Eclipse

junho 29, 2010

por Janaina Pereira
  
  
  
Um dos mais estrondosos sucessos recentes do cinema, a saga Crepúsculo, baseada nos best-sellers de Stephanie Meyer, tem mais um episódio chegando à telona amanhã, dia 30. Sete meses depois de Lua Nova (New Moon), o terceiro livro, Eclipse ganha sua adaptação cinematogrática promentendo agradar aos fãs e arrecadar uma boa grana nas bilheterias.
 
Para começar, não sou fã da série e acho o casal Kristin Stewart e Robert Pattinson, os protagonistas Bella e Edward, um dos mais insossos do cinema. Mas gosto não se discute, e a dupla cumpre seu papel de causar suspiros românticos neste terceiro episódio da franquia.
 
Na minha opinião, a melhor coisa da série é o versátil Taylor Lautner, que interpreta Jacob, o terceiro vértice deste triângulo amoroso. Lautner e seu personagem dão um banho em Patinson e seu Edward. E, vamos combinar, qualquer mulher em sã consciência não teria as dúvidas de Bella para escolher entre um e outro. Mas a nossa mocinha, sem graça como ela só, é claro que escolhe o que está mais a altura da chatice dela. Eu sei, eu disse que não sou fã, mas vocês já perceberam que sou ‘Team Jacob’.
 
Bem, a história todo mundo já sabe qual é. Bella (Kristin Stewart) é a jovem humana que vai morar com o pai na pequena cidade de Forks e se apaixona pelo vampiro Edward (Robert Pattinson). A história do amor impossível do casal foi o ponto de partida da saga, em Crepúsculo (Twilight). Na sequência Lua Nova, Edward se afasta de Bella, achando que é muito perigoso seu envolvimento com a moça. Solitária, ela encontra conforto nos braços (e que braços!) do amigo Jacob (Taylor Lautner), que revela seus poderes de se transformar em lobo.
 
Em Eclipse, Bella encontra-se em perigo por causa de Victoria ( Bryce Dallas Howard), que ainda a ameaça para vingar a morte de seu ex-parceiro James. Enquanto isso, várias mortes sem explicação passam a acontecer em Seattle, uma cidade próxima a Forks. Bella também se vê obrigada a decidir entre Edward e Jacob e, relecionado com isso, a permanecer humana ou tornar-se vampira.

O diretor David Slade foca na ação e explora bem o confronto entre Edward e Jacob pelo amor de Bella, para delírio do Team Edward x Team Jacob. Isso traz uma certa leveza ao filme, contrapondo com as cenas de luta entre os veteranos vampiros e os recém-criados, como são chamados os vampiros novos. A trilha sonora mais uma vez é destaque, sempre bom baladas e músicas teens. Na versão dublada terá uma música da banda Hori, do atual queridinho nacional, o ator/cantor Fiuk.

Para os fãs, Eclipse é um prato cheio de aventura e romance. Superior aos filmes anteriores, o longa é entretenimento puro e menos sofrível graças a presença de Taylor Lautner. Se a Bella tem dúvidas, eu não tenho: Jacob é o melhor.
Leia a entrevista de Kristin Stewart e Taylor Lautner.

Toy Story 3

junho 18, 2010

 
 
por Janaina Pereira
 
 
Lembro exatamente do dia em que fiz a doação dos meus brinquedos. Eu já passava dos 20 anos e escolhi uma amiga, que tinha três filhas pequenas, para herdar aqueles que fizeram parte da minha infância. O rito de passagem da infância/adolescência para a vida adulta só acontece, de fato, quando deixamos para trás as bonecas e carrinhos que representaram os melhores anos de nossas vidas. E é a despedida dos brinquedos mais famosos do cinema o ponto de partida de Toy Story 3, o terceiro episódio de uma bem-sucedida franquia criada pela Pixar, que encanta adultos e crianças e estreia hoje.
 
Bem, despedida é força de expressão. Na verdade é bem provável que a animação ganhe outros episódios. Mas, oficialmente, o trio Andy-Woody-Buzzlightyear vai se separar neste terceiro filme. Esta é a trama de Toy Story 3: Andy cresceu, está com 17 anos e vai para a faculdade. Sua mãe o obriga a dar um jeito nos brinquedos que o acompanharam pela vida – e nos alegraram nos filmes anteriores. Andy decide levar o caubói Woody para a faculdade, e o restante dos brinquedos, incluindo Buzz, vão para o sótão.
 
