Festival do Rio 2010 – 10º dia

outubro 3, 2010

por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

Depois de muita expectativa, finalmente começaram no Festival do Rio as sessões de Somewhere, o novo filme de Sofia Coppola que ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza no início de setembro.

Neste domingo, dia 3, os cariocas foram às urnas e seguiram para as exibições do longa. Confesso que, à primeira vista, Somewhere não me agrada: é repetitivo e só ‘acontece’ mesmo em seu final. Porém, depois de conhecer Sofia pessoalmente em Veneza, passei a ver o filme de outra forma.

A história do ator bad boy hollywodiano que precisa adaptar a sua vida à chegada da filha adolescente é contada com extrema delicadeza – e Sofia é isso, uma mulher muito delicada. Com ironia sutil, sem estardalhaço, ela narra uma história extremamente pessoal, o que torna o drama afetivo sem ser piegas. A atuação de Stephen Dorff é um caso à parte na história.

Já disse mil vezes que não gosto de Sofia, ou melhor, de seu Lost in Translation, que acho super valorizado. Também já disse que considero seu primeiro filme, As Virgens Suicidas, simplesmente fantástico. Mas, depois de conhecer a moça tímida de nariz grande – e que, diga-se de passagem, pessoalmente não é feia – eu consegui entender o seu Somewhere.

O domingo também foi marcado pela apresentação de Machete, o filme de Robert Rodriguez que já nasceu cult. Divertido e muito trash, o longa repete no Rio o sucesso que fez em Veneza.

Gosto muito da história- o diretor conta de um jeito muito particular os problemas de imigração nos EUA -, do elenco e da direção ‘suja’ de Rodriguez, que não faz a menor questão de agradar a todos, mas agrada – e muito – ao seleto grupo de cinéfilos que curtem filmes inverossímeis.

Outro destaque do dia foi Carancho (foto), de Pablo Trapero, um dos principais filmes do Foco Argentina – este ano o Festival do Rio homenageia ‘os hermanos’. Na sexta-feira, dia 1, foi anunciado que o longa é o representante da Argentina ao Oscar e, graças a uma história universal, tem chances de pelo menos concorrer.

Com Ricardo Darín e Martina Gusman – esposa do diretor – em atuações impecáveis, Carancho (que significa ave de rapina, em espanhol) conta a história de Sosa, um advogado que se aproveita das indenizações pagas a vítimas de acidentes de trânsito, em um esquema de corrupção envolvendo profissionais da saúde e policiais. Sosa decide deixar a vida de contraventor quando se apaixona pela paramédica Luján. Mas é claro que abandonar essa vida bandida não será tão simples assim.

Surpreendente e cheio de cenas e diálogos fortes, Carancho é uma daquelas tramas em que você vai junto com os personagens, torce por eles, se empolga. É um triller com uma envolvente história de amor de pano de fundo. Impossível não gostar e não aplaudir no final.

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