Um lugar qualquer

janeiro 26, 2011

  
 
por Janaina Pereira
 
 
O premiado Um lugar qualquer (Somewhere), de Sofia Coppola, vencedor do Leão de Ouro em Veneza 2010, à primeira vista, não é o tipo de filme que eu aprecie. A história parece que vai do nada ao lugar nenhum – ou a um lugar qualquer, para fazer trocadilho com o título nacional – sem maiores profundidades. Mas só parece. Se você prestar bem atenção, até que o filme tem bastante coisa a dizer.
 
O longa – estreia desta sexta, dia 28 – aborda o dia-a-dia nada glamouroso de John, um ator de sucesso (Stephen Dorff, em atuação inspirada), que vive cercado pelo velho clichê sexo, drogas e rock´n roll. Um belo dia ele precisa passar mais tempo do que de costume com sua filha pré-adolescente (Elle Faming) e arrasta a menina para sua rotina de hotel em hotel.
 
Não esperem diálogos profundos ou reviravoltas em Um lugar qualquer. O filme se resume aos 15 minutos iniciais, e depois fica se repetindo ao longo de mais de uma hora. Entre silêncios e uma boa trilha sonora, a diretora Sofia Coppola repete e repete a mesma cena mil vezes, reforçando o que todo mundo já tinha percebido: John é um cara extremamente infeliz. A entrada de sua filha na sua rotina patética poderia provocar alguma mudança – e ela até vem, sutilmente, como a própria Sofia é.
 
Essa repetição interminável de situações pode tornar o filme chato para alguns, mas na verdade é o jeito Sofia Coppola de ser e de dirigir. Ela é assim, parece que não tem nada a dizer mas diz, de forma quase subliminar, o que pensa. Muito mais do que um filme ‘de’ Sofia Coppola, Um lugar qualquer é a própria Sofia. Autobiográfico a diretora garante que o longa não é, mas assume que fez algo muito pessoal.

O quarto longa da filha de Francis Ford Coppola vai agradar tanto quanto desagradar – foi assim em Veneza, no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo – mas posso afirmar que o filme é um resumo da personalidade de Sofia Coppola, uma mulher doce, tímida, sutil e com um ‘quê’ de melancolia no olhar. E é este olhar melancólico que Um lugar qualquer transborda do começo ao fim.

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