Cisne Negro

fevereiro 4, 2011

 
 
por Janaina Pereira
 
 
A primeira vez que Cisne Negro (Black Swan) foi exibido, na abertura do Festival de Veneza de 2010, a reação de convidados e jornalistas presentes no Festival foi uma só: o Oscar já é de Natalie Portman. De lá para cá, a atriz vem acumulando premiações, todas merecidas, e a indicação para o prêmio máximo hollywoodiano está garantida. Natalie merece a estatueta, até porque ela é a essência de Cisne Negro, e acho pouco provável que o filme fizesse tanto sucesso se não fosse o trabalho primoroso da atriz.
 
O auê criado agora no lançamento brasileiro – estreia nesta sexta, dia 4 – do longa de Darren Aronofsky, que havia ganho o Leão de Ouro em Veneza 2008 com O Lutador, é diferente do que aconteceu na mesma cidade de Veneza, onde Cisne Negro não causou tanto reboliço. Fora a atuação de Natalie, até o prêmio de atriz revelação para Mila Kunis foi uma surpresa por lá. Aliás, para mim, as cinco indicações ao Oscar – filme, diretor, atriz, edição e fotografia – já são um prêmio para o longa que, curiosamente, não concorre em roteiro. Não que a produção seja ruim, longe disso. É que não tem mesmo a cara de Oscar – ou, vendo por outro prisma, é bom saber que o Oscar tem uma nova cara.
 
Uma mistura de suspense e drama psicológico, Cisne Negro conta a história de Nina Sayers (Natalie Portman), uma jovem bailarina que busca a perfeição e o lugar de estrela de uma companhia de dança novaiorquina. Ela se dedica 100% ao balé, em parte pela obsessão da mãe (Barbara Hershey), uma ex-bailarina aposentada que nunca chegou a brilhar nos palcos, pois abandonou a carreira para ter a filha.
 
Nina parece carregar o fardo de ser o que a mãe não foi, e já nas primeiras cenas percebemos que seu lado psicológico não é dos mais equilibrados. A voz doce e serena esconde uma menina ansiosa e angustiada, que vê sua grande chance chegar quando a estrela da companhia, Beth MacIntyre (Winona Ryder), é obrigada a se aposentar. Tudo faz parte dos planos de Thomas Leroy (Vicent Cassel), diretor artístico da companhia, que deseja rejuvenescer a próxima temporada e dar um novo gás ao espetáculo em cartaz.
 
Leroy decide que o balé irá representar o clássico O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, e escolhe Nina para estrelar o espetáculo. O grande desafio, dele e da própria bailarina, é fazer de Nina não apenas um cisne branco perfeito – porque isso ela já é – mas transformá-la no cisne negro ideal – e para isso Nina precisa soltar seus demônios, o que ela faz, literalmente, contando com a conflituosa ajuda da novata Lily (Mila Kunis).
 
O pecado do roteiro é impedir o espectador de refletir, de ficar na dúvida do que é realidade e imaginação ao longo da trama. Tudo acaba se explicando muito bem, quando a não explicação seria muito mais interessante. Ainda assim, Cisne Negro é um bom filme, grandioso especialmente em suas cenas de balé, e conquista o público graças ao final arrebatador, em uma das sequências mais bonitas do cinema recente, com direito à trilha sonora original de Tchaikovsky para O Lago dos Cisnes. Toda a tensão criada ao longo da trama finalmente explode, e este é o grande momento do filme.
A direção de Aronofsky tem algumas cenas inspiradas, como as que mostram o sofrimento físico de Nina para atingir a perfeição. Vincent Cassel e Mila Kunis estão abaixo de Barbara Hershey no quesito interpretação: é a atriz, vestida sempre de negro, quem dá o tom amargo à vida de Nina, conseguindo, assim, algumas das cenas mais importantes.
 
E, se não bastasse isso, Cisne Negro traz uma Natalie Portman – que emagreceu bastante para fazer o papel – inspirada, cheia de facetas, exercendo toda a sua doçura e malícia, capaz de se transfigurar em poucos segundos. A atriz é a unanimidade no longa, conseguindo uma atuação marcante do começo ao fim. Exatamente como diz sua personagem Nina, foi perfeito. Se o longa de Aronofsky não chega a tanto, Natalie pelo menos conseguiu; e não importa se é o lado bom ou mau, o cisne branco ou negro: Natalie Portman é a rainha deste espetáculo.
 
 
 
Confira aqui o trailer de Cisne Negro.
 
 
 
 
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Uma resposta to “Cisne Negro”

  1. Eu gostei bastante do filme, me agradou. E nem é fanatismo, pois coloco Aronofsky, Nolan, Fincher e Boyle no mesmo patamar de diretores dos anos 90 que nunca fazem um filme menos do que “bom”, mas com constantes “ótimos”.

    E digo uma coisa: assistir a Black Swan sem saber de NADA, sequer ler a sinopse, talvez tenha feito eu gostar ainda mais do filme.

    Só acho que Portman tava muito magra, de dar agonia. Espero que ela ganhe o Oscar, pois somente a expressão facial dela na cena do camarim no final já demonstra o quanto ela deu um grande avanço na carreira ao ter finalmente acabado de filmar os Star Wars. 😛

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