O Vencedor

fevereiro 3, 2011

 

por Janaina Pereira

Para cada dez atores mirins que, quando crescem, não conseguem continuar sua carreira, existe um Christian Bale. O menino escolhido por Steven Spielberg , aos 13 anos, para estrelar Império do Sol (1987)está perto de alcançar, finalmente, um lugar de destaque no cinema.

Sou fã de Bale desde sua estreia. De lá para cá ele fugiu do estereótipo de galã, e não usou seu charme inglês para ganhar bons papéis. Pelo contrário. O ator se tornou conhecido pela impressionante capacidade de se transformar a cada personagem, sendo capaz de emagrecer 40 quilos para fazer um filme (O Operário), ou criar músculos para viver um dos maiores heróis dos quadrinhos (Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas).

Se nos últimos anos ele vinha sendo acusado de ser ‘apagado’ em cena por outros atores – como em Terminator 4 – agora Christian Bale é quem rouba a cena do protagonista Mark Wahlberg em O Vencedor (The Figther), estreia desta sexta, dia 4. O filme de David O. Russel (Três Reis), que concorre a 7 Oscars, mostra ao mundo o talento maduro de Bale (favorito ao prêmio de ator coadjuvante), e de quebra dá ainda a Melissa Leo (Rio Selvagem) e Amy Adams (Julie & Julia) – que concorrem na categoria atriz coadjuvante – papéis sob medida para as talentosas atrizes.

Baseado em uma história real, o filme mostra a relação dos meio-irmãos Micky Ward (Mark Wahlberg) e Dicky Eklund (Christian Bale), os únicos filhos homens em uma família que conta com uma mãe autoritária e sete irmãs submissas. Eles vivem em Lowell, nos EUA, e trabalham como asfaltadores de rua, mas têm o boxe como pano de fundo de suas vidas.

Micky ainda está na ativa, tentando uma luta que mostre ao mundo que ele é, sim, um vencedor. Dicky, que já teve sua chance no boxe e desperdiçou por causa do vício em crack, treina o irmão. Entre os dois está Alice (Melissa Leo), a mãe que controla ambos com rédeas curtas. A família permance unida apesar dos percalços, mas tanta união prejudica imensamente a carreira de Micky.

Com um empurrãozinho da nova namorada Charlene (Amy Adams), ele resolve se rebelar e seguir adiante sem os parentes por perto. Enquanto isso, Dicky afunda cada vez mais nas drogas, embora a incrível habilidade para o boxe ainda permaneça viva em sua mente. Micky vai se superando nos ringues, e no momento mais importante da sua carreira precisa escolher de que lado vai colocar a família.

Com uma trama familiar, sem grandes atrativos no roteiro, o melhor de O Vencedor é mesmo as ótimas atuações do elenco. Mark Wahlberg (Os Infiltrados) continua insosso como sempre, mantendo a inexpressão característica. Pelo menos consegue funcionar nas cenas de ringue, graças a boa direção de David O. Russel. Amy Adams se sai bem como a namorada palpiteira, e Melissa Leo dá show como a mãe perua e superprotetora.

Mas, como citei lá no começo do texto, o filme é todinho de Christian Bale. O ator mostra nas falas e no corpo toda a força de sua atuação: está magérrimo e abatido, demonstra tristeza no olhar,  e vai da empolgação ao desatino com a maior facilidade. Sua performance é perturbadora, daquelas que a gente sai do cinema se perguntando ‘como ele pode fazer isso?’

Quero ressaltar uma cena que definiu o filme para mim: Alice vai atrás do filho Dicky, que está fumando crack e tenta fugir da mãe. Ele não consegue, e quando entra no carro dela, e vê que ela chora desolada, começa a cantar I Started a Joke, dos Bee Gees. A mãe, entre lágrimas, acompanha o filho.

A cena já vale o Oscar para Melissa e Bale. E mostra bem o que é  O Vencedor : um filme que mostra não só a superação de um homem, mas de toda uma família.

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