Festival do Rio 2010 – 11º dia

outubro 3, 2010

por Janaina Pereira

 

Quando Antônio Ferreira teve a ideia de adaptar o conto Embargo, de José Saramago, ele ainda era um estudante da Escola de Cinema de Lisboa, em Portugal, nos anos 1990. Anos depois, já com um longa-metragem na bagagem, Ferreira retomou aquele conto e o transformou em uma história que vai além das palavras de Saramago.

Assim nasceu o longa Embargo, em cartaz no Festival do Rio e que estará também na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O roteiro transformou a ideia original de um homem preso ao seu carro a uma trama sobre um outro homem, preso não apenas ao seu carro, mas à ideia de que ele pode ficar rico com um tal escaneador de pés.

Em entrevista ao Cinemmarte, o diretor português fala sobre o filme e  a obra de Saramago.

Cinemmarte: Este filme é um projeto que surgiu há muito tempo. Como o conto do Saramago virou um longa-metragem?

Antônio Ferreira: O longa nasceu como um curta. Era 1994, eu tinha acabado de entrar na Escola de Cinema, em Lisboa, e não tinha ainda muita noção do que queria fazer. Àquela altura comecei a filmar somente comigo, meu vizinho e minha namorada de então batia a claquete. Essa era a equipe do filme. Comecei a filmar, mas terminou que não deu em nada, nem sequer terminei as filmagens. Era mais um ímpeto de tentar fazer alguma coisa. Depois daquilo, esse projeto mudou completamente e aconteceu de novo quando houve uma nova greve em Portugal, e tive então um flash de que acontecia o que estava descrito no texto de Saramago.

Cinemmarte: O que mais te atrai na obra de Saramago?

Antônio Ferreira: A força da escrita. Ele tem um lado humanista, as questões humanas estão sempre lá. É um tipo de história que tem uma realidade concreta, embora abordada de forma surrealista. E a escrita dele é muito cinematográfica.

Cinemmarte: É mais fácil ou mais difícil adaptar um conto ou livro para o cinema?

Antônio Ferreira: Literatura e cinema são meios diferentes, ainda bem! Os cursos narrativos são diferentes. Eu, por exemplo, não gosto de narração em off, acho um recurso preguiçoso e desinteressante.acho que a literatura é um ponto de partida; é preciso transformar a obra literária e encaixá-la em um novo meio, que é o cinema.

Cinemmarte: Qual a importância deste filme na sua carreira?

Antônio Ferreira: Espero que seja muito importante. Em Portugal fazemos cerca de 12 filmes ao ano, temos dificuldade financeira para realizar esses projetos. O Brasil está em uma fase boa, tem o Walter Salles, o Fernando Meirelles… as produções aqui estão em alta. Para fazermos filmes em Portugal uma saída é a co-produção. E trazer Embargo para um festivais no Brasil é importante, um caminho natural. Espero que as pessoas aqui vejam o filme e que isso me abra portas.

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Uma resposta to “Festival do Rio 2010 – 11º dia”

  1. malvina maria said

    guerreiro,sempre segue em frente,ultrapassando de cabeça erguida todos os obstaculo,até chegar o pique de uma batalha.e dizer eu venci, e se não vencer gritar, eu tentei mas não foi ainda dess vez,eu ganhei força, agora eu chego.

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