Skyline

dezembro 1, 2010

por Pedro Costa de Biasi

É comum ouvir ou ler que efeitos visuais devem ser apenas uma ferramenta, PIS o intuito é o mesmo para todos os elementos do filme: transportar o espectador para dentro da trama. Roteiros ruins acompanhados de CGI bom têm menos êxito que produções que buscam contar uma história em primeiro lugar. No caso de Skyline – A Invasão, que estreia nesta sexta, dia 3, pouco importa. O astro dos filmes são os efeitos especiais, sem nenhuma figura de linguagem ou ambiguidade.

Até mesmo o protagonista se envolve com a área. Jarrod (Eric Balfour) leva sua namorada Elaine (Scottie Thompson) para Los Angeles, a convite de um amigo diretor de cinema, Terry (Donald Faison). É dele que Jarrod recebe um convite para fazer efeitos visuais em um filme, mas não tem tempo de decidir. Uma raça alienígena desce à Terra e lança suas luzes azuis nos humanos. Todos que a olham por muito tempo caem em estado de transe, e são carregados para as naves.

Trancados no apartamento de Terry (que calha de ser propriedade de um dos diretores do longa), os personagens não conseguem decidir qual a melhor estratégia de sobrevivência. As naves e os monstros impossibilitam a fuga, então boa parte do filme se passa no prédio. Apesar de ser um edifício de altíssimo padrão, é estranho em uma ficção científica, mesmo que passada em nosso planeta, envolver tamanha estagnação.

Não que o cenário mais ou menos único seja muito diferente do de Duro de Matar, por exemplo. A questão é que uma parte considerável dos eventos é mostrada à distância, através da janela ou da TV. Esse distanciamento beira o fetichismo – por que mais haveria um momento voyeurístico com um vizinho recebendo sexo oral? Graças à limitação espacial, resta assistir de longe ao que ocorre na cidade. É comum que os personagens fiquem numa posição de plateia, até mesmo torcendo pela vitória.

Em tempo: o que eles e nós, todos espectadores, acompanham são portentosas criações em CGI. Por um bom tempo, as criaturas são apenas silhuetas apressadas, mas vão aparecendo com cada vez mais nitidez ao longo da projeção, o que é ótimo. Quando a câmera rodeia um ou mais atores, eles se tornam o cenário na mesma medida em que as naves e monstros ganham o papel de destaque, cobrando atenção em seu entra-e-sai da tela. Em outras palavras, esta é uma obra genuinamente feita para os efeitos especiais.

Embora esse tipo de sinceridade seja quase inexistente em Hollywood, os diretores Colin e Greg Strause não parecem muito conscientes de sua subversão. As tomadas “de espectador” se misturam à filmagem tradicional sem muito rigor, apenas para oferecer ação ordinária para o público. Sendo uma produção minúscula (a produção física foi avaliada em meio milhão de dólares), faria mais sentido se ater à “proposta” – apesar de ser difícil acreditar em uma intenção consciente aqui.

O final se perde, saindo do simples pessimismo para uma tentativa atabalhoada de algo mais que só faz lembrar Distrito 9. Outras trapalhadas incluem a direção de atores, que misturam excesso de intensidade com alguns conflitos burocráticos de reality show (aqui caberia mais domínio sobre a noção voyeurística), os comentários sobre a indústria cinematográfica norte-americana, no elogio dos técnicos de efeitos visuais “de visão” (como os Strause se veem) e um sem-número de mesmices que se levam a sério demais.

O mérito está nos bons efeitos visuais e na falta de vergonha em assumir que é isso que importa. O fator humano, por outro lado, só tem alguma função nos raros momentos em que lembram a realidade assistida de um Big Brother.

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