Mostra de SP: entrevista Matías Lira

outubro 29, 2010

por Janaina Pereira

 

Motivados pelas técnicas do Teatro da Crueldade do dramaturgo francês Antonin Artaud e por um singular professor, três estudantes de teatro começam a experimentar vivências ao limite numa busca por atingir a perfeição. Misturando realidade e ficção, o filme Drama, de Matías Lira, é muito mais do que parece inicialmente.

Com vários anos de experiência dirigindo programas de televisão, Lira estreia com Drama nos cinemas, marcando presença como mais um jovem diretor chileno a tentar conquistar o mundo. Em entrevista ao Cinemmarte, o diretor, que está em São Paulo participando da Mostra Internacional de Cinema, revela como foi fazer seu primeiro filme.

Cinemmarte- Como surgiu a ideia de filmar Drama?

Matías Lira – Procurei um tema que para mim fora recorrente, eu desejava trabalhar algo que me identificasse. O filme tem 90% de realidade, de coisas que vi e vivi, e 10% de ficção.

Cinemmarte – E por que usar o teatro como pano de fundo da história?

Matías Lira – Como já fui ator de teatro, peguei esse universo. Além disso, adoro filmes que usam o teatro como tema central. Um dos meus preferidos é O Estado das Coisas, do Wim Wenders. Então para fazer meu primeiro filme tinha que ser algo que me encantasse, e o teatro me encanta.
Cinemmarte – Você usa o Teatro da Crueldade do dramaturgo francês Antonin Artaud como ponto de partida da trama. As cenas de ensaio a partir dessa técnica são bastante angustiantes, com os atores passando por momentos exaustivos. O que vemos no filme são técnicas reais ou você exagerou?

Matías Lira – Queria retratar a obsessão destes jovens estudantes por querer ser os melhores, por procurar sua identidade, mas no fundo devem compreender que não existem as pressões e nada é tão importante como a saúde física e psicológica. O que eu queria passar é que não é necessário viver no limite para atingir o sucesso. Em qualquer carreira, os jovens, entre 18 e 23 anos, acham que se não fizerem sucesso nesta época, são fracassados. E isso não é verdade. Mesmo no jornalismo é assim, o jovem jornalista sente essa pressão. Todo mundo tem crise nessa idade, a gente acha que se não conseguir algo vai fracassar para o resto da vida. Então coloquei as cenas de ensaio de teatro mostrando como eles sofrem para atingir o sucesso, quando, na verdade, são inseguros e não precisam fazer sucesso tão jovens.

Cinemmarte –Na realidade o teatro é pano de fundo para um tema recorrente no cinema sulamericano, a ditadura.

Matías Lira- Sim, mais do que retratar o interior das escolas quis mostrar do que muita da gente relacionada com as artes cênicas está ao mesmo tempo muito conectada com a realidade. E mostrar isso e outras coisas no filme me causaram problemas com a censura no Chile.

Cinemmarte – Que problemas?

Matías Lira – Os problemas já começaram no cartaz, que mostra os três protagonistas juntos, na cama, e remete a uma cena do filme. No Chile o cartaz saiu com uma tarja no rosto dos personagens, então não se vê que são dois homens e uma mulher. Além disso Drama faz críticas à igreja, e no Chile há muios casos de padres envolvidos com pedofilia. Falta diálogo no país, e essas coisas continuam acontecendo por causa desta falta de diálogo.

Cinemmarte – Apesar dessa censura, o filme foi bem recebido pelo público no Chile, o que você acha disso?

Matías Lira- Acho que a identificação vem de que, apesar dos personagens principais serem atores, o filme trata de atuarmos na vida. É esta reflexão que deve ser feita e acho que isso tem atraido as pessoas.

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