RED – Aposentados e Perigosos

novembro 12, 2010

por Pedro Costa de Biasi

Tinha de ser assim: Red – Aposentados e Perigosos, que estreia nesta sexta-feira, dia 12, tem tudo a ver com os Estados Unidos pós-Guerra do Iraque. O cinismo é indisfarçável, traduzido em um ranço pelas instituições mais poderosas do país. Não é só um ataque à sua imoralidade, como na trilogia Bourne e em Os Mercenários, mas sim um grito ensurdecedor de “mas que bando de filhos da puta! Vão se foder”!
 
Não por acaso, o protagonista Frank Moses (Bruce Willis) é um ex-agente secreto da CIA, já aposentado. Para espantar o tédio da rotina, ele conversa com a agente de sua pensão, Sarah (Mary-Louise Parker) pelo telefone. Eles nunca se conheceram, mas um encontro é forçado pelo ataque que Frank sofre em sua casa. Perseguido por Cooper (Karl Urban), da CIA, o ex-agente rapta Sarah e vai atrás de seus antigos colegas de profissão: Joe (Morgan Freeman), Marvin (John Malkovich) e Victoria (Helen Mirren).
 
Fora de serviço há não se sabe quantos anos, os personagens se excluem das mais recentes polêmicas do governo norte-americano. Mesmo que não fossem – afinal, Victoria ainda aceita uma ou outra missão –, a questão se manteria na justificada retaliação. O importante é que, nessa história fictícia, alguma figura imponente tem seus podres revelados.
 
O exato oposto acontece com os heróis quinquagenários, uma vez que toda a ação do filme é encenada com relativa suavidade. Frank dá um passo leve para fora da viatura de polícia logo após uma colisão, Marvin espera sua oponente preparar a arma para o duelo, o confronto final usa apenas as balas que necessita: essas não são sequências de ação que primam pelos excessos, e sim pelos mínimos. O melhor exemplo está na cena da caneta, em que Ivan (Brian Cox) brinca com a tensão e se porta com elegância.
 
Até mesmo a imagem de Mirren atirando com uma imensa metralhadora tem alguma placidez, uma sensação de alguém que tem total controle da situação – e da arma, claro. É esse aspecto que ressalta a artificialidade da trama. Se assassinos treinados pela CIA para operações obscuras se surpreendem com as revelações sobre seu país, é apenas para passar o choque para o espectador. Dentre muitas patacoadas pseudo-sérias possíveis, ingenuidade soa particularmente deslocada aqui.
 
Talvez só faça sentido que Ivan seja um tanto ingênuo, acreditando que pode resgatar a paixão de Victoria. E mesmo assim, na minha sincera opinião, seria mais adequado desenvolver a ambígua troca de olhares entre ela e o charmoso (e jovem) Cooper, já que Frank se envolve com uma mulher que aparenta vinte anos a menos. Mas deixemos a discussão sobre machismo para outra ocasião.
 
É difícil escolher um destaque no elenco, pois todos encarnam seus magnéticos papéis, além de haver uma bela química entre os cinquentões, sessentões e o “tio” Freeman. Willis e Malkovich são certeiros nas caracterizações, enquanto Cox se diverte com o sotaque russo e com o romance brega de Ivan. Por outro lado, Mirren alia bem a finesse às piadas espirituosas, e Urban destoa tanto do tom do filme que acaba criando uma aura sisuda e elegante. No mau sentido, Parker soa deslocada, mas se encontra aqui e ali.
 
Afora alguns momentos forçados, em sua maioria protagonizados pelo fraco personagem de Freeman, Red – Aposentados e Perigosos consegue se manter com cenas de ação precisas e bom humor. Chega a impressionar que, apesar da fúria da trama, o filme se mantenha tão leve. Era o que ele tinha de ser, mesmo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: