush (indicado a melhor ator coadjuvante).
 
E quem está acostumado a ver Helena Boham-Carter nos filmes do marido Tim Burton vai se surpreender. A atriz, indicada na categoria coadjuvante, aparece comedida e delicada como Elizabeth, a futura Rainha Mãe, sendo um contraponto importante para os personagens de Firth e Rush.
 
Ainda que muitos considerem A Rede Social o favorito ao Oscar, O Discurso do Rei abocanhou os prêmios mais importantes da temporada, como o Sindicato dos Produtores e dos Diretores, termômetros para o Oscar. Se não ganhar a estatueta dourada será surpresa: da lista dos dez indicados a filme, este é o que melhor preenche os clichês para vencer. O que não é demérito nenhum para uma produção agradável de ver, e que carrega em suas duas horas de projeção toda a elegância que só os ingleses têm.
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Uma resposta to “O Discurso do Rei”

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Grupo Paris Filmes, Janaina Pereira. Janaina Pereira said: O Discurso do Rei (@parisfilmes), por Janaina Pereira, @janaredatora https://cinemmarte.wordpress.com/2011/02/08/o-discurso-do-rei/ […]

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