Globo de Ouro 2011

dezembro 14, 2010

Por Janis Lyn

Acabaram de sair os indicados ao concorrido Globo de Ouro 2011. Alguns filmes todos já esperavam, como A Rede Social, O Cisne Negro, Toy Story 3 e A Origem. Mas teve algumas surpresas boas. O divertido musical Burlesque aparece em duas categorias e a excelente comédia A Mentira (Easy A, em inglês, que foi direto para as locadoras aqui no Brasil) com uma indicação.

No quesito séries, Dexter, Glee, The Good Wife, 30 Rock, Mad Men, House e Breaking Bad abocanharam várias indicações cada (como sempre), e as novatas Boardwalk Empire e The Walking Dead deram o ar da graça também.

Confira abaixo a lista completa (filmes/ televisão) dos indicados:

FILMES

Melhor filme drama
O cisne negro
O vencedor
A rede social
The king’s speech
A origem

Melhor filme musical ou comédia
Burlesque
O turista
Minhas mães e meu pai
Red – Aposentados e perigosos
Alice no País das Maravilhas


Melhor ator drama

Jesse eisenberg – “A rede social”
Colin Firth – “The king’s speech”
Jame Franco – “127 hours”
Ryan Gosling – “Blue Valentine”
Mark Wahlberg – “O vencedor”

Melhor atriz drama
Halle Berry – “Frankie and Alice”
Nicole Kidman – “Rabbit hole”
Natalie Portman – “Cisne negro”
Michelle Williams – “Blue valentine”
Jennifer Lawrence – “Inverno da alma”

Melhor direção
Darren Arronofsky – “Cisne negro”
David Fincher – “A rede social”
Tom Hooper – “The king’s speech”
Christopher Nolan – “A origem”
David O. Russell – O vencedor”

Melhor ator musical ou comédia
Johnny Depp – “O turista”
Johnny Depp – “Alice no País das Maravilhas”
Paul Giamatti – “Barney’s version”
Jake Gyllenhaal – “O amor e outras drogas”
Kevin Spacey – “Casino Jack”

Melhor atriz musical ou comédia
Anne Hathaway – “O amor e outras drogas”
Angelina Jolie – “O turista”
Annette Benning – “Minhas mães e meu pai”
Julianne Moore – “Minhas mães e meu pai”
Emma Stone – “A mentira”

Melhor ator coadjuvante
Christian Bale – “O vencedor”
Andrew Garfield – “A rede social”
Geoffrey Rush – “The king’s speech”
Jeremy Renner – “Atração perigosa”
Michael Douglas – “Wall Street: o dinheiro nunca dorme”

Melhor atriz coadjuvante
Amy Adams – “O vencedor”
Helena Boham Carter – “The king’s speech”
Melissa Leo – “O vencedor”
Mila Kunis – “Cisne negro”
Jacki Weaver – “Animal kingdom”

Melhor filme estrangeiro
Biutiful (México)
The concert (França)
The edge (Rússia)
I am love (Itália)
In a better world (Dinamarca)

Melhor animação
Meu malvado favorito
EnroladoS
Como treinar o seu dragão
Toy Story 3
L’illusionniste

Melhor roteiro
Danny Boyle e Simon Beaufoy – “127 hours”
Stuart Blumberg e Lisa Cholodenko – “Minhas mães e meu pai”
Christopher Nolan – “A origem”
David Seidler – “The king’s speech”
Aaron Sorkin – “A rede social”

Trilha sonora original
“127 hours”
“The king’s speech”
“Alice no país das maravilhas”
“A rede social
“A origem”

Canção original
Bound to you – Burlesque
You haven’t seen the last of me – Burlesque
There’s a place for us – As crônicas de Narnia: a viagem do peregrino da alvorada
Coming home –Country strong
I see the light – Enrolados

Prêmio Cecil B. DeMille
Robert DeNiro

TELEVISÃO

Melhor Série – Drama
“Boardwalk Empire”
“Dexter”
“The Good Wife”
“Mad Men”
“The Walking Dead”

Melhor Série – Musical ou Comédia
“The Big Bang Theory”
“The Big C”
“Glee”
“Modern Family”
“Nurse Jackie”
“30 Rock”

Melhor Minissérie ou Filme feito para TV
“Carlos”
“The Pacific”
“The Pillars of the Earth”
“Temple Grandin”
“You Don’t Know Jack

Melhor Ator de Minissérie ou Filme feito para TV
Idris Elba – “Luther”
Ian McShane – “The Pillar of the Earth”
Al Pacino – “You Don’t Know Jack”
Dennis Quaid – “The Special Relationship”
Édgar Ramírez – “Carlos”

Melhor Atriz de Minissérie ou Filme feito para TV
Hayley Atwell – “The Pillars of the Earth”
Claire Danes – “Temple Grandin”
Judi Dench – “Cranford”
Romola Garai – “Emma”
Jennifer Love Hewitt – “The Client List”

Melhor Ator de Série – Musical ou Comédia
Alec Baldwin – “30 Rock”
Steve Carell – “The Office”
Thomas Jane – “Hung”
Matthew Morrison – “Glee”
Jim Parsons – “The Big Bang Theory”

Melhor Atriz de Série – Musical ou Comédia
Toni Collette – “United States of Tara”
Edie Falco – “Nurse Jackie”
Tina Fey – “30 Rock”
Laura Linney – “The Big C”
Lea Michele – “Glee”

Melhor Ator de Série – Drama
Steve Buscemi – “Boardwalk Empire”
Bryan Cranston – “Breaking Bad”
Michael C. Hall – “Dexter”
Jon Hamm – “Mad Men”
Hugh Laurie – “House”

Melhor Atriz de Série – Drama
Julianna Margulies – “The Good Wife”
Elisabeth Moss – “Mad Men”
Piper Perabo – “Covert Affairs”
Katey Sagal – “Sons of Anarchy”
Kyra Sedgwick – “The Closer”

Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme feito para TV
Scott Caan – “Hawaii Five-0”
Chris Colfer – “Glee”
Chris Noth – “The Good Wife”
Eric Stonestreet – “Modern Family”
David Strathairn – Temple Grandin

Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme feito para TV
Hope Davis – The Special Relationship
Jane Lynch – “Glee”
Kelly Macdonald – “Boardwalk Empire”
Julia Stiles – “Dexter”
Sofía Vergara – “Modern Family”

Façam suas apostas!

Tetro

dezembro 8, 2010

 

Por Janaina Pereira

Todo grande diretor tem seu clássico. Francis Ford Coppola, no entanto, exagera. Ele tem uma trilogia clássica. O cineasta alcançou o apogeu de sua carreira com O poderoso chefão, uma das maiores obras cinematográficas de todos os tempos. Se não bastasse isso, é dele também o épico de guerra Apocalypse Now, além do cult O Selvagem da Motocicleta. Mesmo quando faz filmes apontados como ‘menores’, como Peggy Sue e O homem que fazia chover, Coppola consegue ser grandioso. Ou seja, o cara é bom e não se fala mais disso.

Seu filme mais recente, Tetro, de 2009, só chega ao Brasil agora – estreia nesta sexta, dia 10. Claro que se espera muito de uma produção de Coppola, e ele não decepciona. Nas mãos de qualquer outro diretor a história soaria piegas, chata, cheia de clichês.  Mas é um filme de Francis Ford Coppola então… é essencial para qualquer pessoa que goste de cinema de verdade.

A trama gira em torno do ingênuo Bennie (Alden Ehreinreich), de 17 anos, jovem que tragalha em um navio e chega a Buenos Aires com o objetivo de encontrar seu irmão mais velho, Tetro (Vincent Gallo), que está desaparecido há  mais de uma década. Sua família se mudou da Itália para a Argentina quando eles ainda eram crianças mas, graças ao sucesso do pai deles, o maestro Carlo (Klaus Maria Brandauer),  logo se mudaram para Nova York.

