O Garoto de Liverpool

novembro 30, 2010

por Janaina Pereira

 
 
No ano em que John Lennon faria 70 anos e sua morte completa 30 anos, e depois de mais uma passagem com sucesso de Paul McCartney pelo Brasil, os Beatles estão mais em alta por aqui do que nunca. Bem, os Beatles nunca estiveram em baixa, talvez só quando Lennon disse que eles eram mais populares que Jesus Cristo. Se você não é fã do maior grupo de música da história, e não sabe muito bem quem é John Lennon, tem a chance de aprender um pouco em O Garoto de Libverpool (Nowhere Boy),de Sam Taylor-Wood.
 
Para os fãs o longa não apresenta nada de novo e até decepciona. Beatlemaníaco de verdade já sabia de tudo que o filme narra, mas ainda assim bate uma certa emoção em ver na telona a adolescência de John Lennon. A trama se concentra na conturbada adolescência de Lennon (Aaron Johnson), que resolve enfrentar o mundo e acredita que a música é um bom passo para isso.
 
Ele é apenas mais um garoto rebelde, que adora chamar a atenção e é obcecado pela conquista do amor de sua mãe, Julia (Anne-Marie Duff), que o abandonou quando era criança. Criado pela controladora tia Mimi Smith (Kristin Scott Thomas), John resolve montar uma banda. No meio de todos os problemas familiares, ele cria seu primeiro grupo musical, o Quarrymen.
 
Com roteiro de Matt Greenhalgh, baseado no livro Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon – escrito por Julia Baird, irmã de Lennon – o drama retrata uma Liverpool dos anos 1950 prestes a ser colocada no mapa mundial. Alguns dos momentos mais importantes da história da música estão ali, ainda que discretamente. É bacana ver, por exemplo, o início da amizade  de Lennon com Paul McCartney (Thomas Sangster), que resultaria em uma das maiores parcerias musicais de todos os tempos, e ainda como George Harrison (Sam Bell) foi incorporado ao grupo. Porém, o que mais impressiona é a transformação física do ator Aaron Johnson, que não parece em nada com Lennon, mas no decorrer do filme fica à imagem e semelhança do cantor. Outro fato interessante é que Lennon é gatinho no filme, já o Paul, que era bem mais bonito, aparece como um carinha sem sal e sem tempero. Mas nada supera a lendária tia Mimi ser interpretada pela magistral Kristin Scott Thomas, perfeira (como sempre) no papel. 
 
O Garoto de Liverpool  talvez não seja o filme que fãs dos Beatles, como eu, esperava, mas pode fazer uma nova geração entender um pouco mais sobre quem foi o cara que começou uma grande revolução no mundo pela música. E no final bate aquela saudade e a certeza de, ao contrário do que John Lennon disse uma vez, o sonho nunca vai acabar.

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A Rede Social

novembro 28, 2010

por Janaina Pereira 
 
 
Você tem Facebook? Acho pouco provável que quem lê este texto agora não tenha. Até minha mãe tem. E, como uma das frases de divulgação do filme diz muito bem, ninguém tem 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos. É bem por ai: estreia nesta sexta, dia 3,  A Rede Social (The social networking), de David Fincher (O curioso caso de Benjamim Button, Seven),  badalado filme sobre a história da criação do Facebook, ou melhor, de como seus criadores foram sugados pela ‘criatura’. É uma trama onde mocinhos e vilões se confundem, assim como amigos viram inimigos ao menor deslize.
 
Explico: aquilo que era um projeto vingativo de um nerd que foi chutado pela namorada se tornou uma das maiores e mais populares redes sociais do mundo. Claro que tudo que envolve dinheiro acaba gerando desavenças, e o filme mostra, sem tomar partido de quem é o mocinho ou o vilão da história, que tudo tem seu preço, até os amigos.
 
No longa cabe a Jesse Eisenberg (Zumbilândia) viver o nerd genial Mark Zuckerberg, que em 2003 criou o Facebook na Universidade de Harvard, nos EUA. O modo como ele tem a ideia fantástica é um tanto quanto nebuloso: ele foi chutado pela namorada e, como vingança, espalha um programa pela rede da faculdade, além de detonar a ex em seu blog.
 
Com fama de mau, Mark acaba sendo procurado por três veteranos de Harvard para fazer a programação de um site de relacionamentos para os alunos. Dali para ele ter a brilhante ideia de criar o Facebook é um pulo – e ele conta com o amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield, o fofo da vez) para injetar grana no projeto.
 
Entre idas e vindas no tempo – Mark é julgado em dois processos e o filme vai contando seu drama e relembrando como ele chegou até aquele momento – descobrimos que o Facebook começou como The Facebook e uma grande amizade se destruiu por conta do binômio ambição/dinheiro.
 
