Entrevista: Ricardo Darín

novembro 19, 2010

por Janaina Pereira
 
 
 
Quando se pensa em cinema argentino, um nome logo vem a cabeça: Ricardo Darín. Protagonista dos mais recentes sucessos  do cinema portenho, como O Filho da Noiva e o oscarizado O Segredo dos Seus Olhos, ambos de Juan José Campanella, Darín está em São Paulo como convidado e homenageado da 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, que começa hoje, dia 19, na cidade, e acontece até 19 de dezembro em mais nove capitais do país.

Simpático, o ator argentino conversou por mais de uma hora na tarde desta sexta-feira com um pequeno grupo de jornalistas na Cinemateca Brasileira. Entre os assuntos abordados, a relação entre o cinema e os diretos humanos.

“Quando falamos em Direitos Humanos, podemos olhar para o passado, ou para o futuro, ou seja, para as crianças e os jovens, e pensar nas novas possibilidades para o mundo. Isso pode gerar reflexão, e o cinema contribui para esse fato”, disse.

Darín também falou sobre seu último trabalho, Abutres, título nacional para Carancho, de Pablo Trapero, o candidato argentino ao Oscar. O longa, exibido com grande sucesso nos Festivais de Cannes e do Rio, abre esta noite a  5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, no Cinesesc, e chega ao circuito em dezembro, distribuido pela Paris Filmes.

No filme, o ator é um advogado que participa de um esquema de extorsão, envolvendo seguradoras e acidentes de carro. Ele contou que na Argentina o longa teve repercursão tão forte que o Congresso debateu o tema, e agora uma lei para regulamentar a intervenção de seguradoras está tramitando por lá.

“Não tínhamos a pretensão de fazer um filme de denúncia. A meu ver, era uma história de amor entre um advogado e uma paramédica. Mas que ótimo que o filme gerou essa mobilização”, comentou Darín.

Abutres já fez um público de 700 mil expectadores na Argentina, número significativo no País. Para Ricardo Darín, o sucesso do longa está relacionado ao tema abordado.

“Quando o assunto de um filme é importante, não deve ser tratado de forma pesada. Quanto mais simples for a abordagem, mais fácil de tocar as pessoas. A palavra chave é ‘sensibilidade’, quando o assunto é Direitos Humanos, devemos tocar a sensibilidade das pessoas.”

Mesmo confessando ser avesso a badalações e homenagens, o ator se mostrou lisonjeado pelo convite dos realizadores da Mostra para participar do evento deste ano.

“Temos de fazer todas as ações que possam reforçar os Direitos Humanos no mundo. Se estamos convencidos da importância desse Festival é por conta das histórias que tocam nossa sensibilidade.”

Além de Abutres, outros filmes com Ricardo Darín no elenco também serão exibidos na Mostra, como O Filho da Noiva, XXY e Kamchatka. Darín participará ainda neste sábado, dia 20, de um bate-papo com o público após a sessão gratuita de Abutres, às 17h, na Cinemateca Brasileira. É uma ótima oportunidade para o público brasileiro ver de perto aquele que já ultrapassou fronteiras e se tornou mais do que o melhor ator argentino da atualidade, e sim um dos nomes mais respeitados do cinema latino-americano.

Foto: Janaina Pereira

 

 

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