Inverno da Alma

janeiro 27, 2011

 
por Janaina Pereira
 
 
Depois de Biutiful, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, mais um filme ‘mundo cão’ chega aos cinemas: estreia nesta sexta, dia 28, Inverno da Alma (Winter´s Bone). Mas podem ficar tranquilos que, neste caso, o mundo embora continue perverso, tem um certo otimismo.
 
Inverno da Alma é o independente da vez. E, acima de tudo, um filme de mulher. Vejam bem, ‘de’ mulher, mas não apenas ‘para’ mulheres. A diretora e roteirista Debra Granik, a co-roteirista Anne Rosellini  e a atriz Jennifer Lawrence fazem um bom e honesto trabalho, cada uma em sua área, tornando esta produção a menina dos olhos do Oscar 2011 – foram quatro indicações: melhor filme, roteiro adaptado, atriz e ator coadjuvante (o ótimo John Hawkes, uma cópia do nosso Paulo Miklos).
 
A história se passa nos montes Orzak, nos Estados Unidos, onde a adolescente Ree (Jennifer Lawrence) precisa cuidar de sua família: dois irmãos pequenos e a mãe, que parece a cada dia mais ausente do mundo. Aos 17 anos, a menina assumiu para si a responsabilidade da casa desde que seu pai, Jessup, foi preso.
 
Jessup sai da cadeia, mas não procura a família e nem tem intenção de voltar: Ree descobre que ele colocou a sua casa como garantia em seu julgamento e simplesmente desapareceu. Isso quer dizer que, se Jessup não comparecer à audiência, a família será despejada. A menina tem apenas uma semana para encontrar o pai e impedir, assim, que ela, os irmãos e a mãe ‘morem na floresta como cães’, como  afirma em determinado momento do filme.
 
A partir dai se inicia a jornada de Ree em busca do pai. Segredos serão sim revelados, muito mais pela obstinação da protagonista do que pela vontade de todos que cruzam seu caminho. Parentes próximos ou distantes, cada um com seus problemas com a lei, tentam impedir a jovem de conseguir seu objetivo: salvar o que resta de sua família. Mas Ree, impetuosa, não desiste tão fácil.
 
Sem sorrisos ou lágrimas, Jennifer Lawrence dá conta do recado. A jovem atriz, promessa hollywoodiana de estrela, já havia brilhado em Vidas que se cruzam (The Burning Plain ), de Guillermo Ariaga, e ganhou o prêmio Marcello Mastroianni de atriz revelação no Festival de Veneza 2009. Agora Jennifer tem a chance de mostrar um pouco mais do seu talento, em um papel que exige rispidez e sensibilidade.
 
Inverno da Alma é um daqueles filmes de sofrimento, sem direito a redenção. A esperança paira no ar, mas ela não vai muito além das possibilidades que a protagonista sempre teve. A gente sabe que a vida é dura, cruel e mesquinha para muitos, e o longa de Debra Granik mostra muito bem isso. E, no final das contas, o mundo não é justo com todos, mas pode ser justo com quem realmente merece.
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