Apesar do tema atual, A Rede Social  tinha tudo para ser um filme chato e maçante, mas não é. Pelo contrário. A história é envolvente graças ao ótimo roteiro de Aaron Sarkin, adaptado do livro The Accidental Billionaires, de Ben Mezrich, que explica com clareza o passo-a-passo da criação do Facebook e todas as tramoias em torno dele, mas sem, jamais, ser tedencioso ou chato.
 
Com um bom roteiro em mãos, David Fincher faz gato e sapato na direção, mostrando mais uma vez que é um diretor cheio de possibilidades. Ele dá ritmo a uma trama poderia ser monótona, e mantém a atenção do espectador do começo ao fim, além de arrancar ótimas atuações de seu elenco — quem diria, até Justin Timberlake, no papel de Sean Parker, o criador do Napster que vira conselheiro de Mark, está muito bem em cena.
 
Por tudo isso, A Rede Social  é o filme que marca muito bem o que vivemos no mundo de hoje: podemos fazer amigos facilmente, e inimigos mais facilmente ainda. E ideias todo mundo tem, o que fazer com elas é a grande questão. Se minha avó visse o filme diria ‘dinheiro não traz felicidade’, e analisando em especial os minutos finais desta produção, parece isso mesmo. Mas, vamos combinar, ser bilionário com menos de 30 anos não é para qualquer.
 
No final das contas A Rede Social  apenas reafirma o que já sabemos: uns custam mais, outros custam menos, mas todos têm seu preço.

Veja o trailer de A Rede Social.

Burlesque

novembro 27, 2010

Por Janis Lyn, direto de New York

Se você gosta da Christina Aguilera, da Cher ou do gênero musical (ou de tudo isso junto) não pode perder o filme Burlesque.

Dirigido e roteirizado por Steve Antin, este romance musical traz a cantora Christina Aguilera no papel principal (sua estréia no cinema) como a jovem e sonhadora Ali, que larga tudo para ir a Hollywood a procura da fama. Em sua caça à emprego, Ali encontra um bar burlesco no comando de Tess (Cher) onde sexys dançarinas fazem coreografias ousadas ao som de grandes divas como Marilyn Monroe, por exemplo. Ali logo se infiltra no bar, no inicio como garçonete, mas sua grande voz a faz ter destaque do dia pra noite e sua busca por fama fica cada vez mais perto de ser conquistada.

A pergunta que não quer calar: Christina Aguilera se saiu bem como atriz? Bom, se fomos comparar com os fracassos das suas companheiras de profissão (Britney Spears em Crossroads e Mariah Carey em Glitter), eu diria que sim. Por mais que na maioria das cenas ela está cantando e dançando (coisas que ela já tirava de letra), por ser principiante ela está bem à vontade com as falas, elenco e tudo em volta. O diretor infelizmente não deu muito espaço para a Aguilera realmente atuar, mas, no que lhe foi proposto, ela tira de letra, sem dúvidas.

É um filme divertido, com excelentes músicas e danças bem elaboradas e executadas. Melhor que muito musical que já vi (Nine é um exemplo recente, inclusive). Ok que o roteiro não é lá essas coisas. É bem “mais do mesmo”, mas o filme foi produzido com essa ideia. O diretor não queria revolucionar a história do cinema ou algo do tipo, e sim fazer um filme agradável, legal e, de quebra, unir duas gerações de divas: Cher e Aguilera. Precisa de mais?

Kristen Bell, Cam Gigandet, Stanley Tucci, Julianne Hough, Eric Dane e Alan Cumming também fazem parte do elenco.

O filme estreia no Brasil somente no final de Janeiro.

Centurião

novembro 26, 2010

 

por Pedro Costa de Biasi

O diretor Neil Marshall propõe, em Centurião (estreia desta sexta, 26),  um destino para a Nona Legião do exército romano, que desapareceu por volta do ano 117. O general Virilus (Dominic West) e sua divisão são enviados para lutar contra os Pictos, grupo celta que retarda a expansão de Roma. Juntam-se à missão Quintus (Michael Fassbender), único sobrevivente de um ataque dos Pictos, e Etain (Olga Kurylenko), guerreira do povo inimigo que se aliou ao exército romano. Após o massacre de sua legião, Virilus é feito prisioneiro e os sobreviventes vão a seu resgate.
 
O que se segue não é nada inesperado, e poderia nunca ir além das “ousadias” de sempre. Somos introduzidos ao lado dos vilões, suas angústias e sua visão do conflito sangrento. Além disso, os heróis são desmitificados, pois a guerra não é mostrada como um ato glorioso. Já a maneira como essas transformações se dão faz toda a diferença.
 