Mas, obviamente, nem tudo é simples assim. A mãe de Andy confunde os sacos e os brinquedos que iam para o sótão vão parar em uma creche. Woody, como sempre, quer manter todos unidos e corre contra o tempo para reunir os velhos companheiros e ainda partir com Andy para a faculdade. Para surpresa do caubói, Buzz & cia se sentem úteis novamente na creche com a possibilidade de terem outros donos que brinquem com eles, coisa que Andy já não fazia mais. Porém, o brinquedo que manda no local, o aparentemente fofo ursinho Lotso tem outros planos para os novos moradores.
 
Sem perder o ritmo, nem as piadas, Toy Story 3 mantém o pique dos primeiros filmes, e não decepciona os espectadores que cresceram com Andy, ou aqueles que já eram adultos – como eu – e recordaram a infância graças às histórias. Assim como os anteriores, este aqui traz cenas que vão entrar para a história do cinema, como o encontro de Barbie e Ken e o momento em que Andy precisa decidir o que fazer com Woody. Além disso, as ótimas dublagens – tanto do original (lideradas por Tom Hanks como Woody) quanto do dublado – continuam dando força ao animado, que agora também tem uma (desnecessária) versão em 3D.
 
Embora muita gente reclame que a Pixar só faz animações adultas, continuo defendendo que ninguém entende melhor o universo infantil do que eles. Afinal, quem nunca imaginou seus brinquedos falando? O que a Pixar faz é levar o lúdico mundo dos pequenos para a telona com toda a graça e sinceridade que uma criança tem.
 
Toy Story 3 faz da franquia um clássico das animações, uma série de filmes antológicos para se emocionar e chorar. As crianças se identificam e os adultos também, e isso torna Andy, Woody e Buzz peças fundamentais do mundo cinematográfico como personagens inesquecíveis.

Por William Magalhães

Kick-Ass – Quebrando tudo. Guarde este nome. Kick-Ass é um super-herói sem poderes vivido pelo jovem nerd Dave Lizewski (Aaron Johnson). Nada de extraordinário acontece na vida do rapaz. Nenhuma aranha radioativa o pica. Seus pais não são mortos a tiros, em sua frente, em um beco. E ele tampouco ganha um anel mágico de alienígenas.

Fã de quadrinhos, o adolescente que passa horas se masturbando na frente do computador, um dia se pergunta por que ninguém da vida real nunca tentou se transformar em um herói. A resposta ele descobre rápido. Porque dói. Após comprar uma roupa de mergulho pela internet, o estudante sai às ruas à caça de criminosos.

Em seu primeiro combate ele se dá mal, apanha e é esfaqueado. Quando é encontrado pela ambulância, num rompante de lucidez ele pede ao médico que guarde segredo sobre a fantasia. O boletim de ocorrência diz então que ele foi encontrado nu. A partir daí o boato de que ele é gay surge em sua escola.

Longe de ser um total infortúnio, a história rende a ele uma aproximação com Katie (Lyndsy Fonseca) uma das garotas mais bonitas do colégio e por quem ele tem uma leve paixão. Mesmo depois de levar a sova, Dave persiste em continuar bancando o herói.  Um vídeo com sua performance é postado no You Tube e imediatamente faz sucesso. Kick-Ass e alçado ao posto de celebridade instantânea.

Enquanto isso, vemos a pequena Mindy Macready (Chloë Grace Moretz) levar um tiro de seu pai, o ex-policial Damon Macready (Nicholas Cage). Se a motivação de Kick-Ass é fazer o bem, a de Damon, que atua sobre o codinome e o disfarce de Big Daddy ao lado da sua filha, a bem treinada e sanguinária Hit Girl, é a mais pura vingança. A dupla de heróis combate a gangue do traficante Frank D’amico.

Repleto de cenas engraçadas e referências ao universo das histórias em quadrinhos, Kick-Ass – Quebrando Tudo  estreia nesta sexta, 18, como um verdadeiro festival de sangue, matança, porradas e tiroteios. Longe de possuírem a ética dos heróis tradicionais para os quais a morte é uma linha tênue a ser cruzada, os personagens do longa do diretor Matthew Vaughn, marido da modelo Claudia Schiffer. A violência do longa é equilibrada. Em algumas partes é pop e lembra bastante Kill Bill ou Pulp Fiction.