Bennie consegue encontrar o irmão, mas ele não é quem esperava. Tetro tornou-se um poeta melancólico, bem diferente da pessoa que Bennie se lembrava. O período em que ele vive com o irmão e sua namorada Miranda (Maribel Verdú) faz com que relembrem experiências do passado.

O roteiro, escrito pelo próprio Coppola, constrói uma narrativa densa, contada de forma sublime por imagens em preto e branco do presente, e coloridas do passado. Esse contraste dá ao longa uma beleza única. Os atores entram de corpo e alma em seus personagens, em especial Gallo, que mostra mais uma vez porque é um dos melhores de sua geração. Visceral, ele dá a Tetro um olhar de amargura e desprezo pelo mundo, embora diante das ciladas do destino, tente ter compaixão dos outros, mas jamais de si mesmo.

Coppola não faz um filme brilhante, simplesmente porque cai nas armadilhas mais fáceis de um roteiro previsível – é só prestar atenção nas imagens do passado do protagonista para acertar o final da história – mas consegue transformar Tetro em cinema acima da média. Graças a sua direção espetacular, daquelas que dribla o espectador mesmo diante do óbvio, ele faz um longa encantador e comovente. E é por isso que Francis Ford Coppola é essencial ao cinema.

Machete

dezembro 7, 2010

por Janaina Pereira

Exibido em pré-estreia mundial no Festival de Veneza e com passagem de sucesso pelo Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, o novo longa de Robert Rodriguez, Machete, estreia nesta sexta, dia 10, em circuito. É ideal para quem procura diversão com dose certa de ironia. Aparentemente despretencioso, o filme é um prato cheio de veneno no melhor estilo de Rodriguez.

O agente federal e imigrante mexicano Machete (Danny Trejo) cai em uma armadilha arquitetada por seu arquiinimigo, o traficante de drogas Torres (Steven Seagal), que resulta na morte de sua esposa. Três anos depois, Machete, que agora trabalha como operário, aceita uma oferta do empresário Michael Booth (Jeff Fahey) para matar o Senador John McLaughin (Robert DeNiro), que quer expulsar todos os imigrantes ilegais do México.

Machete acaba sendo traído pelos homens de Booth e usado como bode expiatório em um plano arquitetado por McLaughin para retratar todos os mexicanos como terroristas e convencer a prefeitura a construir uma enorme muralha elétrica para mantê-los fora do país. A partir daí, o personagem bai em busca de sua vingança pessoal em sucessivas cenas que misturam, na mesma dose, tiros e sarcasmo.

Crítica ácida ao modo como os ‘chicanos’ são tratados nos EUA, o longa conta ainda no elenco com as beldades Jessica Alba, Michelle Rodriguez e Lindsay Lohan, que faz piada de si mesma. Sem jamais perder o humor, Rodriguez coloca os americanos sob a mira dos imigrantes e destila todo seu veneno em cenas divertidas e, claro, com muito sangue jorrando pela tela.

Não se deixe enganar pelo lado trash do filme. Machete é cult, é pop, mas, acima de tudo, coloca o dedo na ferida sobre quem está do lado de lá e de cá da fronteira EUA-México. E é clássico desde já.

Megamente

dezembro 3, 2010

por Janaina Pereira

Quando Meu Malvado Favorito foi lançado este ano, trazia uma trama inovadora para o mundo das animações: o vilão era o grande herói da história. O argumento se repete no bom Megamente, da DreamWorks, que estreia hoje.

A trama gira em torno de Megamente, um vilão magro que usa roupas nas cores azul e preta e tem uma cabeça careca e grande, devido ao cérebro privilegiado. Ele deseja conquistar a cidade de Metro City e faz diversas tentativas, muitas delas frustradas.

O vilão precisa ter oponentes para que sua vida tenha sentido e, após a morte de MetroMan (no original a voz é de Brad Pitt, no Brasil é Thiago Lacerda), Megamente cria Titan, um herói com quem ele pretende rivalizar.

Divertido e com uma trilha sonora roqueira – que inclui sucessos de Guns and Roses e Michael Jackson – que combina com o visual punk/rock do protagonista, Megamente vai agradar adultos e crianças. O único problema é que a trama deixou de ser original depois de Meu Malvado Favorito.

Ainda assim vale a pena conferir esta animação. Só ressalto uma questão: uma trama em que o vilão é o protagonista foi extremamente original. Duas, já começa a ficar repetitivo. Três, nem pensar. Fica a dica.

A Rede Social

dezembro 2, 2010

por Pedro Costa de Biasi

É na instabilidade da socialização que recai o enfoque de A Rede Social. Mais especificamente, o diretor David Fincher e o roteirista Aaron Sorkin estudam as influências que as pessoas causam umas nas outras, passando pelo prisma intelectual e emocional. O filme usa a história real de Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), inventor do Facebook, para analisar dois conceitos, o de ideia e o de relação interpessoal.

A trama inicia quando o protagonista e Erica (Rooney Mara), alunos de Harvard, terminam o namoro. Na mesma noite ele cria o site Face Mash, onde usuários podem comparar a beleza das estudantes. Ao saber do feito, os gêmeos Winklevoss (Armie Hammer) o convidam para criar um site de relacionamentos para alunos da universidade, o Harvard Connection. Mark, porém, começa a trabalhar com seu amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield) no TheFacebook, bastante semelhante ao projeto dos irmãos.

A analogia entre o Facebook e os clubes privados de universidades se dá na proposta inicial do site: alguém só pode se tornar membro se tem um diferencial. Hoje em dia, qualquer um pode criar um perfil, mas essa mudança só foi realizada em 2006 e ficou de fora do filme. A omissão faz sentido, pois a exclusividade é placidamente deixada de lado assim que entra no caminho do crescimento. Esse é apenas um dos muitos elementos que são descartados para alcançar um objetivo maior.

Zuckerberg acha que deve se privar de muitas coisas para administrar o negócio, como sua vida social – a excelente montagem mostra, nos créditos iniciais, o protagonista correndo entre colegas sem lhes dar atenção. Ele não tem tantos sentimentos atrelados à ideia. Se o Face Mash trazia ranço pelas dificuldades de se relacionar, o Facebook (roubo de propriedade intelectual dos Winklevoss ou não) cresce com ideias que Mark tem durante conversas e encontros casuais. Ele não tenta compensar o real com o virtual, pois é solitário nos dois mundos. O que quer é manter o projeto e expandi-lo, e sua frágil experiência social é só mais um combustível.

Vale dizer que não há uma posição definitiva em relação ao suposto crime. Mark alega não ter usado os códigos do site dos gêmeos, mesmo que as duas propostas fossem bastante parecidas. Por outro lado, a equação proposta-versus-projeto não se resolve. Se os códigos, fáceis para o jovem mas trabalhosos de qualquer maneira, não foram reutilizados, sobra para os Winklevoss o esforço de ter a ideia – que, por sua vez, não se diferencia claramente da mera inspiração para o protagonista. Sorkin mantém o conflito inconclusivo menos para pacificar o Zuckerberg real, e mais para mostrar que a autoria do projeto importa menos que o dinheiro gerado pelo desenvolvimento da ideia.

Apesar de não ser visto trabalhando o tempo todo, o personagem carrega consigo um frenesi produtivo alternado com esgotamento. O excelente Eisenberg consegue unir muito mais que isso. Enquanto Fincher ressalta o contato humano nos raros momentos em que ele existe, o ator trabalha a estranheza dos sentimentos de maneira formidável, seja em seu rosto ou nas significativas pausas em sua fala convulsiva.

Garfield também se destaca, rompendo com a frieza predominante. Ele se mantém suscetível à frieza de Mark, enquanto a maioria, inclusive Hammer com sua sutil energia, encarnam personagens que preferem (ou precisam) ocultar suas crises e frustrações. Quando Saverin ameaça Zuckerberg e enche a boca com um “asshole!”, vemos o que parece ser o fim de uma trajetória emotiva – ao que as reuniões do processo indicam que ele não é capaz de cair na total impessoalidade.