Fica latente o cinismo de Marshall, que se esmera desde o roteiro para esfarelar valores idealizados. O que torna o campo de batalha um horror não é apenas a conjunção da morte, do sofrimento e das imagens escabrosas que Quintus narra. Se a base da glória é a defesa de um ideal, os interesses por trás do conflito precisam ter validade para o guerreiro. Porém, quanto mais Quintus e seus companheiros se esforçam, mais percebem que estão lutando em vão.
 
A partir da metade da projeção, o objetivo passa a ser a mera sobrevivência. Que o protagonista continue buscando dignidade até o fim do filme é apenas uma confirmação da futilidade – ou inexistência – de seus ideais. Em uma discussão, Virilus diz que seus homens têm honra o bastante e não precisam daquela missão. O político que o pressiona dispara: “seus homens têm honra o bastante para desobedecer a uma ordem direta”? Já não resta dúvida de que certos preceitos só têm validade quando é conveniente.
 
Vários detalhes tornam a experiência ainda mais saborosa, com pequenas alterações que mudam muito. A passagem com a bruxa Picta começa mal, no esquema “o-inimigo-é-tão-humano-quanto-nós”, mas logo ganha um sentido diferente. Os humanos chamados aqui de heróis não são os que superam sua condição ordinária – embora eles resistam a situações extremas –, mas sim os que terminam ordinariamente, vivos ou mortos. Eloquência é para os que deixaram a humanidade para trás, pessoas (o líder Picto Gorlacon, Etain, Virilus) que só interessam a Neil Marshall quando oferecem relances de mortalidade e emoção.
 
Existe uma atenção especial às paisagens. O ambiente não se trata apenas de cenário, mas de um agente que opera em favor dos que o conhecem melhor. Não raro ganha o valor de personagem, algo como uma manifestação física de deuses que assinam o destino de homens e mulheres. Logicamente, as intempéries favorecem os Pictos – apenas porque eles vivem em meio à natureza, e não para gratificar seus ideais.
 
Usando a fotografia, a montagem e o som no amálgama elegante que é sua direção, Marshall literalmente cria a cadência das cenas de ação. Os golpes ritmados de espadas, machados, lanças e escudos geram momentos de frenesi consciente que vão além da pura velocidade. O visual dessaturado chama a atenção para os jorros de sangue, de novo apontando, na estilização, para o que há de mais violento na tela. Em ambos os casos, a edição apressada é esteticamente apropriada, garantindo assim belos resultados.
 
Em vez de questionar a honra através da boca dos personagens, o filme a destrói de forma objetiva, como ideal de vida para os guerreiros. O processo é surpreendente: a humanidade só se revela quando tudo em volta foi pulverizado. É então que os “heróis” podem se reunir em torno de um cervo e beber seu sangue como bárbaros. Pois é do ordinário calor que eles estão atrás.

Abutres

novembro 24, 2010

 

por Janaina Pereira

 

E lá vem a Argentina, de novo, com toda a força para o Oscar 2011. Depois de levar o prêmio de filme estrangeiro deste ano, com o impecável O Segredo dos Seus Olhos, o país pode conseguir pelo menos a indicação da categoria com o pesado Abutres (Carancho), de Pablo Trapero, que estreia dia 3 de dezembroe foi exibido com sucesso no Festival do Rio e na 5ª Mostra de Cinema e Diretos Humanos da América do Sul.

Conhecido por tratar de temas pouco convencionais de forma nua e crua, Trapero não faz diferente neste trabalho. Com Ricardo Darín e Martina Gusman – esposa do diretor – liderando o elenco, Abutres conta a história de Sosa (Darín), um advogado que se aproveita das indenizações pagas a vítimas de acidentes de trânsito em um corrupto esquema que envolve profissionais da saúde e policiais.

Sosa decide deixar a vida de contraventor ao se apaixonar pela paramédica Luján (Martina), moça do interior da Argentina que luta para sobreviver na capital. Mas é claro que abandonar essa vida bandida não será tão simples assim.

Darín e Martina aparecem em atuações impecáveis, mas é a direção pauleira de Trapero que sobressai. Sem dó nem piedade do espectador, ele ‘derrama’ na telona toda a falta de sorte dos personagens em suas vidas problemáticas na periferia de Buenos Aires, mostrando uma realidade cruel e incômoda.

Sosa é um pobre coitado, Luján é uma alma perdida, mas o encontro dos dois acaba dando um sopro de leveza àquela vida complicada, um certo ar de esperança a um mundo cheio de privações e sofrimentos. O casal, apaixonado, tenta superar a mediocridade do sistema; mas o sistema pode ser maior do que tudo.