Tão sangrenta quanto as imagens da telona é a HQ que inspirou o filme. Aliás, o trabalho de Mark Millar e John Romita Jr. foi feito simultaneamente ao de Vaughn, que também é roteirista do filme ao lado de Jane Goldman. Por isso não se assuste com cenas em formato de quadrinhos que aparecerem no meio do longa.

Moderno, Kick-Ass – Quebrando Tudo é um puro exercício de metalinguagem. Das bancas para as telonas, da vida real para internet. Do anti-herói ao heroísmo.

Patrik 1.5

junho 16, 2010

por William Magalhães

Tudo vai bem na vida de Goran (Gustaf Skarsgård) e Sven (Torkel Petersson). Eles acabam de se mudar para uma nova casa em uma nova vizinhança – uma espécie de subúrbio fofo e colorido nos mesmos moldes de Desperate Housewives -, onde a princípio são bem recebidos. O casal, no entanto, quer mais. Goran, bem mais que Sven, deseja formar uma família, ter filhos. Dada a impossibilidade genética de conceberem, eles recorrem à adoção.

Como muitos países não permite a adoção por casais gays, o serviço social não permite que ambos adotem. Até que um belo dia chega uma carta apresentando Patrik, um jovem que passou por uma série de problemas familiares. Um erro de digitação faz o casal esperar a chegada de um bebê de 1 ano e meio quando vem até eles um adolescente de 15.

Na impossibilidade imediata de resolver o engano, o casal vai até o serviço social onde descobre que o jovem passou por uma série de orfanatos e chegou a cometer alguns crimes. A falta de amor resulta num típico caso de rebeldia marginal do garoto. Mas a postura arredia e  homofóbica vai se desmoronando com o passar do tempo e à medida que ele começa a cuidar dos jardins das casas vizinhas.

Sven acaba não vendo isso. Com a chegada do rapaz, ele e Goran têm uma crise forte na relação. A gravidade da situação é elevada com os problemas com bebida do publicitário. Enquanto o tempo passa e Goran tenta encontrar uma família para Patrik, o jovem acaba fazendo amizade também com as crianças vizinhas, que antes os insultavam.

Dirigido pela sueca Ella Lemhagen, Patrik 1.5 mostra sem pudores a relação de um casal gay, com cenas de beijos e troca de carinho e afeto sem a caretice que há, por exemplo, em O Golpista do Ano, só pra ficar no exemplo de outra estreia recente com temática homoerótica de fundo.

Sem levantar bandeiras ou fazer militância o longa revela um pouco das dificuldades de um casal gay também conseguir adotar. O filme, que estreia nesta sexta, 18, tem o mérito de contar uma história sobre o amor e sobre a construção de uma família, sem ser muito baunilhinha tipo comercial de margarina ou conservador do tipo tradição e propriedade.

O Profeta

junho 15, 2010

 

por Janaina Pereira

Nesta sexta, 18, o indicado francês a melhor filme estrangeiro finalmente chega aos nossos cinemas. Cercado de prêmios – ganhou o Grande Prêmio do júri em Cannes e nove troféus no César – O profeta, de Jacques Audiard, promete mais do que cumpre.

Talvez por ter assistido ao filme cercada de expectativas, achei a história muito cheia de detalhes, o que a torna longa demais. O profeta peca pelo excesso de situações que contam o drama de um jovem imigrante (interpretado por um brilhante Tahar Rahim) em uma prisão francesa.  O

O filme mostra com riqueza de detalhes a trajetória deste jovem na prisão e sua  evolução desde pobre delinquente a hábil protagonista do crime organizado. E são estes detalhes excessivos que incomodam. Tudo é muito explicado, minuciosamente narrado, e muitas vezes a trama é sangrenta e apelativa demais.

Apesar disso, a boa atuação do protagonista e a última meia hora – em que a história dá uma boa e inteligente virada – acabam fazendo de O profeta um filme interessante para quem tiver paciência de assisti-lo.

Cartas para Julieta

junho 11, 2010

 

por Paloma Ornelas*

Em Cartas Para Julieta (Letters To Juliet), estreia romântica de hoje, véspera do Dia dos Namorados, a pesquisadora Sophie (Amanda Seyfried) está de malas prontas para uma viagem romântica com o noivo e chefe de cozinha Victor (Gael Garcia Bernal), diretamente para Verona, na Itália. Lá o rapaz só pensa em conhecer novos temperos, receitas, vinhos e sabores para inauguração de seu restaurante. Com tempo livre e buscando inspiração para escrever suas próprias histórias, Sophie decide visitar o lugar que serviu de cenário para a famosa história de Shakespeare e conhece ‘as secretárias de Julieta’. Um grupo de simpáticas senhoras responsáveis por responderem uma a uma as cartas de outras mulheres com problemas amorosos que pedem a ajuda de Julieta na esperança de serem atendidas.

