Mostra de SP – 5º dia

outubro 26, 2010

por Janaina Pereira

Enquanto alguns países do mundo, como o Brasil, ainda discutem se oficializam ou não o casamento entre homossexuais, o cinema mostra que estas relações são como qualquer outra, cheias de altos e baixos, afetos e crises. Quase perfeita para abordar as novas relações familiares é a comédia Minhas mães e meu pai (The kids are all right), de Lisa Cholodenko, em cartaz na 34ª Mostra Internacional de São Paulo.

Digo quase perfeita porque, lá pelo final, o longa dá um derrapada grotesca ao excluir uma das partes dessas novas relações do contexto familiar. Essa derrapada, porém, não tira o brilho de um filme que acerta em tantas outras coisas, como a escolha do elenco e a naturalidade como o roteiro e a direção mostram uma relação homossexual.

A trama fira em torno das lésbicas Nic (Anette Benning) e Jules (Julianne Moore) que, aparentemente, têm um casamento estável. A relação vira de cabeça para baixo quando seus filhos, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson), resolvem trazer Paul (Mark Ruffalo), o pai, doador de esperma, para suas vidas. As coisas ficam complicadas quando Jules, sentindo que seu casamento está cada vez mais monótono, se envolve com Paul.

Sucesso nos Festivais de Berlim e do Rio, Minhas mães e meu pai tem como grande triunfo as ótimas atuações de seu elenco, apesar de Anette Benning estar um tanto quanto exagerada em algumas cenas. Julianne Moore, no entanto, compensa tudo, sempre com a versatilidade que faz dela uma das melhores atrizes americanas.

O roteiro também é muito feliz na forma como aborda a relação familiar onde duas lésbicas têm os mesmos problemas que qualquer casal heterossexual, e seus filhos são bem resolvidos mesmo tendo sido criados por duas mães. Ou seja, existe sim normalidade nas relações homossexuais, com direito a todas as alegrias e sofrimentos de uma relação heterossexual.

Se o final decepciona em parte, no todo Minhas mães e meu pai cumpre não só seu papel de divertir, como também de apresentar ao público está mais do que na hora da vida, mais uma vez, imitar a arte.

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