Em espanhol, Carancho significa ave de rapina, e o título em português remete a isso – embora os nossos abutres não tenham a beleza do carancho deles.

O roteiro de Alejandro Fadel, Martín Mauregui, Santiago Mitre e Pablo Trapero é baseado em dados estatísticos argentinos até então desconhecidos do mundo: no país morrem todo ano mais de oito mil pessoas em acidentes de trânsito, uma média de 22 por dia; e mais de cento e vinte mil ficam feridas. Na última década, 100 mil foram mortos.
 
Os milhões de pesos argentinos que as vítimas e seus familiares necessitam para cobrir os gastos com médicos e questões legais produzem um enorme mercado, sustentado por indenizações das seguradoras e pela fragilidade da lei. Por causa de Abutres, uma nova lei está prestes a ser sancionada, para que este panorama mude. Ou seja, além de grandioso, o filme prestou um bem ao país ao denunciar tamanhas atrocidades.

Surpreendente e cheio de cenas e diálogos fortes, o longa é uma daquelas tramas em que você vai junto com os personagens, torce por eles, se empolga. É um triller com uma envolvente história de amor de pano de fundo. Impossível não gostar e não aplaudir no final mas se prepare: é um tremendo soco no estômago.

por Luis Guilherme Fernandes

 

As luzem se apagam, e surge o logo que nos acompanhou por todos esses anos. O começo do filme é bastante atípico e angustiante, mostrando separadamente Harry, Rony e Hermione, todos muito taciturnos e inseguros frente ao desconhecido. As cenas iniciais nos dão uma boa idéia do clima geral de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1, e nos mostra que os tempos fáceis ficaram pra trás: o mundo real é violento, selvagem e incógnito.

Esse filme flui de maneira bastante diferente dos anteriores, tendo um fluxo bastante lento, mas não lento maçante, e sim um lento belamente explorado que nos faz mergulhar na profundidade emocional e psicológica dos personagens, que nos cativam a cada cena e estão mais humanos do que nunca.

As atuações estão memoráveis e emocionantes, com destaque (pra variar) para Emma Watson, que interpreta cada cena com a dosagem emocional certa, sem tender ao exagero ou à apatia. A cena da tortura foi simplesmente fantástica, um show de atuação tanto por parte da Emma (com gritos e lágrimas exacerbadamente angustiantes), quanto de Helena Bonham Carter, cujos olhos e semblante transbordam loucura.

Os efeitos especiais estão muito bons, mas tem apenas um papel subsidiário neste filme, funcionando apenas como um plano de fundo para o desenrolar da trama. E Dobby está de volta! É uma alegria inenarrável ver novamente nosso elfo favorito na telona, embora um pouco diferente do que vimos na Câmara Secreta. Ainda não sei bem o que mudou, mas ele parece mais jovem e com expressões mais brandas, e devo dizer, está mais cativante do que nunca, sempre mostrando idolatria ao Harry. Como muita gente está dizendo, muitos atores veteranos de peso foram realmente subaproveitados, aparecendo apenas nos primeiros minutos do longa. Mas isso se faz apenas porque no livro é assim. E muita coisa segue essa linha, o que faz desse filme o mais fiel até agora: fiel em muitos detalhes, falas e situações. Os fãs vão ter pouco, pra não dizer nada, o que reclamar.

O filme de fato merece a classificação que teve, pois algumas cenas são bem violentas e sanguinolentas, sem mencionar a tão comentada cena “sensual” entre Harry e Hermione, na cena em que o medalhão se abre e expõe os piores medos do Rony. Sensual é pouco, a cena está mais para “Emmanuele no mundo da magia”! Ambos Harry e Hermione estão semi-nus e tascam um beijo bastante quente. Esse sem dúvida será o filme que mais emocionará os fãs, tanto nas cenas em que personagens queridos dizem adeus (vocês sabem de quem to falando) ou nas cenas que Harry visita o túmulo de seus pais, ou ainda na cena (que não há no livro) em que Harry tenta animar Hermione concedendo-lhe uma dança, bem desajeitada, diga-se de passagem.

Muitos críticos estão dizendo que o filme parece incompleto, inconclusivo e tudo mais…mas é claro que é, por isso é chamado de Parte 1! O final abrupto só faz com que o clima de incerteza cresça e que fiquemos muito, muito ansiosos para a parte 2. Sem mais, o melhor filme da saga até agora é Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1

Minhas mães e meu pai

novembro 22, 2010

 
 
por Janaina Pereira
 

Enquanto alguns países do mundo, como o Brasil, ainda discutem se oficializam ou não o casamento entre homossexuais, o cinema mostra que estas relações são como qualquer outra, cheias de altos e baixos, afetos e crises. Quase perfeita para abordar as novas relações familiares é a comédia Minhas mães e meu pai (The kids are all right), de Lisa Cholodenko, em cartaz.