Ao encontrar uma carta escondida há cinqüenta anos e respondê-la, Sophie não poderia imaginar que a dona da carta, a hoje senhora Claire (Vanessa Redgrave), receberia a resposta à pergunta feita nos tempos de estudante. Quando Claire retorna em companhia de seu cético neto Charlie (Christopher Egan) à Verona, os três juntos fazem em uma viagem na procura do amor da vida de Claire, Lorenzo (Franco Nero).

Com as bênçãos de Romeu e Julieta, essa comédia romântica com tintas leves brinca com a possibilidade de se retomar um amor do passado. Sophie, Charlie e Claire embarcam nessa road trip investigativa na busca por Lorenzo e, no desenvolver da história, seus personagens apresentam sua essência de modo intimista.

O descrente Charlie no fundo só precisa de uma chance no amor com a pessoa certa, a pesquisadora Sophie quer saber e recontar o final dessa história na qual ela mesma é uma das protagonistas e fio condutor, e Claire espera que Lorenzo assim como ela não tenha se esquecido do que existiu no passado.

Em contraponto ao romantismo das duas mulheres Charlie representa à lógica, numa figura tipicamente inglesa, o homem sério e sarcástico disposto provocar a todo o momento. Méritos dos roteiristas Jose Rivera e Tim Sullivan, em balancear a procura particular de cada personagem pelo amor segunda suas próprias crenças em um roteiro bem amarrado e conciso.

O diretor Gary Winick está acostumado a comédias românticas e fez bom uso disso ao trazer delicadeza para a narrativa em especial na sutil interpretação de Vanessa Redgrave para uma Claire ora esperançosa ora relutante, dando a uma mulher já na terceira idade aspectos joviais característicos do primeiro amor. Ainda vale destacar a química entre Seyfried, Redgrave e Egan, ambos funcionam muito bem juntos em cenas bem dirigidas. Há ainda o hiperativo Victor de Gael Garcia Bernal divertidíssimo louco e egoísta.

Saem os Capuleto e Montecchios, entra Claire, Lorenzo, Sophie e Charlie. Cartas Para Julieta é uma comédia despretensiosa, leve e sensível que aborda como poucas o amor e sua essência na terceira e talvez melhor idade.

*Paloma Ornelas é jornalista do site Laskakumbuka e escreveu esta crítica à convite do Cinemmarte.

Plano B

junho 10, 2010

 

por Paloma Ornelas* 

Plano B (The Back-Up Plan), que estreia nesta sexta, 11, começa quando Zoe (Jennifer Lopez), uma bem sucedida dona de petshop, sente o tic tac do relógio biológico bater cada vez mais depressa. Sem esperanças de encontrar o homem certo ela resolve encarar uma gravidez independente e realizar o sonho de ser mamãe. Após ser inseminada, ao sair da clínica, ela conhece de forma inusitada Stan (Alex O’Loughlin) e não demora muito até que os dois se apaixonem.

 Agora grávida, Zoe e Stan precisam lidar com a recente vida a dois e uma gestação repleta de confusões.É notório que mães de primeira viagem enfrentem o nervosismo, inseguranças com o corpo e tenham lá suas manias, mas as situações mostradas em Plano B são elevadas à décima potência com a intenção de fazer rir e o tiro sai pela culatra. Em certos momentos, algumas cenas beiram o absurdo e caem para o mau gosto como a do parto de uma das amigas de Zoe em uma banheira com outras tantas entoando cânticos estranhos.

Sem querer levantar bandeiras, o filme ainda tende para um retrocesso (mesmo que inconsciente) da cultura feminista. A ideia de uma mãe solteira não por opção, mas, sim, por falta de um parceiro considerado ‘certo’, soa ultrapassada com as novas configurações e família nos dias de hoje.

O plano B que dá nome ao  título, apenas enfatiza o quão no fundo a personagem de Lopez estava despreparada para ser uma mãe solteira e necessita da presença de uma outra pessoa (no caso de Stan), para compensar a ausência de seu próprio pai na infância e sobrepor um modelo de família considerado por ela desestruturado.

Se no começo vemos uma mulher consciente de seus desejos e condizente com o perfil da mulher atual, no decorrer da história ela se converte em uma mulher carente e complexada com medo de ter um filho sozinha. Embora, a princípio é essa a ideia pensada por ela.

