Festival do Rio – 8º dia

outubro 1, 2010

 

por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

 Causou constrangimento e mal estar a exibição nesta sexta, dia 1, de Rio Sexy Comedy, de Jonathan Nossiter, na 12ª edição do Festival do Rio. Pelo menos na sessão para jornalistas e na coletiva de imprensa, o filme foi recebido com frieza.

Abordando o Rio pela visão de estrangeiros, a história cai nos velhos clichês em que a Cidade Maravilhosa sempre está envolvida: mulheres peladas, índios nus pelas ruas, e muito apelo sexual.

Mesmo o diretor insistindo em dizer que a trama brinca com os clichês que envolvam o Rio, o que vemos são vários assuntos abordados de maneira tosca, ainda que uma ou outra piada possa ter uam certa graça.

Triste mesmo foi ver Charlotte Rampling e Irene Jacob (bem menos estonteante pessoalmente) pagarem esse mico ao lado de Bill Pullman. Fim de carreira total.

O destaque do dia vai para o sensível Plano B (foto), do jovem diretor argentino Marco Berger. O filme conta a história de Bruno, que para recuperar Laura, sua ex-namorada, faz amizade com Paolo, o atual de sua ex.

A amizade acaba virando amor, e os dois precisam lidar com o questionamento da sexualidade e como isso pode transformar suas vidas.

Gostei do filme especialmente porque Berger sabe a hora exata de terminar a trama, valorizando a inteligência do espectador. E, vamos admitir, uma história que aposta em um público maduro para assisti-la, tem o seu valor.

Outro destaque é Restrepo, documentário vencedor do Festival de Sundance deste ano feito pelo célebre escritor Sebastian Junger e o repórter de guerra Tim Hetherington. O filme cobre um ano na vida de um pelotão de soldados americanos, entre 2007 e 2008, no mortífero vale do Korengal. no Afeganistão. Ao invés de mostra a guerra à plateia, Junger e Hetherington simplesmente ligam as câmeras e deixam o público ver as balas voarem.

O público assiste, então, aos soldados enfrentando diferenças culturais, tédio e cansaço, até que as armas do Taliban entram em ação, bombas explodem e os homens mergulham no caos, às vezes chorando. Um desses homens é o paramédico Restrepo, que morre repentinamente. Depois os soldados batizam um posto na extremidade da zona de guerra de Campo Restrepo, em sua memória,  daí o título do documentário.

Um bom filme sobre os bastidores da guerra que merece uma olhada.

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