Digo quase perfeita porque, lá pelo final, o longa dá um derrapada grotesca ao excluir uma das partes dessas novas relações do contexto familiar. Essa derrapada, porém, não tira o brilho de um filme que acerta em tantas outras coisas, como a escolha do elenco e a naturalidade como o roteiro e a direção mostram uma relação homossexual.

A trama fica em torno das lésbicas Nic (Anette Benning) e Jules (Julianne Moore) que, aparentemente, têm um casamento estável. A relação vira de cabeça para baixo quando seus filhos, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson), resolvem trazer Paul (Mark Ruffalo), o pai, doador de esperma, para suas vidas. As coisas ficam complicadas quando Jules, sentindo que seu casamento está cada vez mais monótono, se envolve com Paul.

Sucesso nos Festivais de Berlim e do Rio e na Mostra de São Paulo, Minhas mães e meu pai tem como grande triunfo as ótimas atuações de seu elenco, apesar de Anette Benning estar um tanto quanto exagerada em algumas cenas. Julianne Moore, no entanto, compensa tudo, sempre com a versatilidade que faz dela uma das melhores atrizes americanas.

O roteiro também é muito feliz na forma como aborda a relação familiar onde duas lésbicas têm os mesmos problemas que qualquer casal heterossexual, e seus filhos são bem resolvidos mesmo tendo sido criados por duas mães. Ou seja, existe sim normalidade nas relações homossexuais, com direito a todas as alegrias e sofrimentos de uma relação heterossexual.

Se o final decepciona em parte, no todo Minhas mães e meu pai cumpre não só seu papel de divertir, como também de apresentar ao público está mais do que na hora da vida, mais uma vez, imitar a arte.

por Janaina Pereira

  

Com a exibição de Abutres (Carancho), novo filme do argentino Pablo Trapero estrelado por Ricardo Darín, começou na noite dessa sexta-feira, dia 19, na cidade de São Paulo, a 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. 

Realizado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira e patrocínio da Petrobras através da Lei Rouanet, a Mostra é dedicada a obras que abordam questões referentes aos Direitos Humanos, produzidas recentemente nos países sul-americanos. Entre outros, estão presentes na programação temas como o direito à terra, ao trabalho, à inclusão social, à diversidade étnica, à diversidade religiosa, à solidariedade intergeracional da cidadania LGBT, o direito à memória e à verdade, direitos dos povos indígenas, das pessoas com deficiência, da pessoa idosa, da criança e do adolescente, da população carcerária, da população afrodescendente e dos refugiados.

Entre os destaques desta 5ª edição da Mostra está a homenagem a Ricardo Darín, um dos mais populares atores do cinema argentino, consagrado com o sucesso de O Filho da Noiva, de Juan José Campanella, realizado em 2001 e concorrente ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e protagonista de O Segredo dos Seus Olhos, também de Campanella, o maior sucesso do cinema argentino, vencedor do Oscar de melhor Filme estrangeiro. 

Darín participou da abertura do evento no Cinesesc (foto), e conquistou os convidados, especialmente quando disse que era um exagero a homenagem – o público pareceu descordar das palavras do ator, aplaudindo-o ainda mais depois da declaração. No entanto, Ricardo Darín não ficou até o final da exibição de Abutres, que foi ovacionado pela plateia. No filme ele vive um advogado em busca de vítimas de acidentes de trânsito para tirar a maior indenização possível das seguradoras e ficar com uma gorda comissão.

O filme de Pablo Trapero é o indicado da Argentina ao Oscar e já tinha chamado a atenção quando foi exibido em maio no Festival de Cannes. Esta foi a segunda vez que o longa pode ser visto pela plateia brasileira – a primeira foi durante o Festival do Rio. Abutres estreia apenas em dezembro em circuito, distribuido pela Paris Filmes, mas poderá ser visto gratuitamente neste sábado, às 17 horas, na Cinemateca Brasileira, com a presença de Ricardo Darin, que vai conversar com o público após a exibição do filme.

Completam a homenagem ao ator os filmes Kamtchatka, de Marcelo Piñeyro, também indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, e o vencedor da Semana da Crítica do Festival de Cannes em 2006 XXY, de Lúcia Puenzo (filha de Luís Puenzo, diretor de A História Oficial, título presente na Retrospectiva Histórica da Mostra e que deu o primeiro Oscar à Argentina). 

