Entrevista: Sylvester Stallone

agosto 12, 2010

Antes de começar as gravações de Os Mercenários no Rio, em abril de 2009, Sylvester Stallone concedeu uma coletiva de imprensa na piscina do Hotel Sofitel, onde estava hospedado. Confira, a seguir, o que rolou no encontro entre Sly e os jornalistas, que contou também com a participação da atriz brasileira Gisele Itié.

 
Por que você decidiu gravar no Rio?
Sylvester Stallone: Porque o filme se passa em um lugar tropical. Precisávamos de um país, uma comunidade cinematográfica sofisticada. E com talento local, câmeras, além da infra-estrutura, e o Brasil tem tais características.
 
Gostaria de perguntar por que você escolheu contratar Gisele Itié, e em que sua decisão foi baseada.
SS:
Primeiro, pensamos em contratar uma atriz americana. Mas quando vim para o Brasil, comecei a conhecer atrizes brasileiras com um talento diferente, que normalmente não teriam a oportunidade de fazer filme desse porte. Naquele momento, eu tinha somente uma hora antes de pegar meu avião, e eles mandaram umas 15 atrizes para eu conhecer. Eu fui pra casa e comecei a escrever, e algumas coisas mudaram no roteiro com a entrada desta personagem. No início pensei que a atriz ideal era uma, depois mudei para outra, mas com todas as mudanças da personagem percebi que Gisele era a melhor. Queria contratar um talento novo, uma pessoa entusiasmada, nova, com paixão e que ainda não tivesse sido mimada demais por essa indústria.
 
O que você acha das atrizes brasileiras?
SS
: São muito boas. Existe um mundo de talento. E Gisele é bem treinada, não só um rosto bonito, uma modelo. É muito séria.
 


 

E para você, Gisele, como está sendo esta experiência com o Stallone?
Gisele Itié:
Está sendo maravilhoso poder trabalhar com cinema americano. E o Stallone é uma pessoa maravilhosa, super sensível. E um ótimo diretor.
 
Mas como está sendo sua experiência com ele, dizem que ele é um cara durão.
GI:
Não! Pelo que já conversamos, ele parece ser durão, mas não é. Ele é muito sensível. Está me mostrando uma visão completamente diferente do Rio de Janeiro. E nossas cabeças estão no momento bem conectadas. Está sendo um ótimo trabalho.
 
Gostaria de saber como a Gisele foi chamada pra fazer esse filme.
GI:
Na verdade, a primeira audição foi com a equipe. A segunda uma surpresa: fui filmar no set. E depois de dois meses fiquei sabendo que fui aceita, e achei o máximo fazer parte disso.
 
Esse filme representa uma retomada dos filmes de ação dos anos 1980, com selva, mercenários, caçadores de recompensa?
SS:
Sim, é um filme da década de 80, com tecnologia moderna. Mas nos filmes dos anos 80, a mocinha era muito indefesa, e tinha de ser salva pelo homem. Mas desta vez temos uma personagem muito forte, e que muda o tempo todo. Mas, excetuando disso, podemos dizer que é um filme do tipo daqueles da década de 1980.

 

Em que locações vocês vão gravar aqui no Rio? Vão gravar em Tavares Bastos, uma favela? E como é atuar e dirigir em um mesmo filme?
SS:
Não é problema se você conhece bem o roteiro, e eu conheço porque fui eu que o escrevi. É um desafio louco que eu gosto porque você sabe exatamente onde estar e o que dizer. É muito cansativo, mas com certeza vale a pena. Sobre as locações, há o Parque Lage, Mangaratiba, que fica a uma hora e meia daqui, e Tavares Bastos. Estamos fazendo muita ação, com umas cenas bem grandes, que nunca tentamos antes. Hoje filmamos no porto, com esses barcos gigantes, com piratas somalianos, mesmo estando no Brasil. Mas é uma ótima locação, este é o problema de ter muita imaginação, todo dia, vemos coisas novas. Esse filme podia durar dois ou três anos para ser feito, apenas adicionando mais e mais e mais e mais…
 
Nos filmes, você gosta muito de brigar, gostaria de saber se vai haver lutadores brasileiros no filme.
SS:
Eu não consigo bater em ninguém (risos). Eu só participo das lutas nos filmes, não brigo na vida real. Ela [Gisele] é durona e gosta de brigar. Estou ficando velho, me machucando o tempo todo.
 
E você sabia que tem um lutador brasileiro, o Rodrigo Minotauro, que é conhecido como o Rocky Balboa Brasileiro?
SS:
Sério?! (risos). Ó deus, só espero que ele não tenha apanhado tanto quanto eu.
 
Este filme trata de ditaduras, gostaria de saber de onde você tirou inspiração para o ditador do filme, se há alguma relação com a América Latina. E também gostaria de saber quando vai abrir as filmagens.
SS:
Estamos todos nervosos. Essa é apenas a primeira semana de filmagens. Eu gosto de abrir o set, mas somente quando a coisa já está engrenada. E sobre os ditadores, eles são absolutamente fascinantes. São loucos. No começo têm algum tipo de filosofia, mas depois, os caras se mostram loucos de verdade. E sobre inspirações, tem Coréia do Norte, Uganda, Cuba, El Salvador, Rússia e alguns exemplos da América Central. Eu fiz uma mistura de todos. O que você vê neste filme é uma mistura de ditadores reais.
 
Geralmente o Brasil é mostrado nos filmes como uma grande selva, com macacos nas ruas. Eu gostaria de saber se corremos este tipo de risco no seu filme. E quais são suas primeiras impressões sobre o Brasil.
SS:
Eu estou gostando muito do Brasil. Estou gostando de todo o processo. Mas, economicamente, foi muito bom filmar no Brasil, porque o governo é muito bom, dá muitos incentivos. Vocês têm o trabalho aqui e coisas que não conseguimos fazer nos EUA. As coisas de ação. Não é permitido, não tem mais espaço. Precisávamos do visual de selva. Precisávamos que os atores e os extras tivessem um visual específico, de um certo um tipo físico. E também tivemos muita sorte de ter ela [Gisele]. E esta é a parte difícil do casting, porque ela representa o coração do filme. É a razão pela qual os mercenários voltam. Não é por dinheiro. É importante para esses caras manterem o que ela representa vivo, protegendo a civilização. Embora os mercenários tenham vendido suas almas, mas no último segundo você diz: “sabe, você tem que retribuir, você tem que fazer algo sem ganhar nada em troca, uma causa pela qual sua morte valeu a pena”. É um tema de redenção. E meu personagem odeia o mundo. E quando eu vejo o que ela faz e as coisas pelas quais passou, meu personagem acorda, passa a se sentir vivo. É muito importante que a protagonista feminina seja super especial, não somente um rosto bonito, isso seria fácil. Mas ter habilidade, beleza e talento para poder passar a emoção, é algo muito raro, então foi muito difícil de encontrar a pessoa certa. Ela nasceu para o papel.

*Confira amanhã a crítica de Os Mercenários, por Janaina Pereira.

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Uma resposta to “Entrevista: Sylvester Stallone”

  1. Eliana Pinto Rodrigues said

    olhei o filme é muito legal!mas acho que o barney(stalone) deveria ter dado pelo menos um beijo na sandra.afinal ele arriscou a vida dele e só ganha um abraço?o filme é fantástico,mas poderia ter um beijo para ficar melhor ainda!
    aah! eu adoraria ser a sandra só pra ficar nos braços do stalone!que lindo que ele está agora!!!

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