(REC)²

agosto 30, 2010

 

por Pedro Costa de Biasi

 

[REC]² – estreia desta sexta, dia 3 – começa exatamente onde o primeiro terminou. Ó céus. Por algum motivo, a continuação dirigida pelos mesmos Paco Plaza e Jaume Balagueró abre com a tomada final do primeiro, em que Ângela Vidal (Manuela Velasco) é puxada para a escuridão. Porém, a linha narrativa é outra. Ou melhor, são outras: um time de policiais adentra o prédio em quarentena com um especialista de saúde (Jonathan Mellor) e um trio de adolescentes enxeridos vai decide fazer algo emocionante com sua câmera de vídeo.
 
Também a frase final de [REC], que já era repetida de um momento anterior no próprio filme, reaparece aqui: “Graba lo todo, Pablo. Por tu puta madre”. A “desculpa” para a gravação contínua dos eventos no apartamento era boa, e continua boa, mas os roteiristas Plaza, Balagueró e Manu Díez acham que não. A quantidade de falas como “É muito importante que gravemos tudo” é extremamente irritante, e não faz lá muito sentido.
 
Por mais que a ideia das câmeras internas à trama sirva para oferecer mais intensidade e realismo para a experiência, ninguém se ilude: a questão é diversão cinematográfica. O título do filme aparece entre uma cena e outra, jogando um rock pesado para descontrair. E quando os diretores não gritam que tudo aquilo é cinema, pelo menos dão a impressão de estarmos à frente de uma TV jogando videogame.
 
Temos a jogabilidade em primeira pessoa, a alternância estratégica de câmeras, objetivos que mudam como fases, armas, itens especiais (a faca com terço, o tubo com sangue) e até a oportunidade de destravar personagens diferentes. Ainda sobra espaço para alguns sustos bem-feitos, mas o suspense fica muito diluído em meio à ação predominante. Também há algum mérito divertido em trabalhar a fórmula com a inclusão de vários “cinegrafistas”.
 
Outra mudança de rumo está na natureza dos humanos infectados. Alguns minutos trama adentro, descobre-se que não é exatamente um vírus, mas uma forma de possessão demoníaca que toma conta dos corpos das pessoas. Antes que zumbizófilos entrem em alvoroço, vale dizer que pouco ou nada, além da nova habilidade de falar, muda nos monstrengos – tudo funciona como num filme de zumbi, até o tiro na cabeça. Sem contar que os tais demônios são a chave do tão almejado clima de videogame.
 
Quando a sensação mais forte é a de cinema, porém, a pouca credibilidade é jogada pela janela. As tensões são extremamente mal construídas, atingindo seu ápice cedo demais e não tendo para onde ir dali em diante. Então, sobram as crises de ter de matar seres que já foram humanos (outra questão típica em filmes de zumbi), que são editadas sem a menor cerimônia ou filmadas com o aviso de “bateria fraca” piscando no alto, como se aquilo fosse supérfluo. Se é ou não é, não fica claro, só fica claro que são cenas ruins.
 
Sem muito a fazer além de caras, bocas e escândalos, o elenco não consegue passar por cima da mutilação dramática. A exceção surge com Ariel Casas, no papel do policial Martos, que já ironiza a tensão apressada com riso e alcança, até ultrapassa, as necessidades emocionais de seu personagem.
 
Com o sucesso em vista, o final deixa um imenso gancho para [REC]³, que Plaza e Balagueró pretendem fazer. Se for lançada diretamente para PlayStation 3, a segunda continuação talvez consiga ir mais longe.

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