A 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul ocorre em 20 capitais brasileiras: Aracaju (10-16/12), Belém (25-28/11 e 2-5/12), Belo Horizonte (13-19/12), Brasília (16-23/11), Cuiabá (10-18/11), Curitiba (17-23/11), Fortaleza (8-14/11), Goiânia (3-9/12), João Pessoa (11-18/11), Maceió (29/11-9/12), Manaus (29/11-5/12), Natal (18-25/11), Porto Alegre (23-28/11), Recife (6-12/12), Rio Branco (6-12/12), Rio de Janeiro (30/11-5/12), Salvador (3-9/12), São Luís (29/11-5/12), São Paulo (19-25/11) e Teresina (11-17/11). 

PROGRAMAÇÃO

(formato de exibição = 35mm e betacam analógico)

*** Cinemateca Brasileira – Sala Petrobras / Largo Senador Raul Cardoso, 207 – 107 lugares – (11) 3512.6111

*** Cinesesc / Rua Augusta, 2075 – 329 lugares – (11) 3085.0500

19/11 – SEXTA-FEIRA

*** Cinesesc
21h – Sessão de Abertura (para convidados)


ABUTRES – Pablo Trapero (Argentina/ Chile/ França/ Coréia do Sul, 107 min, 2010, fic)
Classificação indicativa: 16 anos
 

 

20/11 – Sábado

*** Cinemateca Brasileira
17h


ABUTRES – Pablo Trapero (Argentina/ Chile/ França/ Coréia do Sul, 107 min, 2010, fic)
Classificação indicativa: 16 anos
19h
Conversa com Ricardo Darín

21h
KAMCHATKA – Marcelo Piñeyro (Argentina/ Espanha/ Itália, 103 min, 2002, fic)
Classificação indicativa: livre

*** Cinesesc
14h30


DIAS DE GREVE – Adirley Queirós (Brasil, 24 min, 2009, doc)
PARAÍSO – Hector Galvez (Peru/ Alemanha/ Espanha, 91 min, 2009, fic)
Classificação indicativa: 12 anos
16h30
GROELÂNDIA – Rafael Figueiredo (Brasil, 17 min, 2009, fic)
MUNDO ALAS – León Gieco, Fernando Molnar, Sebastián Schindel (Argentina, 89 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

18h30
A BATALHA DO CHILE II – O GOLPE DE ESTADO – Patricio Guzmán (Chile/ Cuba/ Venezuela/ França, 90 min, 1975, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

20h30
CARNAVAL DOS DEUSES – Tata Amaral (Brasil, 9 min, 2010, fic)
MEU COMPANHEIRO – Juan Darío Almagro (Argentina, 25 min, 2010, doc)
LEITE E FERRO – Claudia Priscilla (Brasil, 72 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 16 anos

21/11 – DOMINGO

 
*** Cinemateca Brasileira
18h


MARIBEL – Yerko Ravlic (Chile, 18 min, 2009, fic)
O QUARTO DE LEO – Enrique Buchichio (Uruguai/ Argentina, 95 min, 2009, fic)
Classificação indicativa: 14 anos
20h
A CASA DOS MORTOS – Debora Diniz (Brasil, 24 min, 2009, doc)
CLAUDIA – Marcel Gonnet Wainmayer (Argentina, 76 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 14 anos

 

*** Cinesesc
14h30


ALOHA – Paula Luana Maia , Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc)
AVÓS – Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic)
CINEMA DE GUERRILHA – Evaldo Mocarzel (Brasil, 72 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
16h30
A HISTÓRIA OFICIAL – Luis Puenzo (Argentina, 114 min, 1985, fic)
Classificação indicativa: 12 anos

18h30
O FILHO DA NOIVA – Juan José Campanella (Argentina/ Espanha, 124 min, 2001, fic)
Classificação indicativa: livre

20h30
VLADO, 30 ANOS DEPOIS – João Batista de Andrade (Brasil, 85 min, 2005, doc)
Classificação indicativa: 14 anos

22/11 – SEGUNDA-FEIRA

 
*** Cinemateca Brasileira
16h – Audiodescrição


AVÓS – Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic)
ALOHA – Paula Luana Maia, Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc)
CARRETO – Marília Hughes, Claudio Marques (Brasil, 12 min, 2009, fic)
EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO – Daniel Ribeiro (Brasil, 17 min, 2010, fic)
* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual.
Classificação indicativa: 12 anos
18h
ALOHA – Paula Luana Maia / Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc)
AVÓS – Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic)
CINEMA DE GUERRILHA – Evaldo Mocarzel (Brasil, 72 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

