Mostra de SP – 6º dia

outubro 27, 2010

por Janaina Pereira

Nem só de brasileiros e argentinos vive o cinema latino-americano. Candidato da Venezuela ao Oscar de melhor filme estrangeiro, Hermano (Irmão), de Marcel Raquin, aparece como um dos melhores filmes da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

É verdade que o longa lembra, em alguns momentos, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, muito mais pelo ambiente de favela do que por qualquer outra coisa. O tema do futebol, outro ponto do filme, pode fazer lembrar Linha de Passe, de Walter Salles. Mas, tirando qualquer semelhança com uma ou outra produção brasileira, Hermano consegue envolver o espectador com seu roteiro que vai crescendo e se encaminhando para um final que, por mais que a gente imagine o inevitável, ainda assim surpreende.

A produção venezuelana fala de dois irmãos de criação, Daniel e Julio. Ainda criança, Julio, nascido em uma favela de Caracas dominada pelo tráfico, encontra o bebê Daniel, e eles crescem unidos pelos sentimento de gratidão e paixão pelo futebol. Daniel, que tem o apelido de Gato, está longe de gozar algum prestígio na comunidade em que mora. É virgem, não é bom de briga e é ótimo aluno na escola. A malandragem sugerida por seu apelido, na verdade, é uma alusão a sua incrível habilidade com a bola nos pés.

Quando está de chuteiras, Gato se transforma em tudo aquilo que está longe de ser sem elas. Ele é a estrela do time do bairro, o Ceniza (cinza, em português) e, ao lado do irmão Julio, forma a melhor dupla de ataque da liga local. Porém, a violência é o que impera no ambiente em que vivem, e uma tragédia vai transformar para sempre a vida dos dois rapazes.

Se eu contar mais vou estragar toda a emoção que o filme é capaz de causar. A trama vai se desenrolando para mostrar a superação de um garoto que “renasció de la ceniza” mas a última sequência é o que torna Hermano realmente grandioso, e faz dele um filme inesquecível, graças, especialmente, ao olhar que o diretor Marcel Rasquin tem por tràs das câmeras. Ele consegue dar ritmo de videoclip às cenas de futebol, e faz drama sem ser piegas.

Não perca a oportunidade de ver esta produção durante a Mostra, pois a exibição em circuito nacional é incerta. A não ser que o Oscar olhe com  carinho para um filme que merece todos os aplausos.

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Uma resposta to “Mostra de SP – 6º dia”

  1. RubenCFC said

    GRAAANDE HERMANO 😀 LA MEJOR PELICULA VENEZOLANA QUE HAYA VISTO

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