A mais virulenta crítica de A Rede Social é direcionada àqueles que mascaram questões pessoais com trabalho, processos, reivindicações e frases elaboradas. Como Neil Marshall em seu lançamento recente, Centurião, Fincher lamenta seus personagens na medida em que eles esquecem que são pessoas.

Skyline

dezembro 1, 2010

por Pedro Costa de Biasi

É comum ouvir ou ler que efeitos visuais devem ser apenas uma ferramenta, PIS o intuito é o mesmo para todos os elementos do filme: transportar o espectador para dentro da trama. Roteiros ruins acompanhados de CGI bom têm menos êxito que produções que buscam contar uma história em primeiro lugar. No caso de Skyline – A Invasão, que estreia nesta sexta, dia 3, pouco importa. O astro dos filmes são os efeitos especiais, sem nenhuma figura de linguagem ou ambiguidade.

Até mesmo o protagonista se envolve com a área. Jarrod (Eric Balfour) leva sua namorada Elaine (Scottie Thompson) para Los Angeles, a convite de um amigo diretor de cinema, Terry (Donald Faison). É dele que Jarrod recebe um convite para fazer efeitos visuais em um filme, mas não tem tempo de decidir. Uma raça alienígena desce à Terra e lança suas luzes azuis nos humanos. Todos que a olham por muito tempo caem em estado de transe, e são carregados para as naves.

Trancados no apartamento de Terry (que calha de ser propriedade de um dos diretores do longa), os personagens não conseguem decidir qual a melhor estratégia de sobrevivência. As naves e os monstros impossibilitam a fuga, então boa parte do filme se passa no prédio. Apesar de ser um edifício de altíssimo padrão, é estranho em uma ficção científica, mesmo que passada em nosso planeta, envolver tamanha estagnação.

Não que o cenário mais ou menos único seja muito diferente do de Duro de Matar, por exemplo. A questão é que uma parte considerável dos eventos é mostrada à distância, através da janela ou da TV. Esse distanciamento beira o fetichismo – por que mais haveria um momento voyeurístico com um vizinho recebendo sexo oral? Graças à limitação espacial, resta assistir de longe ao que ocorre na cidade. É comum que os personagens fiquem numa posição de plateia, até mesmo torcendo pela vitória.

Em tempo: o que eles e nós, todos espectadores, acompanham são portentosas criações em CGI. Por um bom tempo, as criaturas são apenas silhuetas apressadas, mas vão aparecendo com cada vez mais nitidez ao longo da projeção, o que é ótimo. Quando a câmera rodeia um ou mais atores, eles se tornam o cenário na mesma medida em que as naves e monstros ganham o papel de destaque, cobrando atenção em seu entra-e-sai da tela. Em outras palavras, esta é uma obra genuinamente feita para os efeitos especiais.

Embora esse tipo de sinceridade seja quase inexistente em Hollywood, os diretores Colin e Greg Strause não parecem muito conscientes de sua subversão. As tomadas “de espectador” se misturam à filmagem tradicional sem muito rigor, apenas para oferecer ação ordinária para o público. Sendo uma produção minúscula (a produção física foi avaliada em meio milhão de dólares), faria mais sentido se ater à “proposta” – apesar de ser difícil acreditar em uma intenção consciente aqui.

O final se perde, saindo do simples pessimismo para uma tentativa atabalhoada de algo mais que só faz lembrar Distrito 9. Outras trapalhadas incluem a direção de atores, que misturam excesso de intensidade com alguns conflitos burocráticos de reality show (aqui caberia mais domínio sobre a noção voyeurística), os comentários sobre a indústria cinematográfica norte-americana, no elogio dos técnicos de efeitos visuais “de visão” (como os Strause se veem) e um sem-número de mesmices que se levam a sério demais.

O mérito está nos bons efeitos visuais e na falta de vergonha em assumir que é isso que importa. O fator humano, por outro lado, só tem alguma função nos raros momentos em que lembram a realidade assistida de um Big Brother.