20h
A VERDADE SOTERRADA – Miguel Vassy (Uruguai/ Brasil, 56 min, 2009, doc)
ROSITA NÃO SE DESLOCA – Alessandro Acito, Leonardo Valderrama (Colômbia/ Itália, 52 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

*** Cinesesc
14h30


MÃOS DE OUTUBRO – Vitor Souza Lima (Brasil, 20 min, 2009, doc)
JURUNA, O ESPÍRITO DA FLORESTA – Armando Lacerda (Brasil, 86 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
16h30
O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS – Cao Hamburger (Brasil, 110 min, 2006, fic)
Classificação indicativa: 10 anos

18h30
ENSAIO DE CINEMA – Allan Ribeiro (Brasil, 15 min, 2009, fic)
108 – Renate Costa (Paraguai/ Espanha, 93 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

23/11 – TERÇA-FEIRA

 
*** Cinemateca Brasileira
18h


DOIS MUNDOS – Thereza Jessouroun (Brasil, 15 min, 2009, doc)
AMÉRICA TEM ALMA – Carlos Azpurua (Bolívia/ Venezuela, 70 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
20h
DIAS DE GREVE – Adirley Queirós (Brasil, 24 min, 2009, doc)
PARAÍSO – Héctor Gálvez (Peru/ Alemanha/ Espanha, 91 min, 2009, fic)
Classificação indicativa: 12 anos

 

*** Cinesesc
14h30


A CASA DOS MORTOS – Débora Diniz (Brasil, 24 min, 2009, doc)
CLAUDIA – Marcel Gonnet Wainmayer (Argentina, 76 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 14 anos
16h30
KAMCHATKA – Marcelo Piñeyro (Argentina/ Espanha/ Itália, 103 min, 2002, fic)
Classificação indicativa: livre

18h30
VIDAS DESLOCADAS – João Marcelo Gomes (Brasil, 13 min, 2009, doc)
PERDÃO, MISTER FIEL – Jorge Oliveira (Brasil, 95 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 14 anos

24/11 – QUARTA-FEIRA

 
*** Cinemateca Brasileira
19h
GROELÂNDIA – Rafael Figueiredo (Brasil, 17 min, 2009, fic)
MUNDO ALAS – León Gieco, Fernando Molnar, Sebastián Schindel (Argentina, 89 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

 

*** Cinesesc
14h30


MARIBEL – Yerko Ravlik (Chile, 18 min, 2009, fic)
O QUARTO DE LEO – Henrique Buchichio (Uruguai/ Argentina, 95 min, 2009, fic)
Classificação indicativa: 14 anos
16h30
HALO – Martín Klein (Uruguai, 4 min, 2009, fic)
ANDRÉS NÃO QUER DORMIR A SESTA – Daniel Bustamante (Argentina, 108 min, 2009, fic)
Classificação indicativa: 12 anos

18h30
XXY – Lúcia Puenzo (Argentina/ França/ Espanha, 86 min, 2006, fic)
Classificação indicativa: 16 anos

25/11 – QUINTA-FEIRA

 
*** Cinemateca Brasileira
18h – Audiodescrição


PRA FRENTE BRASIL – Roberto Farias (Brasil, 105 min, 1982, fic)
* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual.
Classificação indicativa: 14 anos
20h
A BATALHA DO CHILE II – O GOLPE DE ESTADO – Patricio Guzmán (Chile/ Cuba/ Venezuela/ França, 90 min, 1975, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

 

*** Cinesesc
14h30


CARRETO – Marília Hughes, Claudio Marques (Brasil, 12 min, 2009, fic)
BAILÃO – Marcelo Caetano (Brasil, 17 min, 2009, doc)
DEFENSA 1464 – David Rubio (Equador/ Argentina, 68 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
16h30
HÉRCULES 56 – Silvio Da-Rin (Brasil, 94 min, 2006, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

 

18h30
EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO – Daniel Ribeiro (Brasil, 17 min, 2010, fic)
IMAGEM FINAL – Andrés Habegger (Argentina, 94 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 12 anos

 

 

Foto: Janaina Pereira

 

 

Entrevista: Ricardo Darín

novembro 19, 2010

por Janaina Pereira
 
 
 
Quando se pensa em cinema argentino, um nome logo vem a cabeça: Ricardo Darín. Protagonista dos mais recentes sucessos  do cinema portenho, como O Filho da Noiva e o oscarizado O Segredo dos Seus Olhos, ambos de Juan José Campanella, Darín está em São Paulo como convidado e homenageado da 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, que começa hoje, dia 19, na cidade, e acontece até 19 de dezembro em mais nove capitais do país.

Simpático, o ator argentino conversou por mais de uma hora na tarde desta sexta-feira com um pequeno grupo de jornalistas na Cinemateca Brasileira. Entre os assuntos abordados, a relação entre o cinema e os diretos humanos.

“Quando falamos em Direitos Humanos, podemos olhar para o passado, ou para o futuro, ou seja, para as crianças e os jovens, e pensar nas novas possibilidades para o mundo. Isso pode gerar reflexão, e o cinema contribui para esse fato”, disse.

Darín também falou sobre seu último trabalho, Abutres, título nacional para Carancho, de Pablo Trapero, o candidato argentino ao Oscar. O longa, exibido com grande sucesso nos Festivais de Cannes e do Rio, abre esta noite a  5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, no Cinesesc, e chega ao circuito em dezembro, distribuido pela Paris Filmes.

No filme, o ator é um advogado que participa de um esquema de extorsão, envolvendo seguradoras e acidentes de carro. Ele contou que na Argentina o longa teve repercursão tão forte que o Congresso debateu o tema, e agora uma lei para regulamentar a intervenção de seguradoras está tramitando por lá.

“Não tínhamos a pretensão de fazer um filme de denúncia. A meu ver, era uma história de amor entre um advogado e uma paramédica. Mas que ótimo que o filme gerou essa mobilização”, comentou Darín.

Abutres já fez um público de 700 mil expectadores na Argentina, número significativo no País. Para Ricardo Darín, o sucesso do longa está relacionado ao tema abordado.

“Quando o assunto de um filme é importante, não deve ser tratado de forma pesada. Quanto mais simples for a abordagem, mais fácil de tocar as pessoas. A palavra chave é ‘sensibilidade’, quando o assunto é Direitos Humanos, devemos tocar a sensibilidade das pessoas.”

Mesmo confessando ser avesso a badalações e homenagens, o ator se mostrou lisonjeado pelo convite dos realizadores da Mostra para participar do evento deste ano.

“Temos de fazer todas as ações que possam reforçar os Direitos Humanos no mundo. Se estamos convencidos da importância desse Festival é por conta das histórias que tocam nossa sensibilidade.”

Além de Abutres, outros filmes com Ricardo Darín no elenco também serão exibidos na Mostra, como O Filho da Noiva, XXY e Kamchatka. Darín participará ainda neste sábado, dia 20, de um bate-papo com o público após a sessão gratuita de Abutres, às 17h, na Cinemateca Brasileira. É uma ótima oportunidade para o público brasileiro ver de perto aquele que já ultrapassou fronteiras e se tornou mais do que o melhor ator argentino da atualidade, e sim um dos nomes mais respeitados do cinema latino-americano.

Foto: Janaina Pereira

 

 

Um Homem Misterioso

novembro 18, 2010

 
 
 
por Janaina Pereira
 

Não conheço mulher neste mundo que não dê um suspiro ao ouvir o nome de George Clooney. O ator bonitão é daqueles tipos hollywoodianos que leva a mulherada ao cinema fácil, fácil. E lá fui eu ver o filme de Clooney porque… era um filme de Clooney, claro.

A trama é bem batida e a decepcção é gigante. Um homem misterioso (The american), de  Anton Corbijn , é mais um filme de assassino de aluguel que é traído pelos colegas e busca safar sua própria pele. Para piorar, ele tenta uma nova vida depois de se apaixonar por uma prostituta. Pára tudo, né? Esse filme já passou mil vezes. Mas, ok, é um filme com George Clooney. Sarado, o ator desfila sem camisa e mostra, de leve, o bumbum. E? E nada, é basicamente isso mesmo.

Na história, Clooney vive o americano do título original, um sujeito silencioso e com cara de poucos amigos, que depois de uma emboscada na Suécia é mandado para um vilarejo na Itália onde precisar se esconder. Claro que pinta um último serviço e ele, super desconfiado de que está sendo traído por algum colega de trabalho, está com um olho no padre, outro na prostituta e as mãos numa arma. Assim mesmo, literalmente, mas não necessariamente nesta ordem.

O roteiro inspirado no romance de Martin Booth A Very Private Gentleman, adaptado por Rowan Joffe, é devagar quase parando. Bocejos. De repente se ouve “Tu Vuò Fa L’americano” tocando no rádio. É a música mais tocada na Europa desde não sei quando. Cochilos. E lá vem Clooney sem camisa. Opa!

É isso aí, o filme roda, roda, roda mas não sai do lugar comum. Tenta ser noir contemporâneo mas só consegue ser o último – e dispensável – filme do George Clooney.