As atuações também são medianas nada que prejudique ou eleve a qualidade do filme que de modo geral é bem inconstante. O ponto alto do filme são os diálogos entre Zoe e Mona (Michaela Watkins), sua melhor amiga, mãe de quatro filhos e responsável pelas melhores sacadas em um roteiro bem fraco, No mais, “Plano B” desconstrói de maneira inverossímil e exagerada a ‘batalha’ de uma mulher que se propõe a ser mãe seja solteira ou acompanhada.

 *Paloma Ornelas é jornalista do site Laskakumbuka, e escreveu esta crítica à convite do Cinemmarte.

 

A Última Música

junho 9, 2010

 

por Paloma Ornelas* 

Mais uma entre tantas outras adaptações para o cinema baseadas em um romance de Nicholas Sparks, A Última Música(The Last Song), estreia desta sexta, 11, conta a história de Verônica ‘Ronnie’ Miller (Miley Cyrus), uma adolescente obrigada a trocar Nova York por uma cidadezinha praiana e passar o verão junto do pai e do irmão mais novo. Na transição entre a agitação da cidade e a rotina do interior, Ronnie conhece Will (Lian Hemsworth).

 A princípio eles não se dão bem, mas quando novos acontecimentos surgem Ronnie se depara com uma situação que muda sua perspectiva da cidade, do pai, do irmãozinho e do próprio amor. Sem fugir a regra Ronnie encarna bem os estereótipos tão comuns nessa idade. Obviamente, a mudança a contra gosto altera seu humor e ela se transforma numa verdadeira mala sem alça que atormenta o pai Steve (Greg Kinnear) e o irmãozinho Jonah (Bobby Coleman) por quase todo o verão.

Mesmo assim sendo uma rebelde sem causa (e vivendo de frente para a praia), o roteiro se preocupa em enfatizar o lado bom da menina que encara noites a frio a fim de salvar alguns ovos de tartaruga ameaçados por outro animal.  Para equilibrar a balança surge um Will doce e gentil diferente do que é retrato num primeiro momento.

A velha máxima de que opostos se atraem funciona como uma luva aqui. Dilemas já exaustivamente explorados como o relacionamento familiar norteiam boa parte do filme, no entanto, sua abordagem soa apelativa e repetitiva na mais antiga fórmula, filha rebelde briga com pai legal e implicava com irmão travesso.

Uma Miley Cyrus descabelada dá vida a Ronnie, sua interpretação não convence e reafirma a ideia de que seu talento para atuação está ligado diretamente à peruca loira de Hannah Montana, a gradativa mudança que a personagem sofre durante o filme se perde muito pela carência da atriz como a falta de uma boa direção, mas nada comparado ao Will de Lian Hemsworth, o rapaz é bonito, porém sua total falta de habilidade para atuar beira a canastrice.

Em contrapartida ao casalzinho protagonista, o espectador é brindado com as impecáveis atuações de Greg Kinnear (na medida) e do novato Bobby Coleman, o garotinho Jonah pinta e borda mostrando um talento promissor que engole todos no filme.

Ancorado na presença do Miley Cyrus no elenco e tendo a música como contexto da narrativa, A Última Música está mais para divertir os fãs da cantora (porque é isso o que ela é, cantora e não atriz), do que para um bom filme de drama familiar ou romântico. Depois dessa é hora de se perguntar se Nicholas Sparks não estaria perdendo a forma?

 *Paloma Ornelas é jornalista do site Laskakumbuka, e escreveu esta crítica à convite do Cinemmarte.

 

Marmaduke

junho 4, 2010

por William Magalhães

Marmaduke é um filme infantil. É também uma comédia romântica animal. Literalmente. O protagonista é um dogue alemão que pesa 90 quilos. O longa, em cartaz a partir de hoje, se passa quando o cão e sua família se mudam do Kansas para a Califórnia.  
 
Os Winslow são Phil, o pai, Debbie (Judy Greer, a Lucy de De Repente 30) a mãe e os filhos Barbara, Sarah e Brian (Finley Jacobsen, de Marley e eu).  O dia a dia de todos é alterado quando o Phil recebe uma proposta melhor de trabalho. 
 
No novo emprego, Phil vai acompanhado de Marmaduke até o parque dos cachorros onde boa parte das ações se desenvolvem, com os mais diversos tipos de cães correndo para todos os lados ao longo de todo o filme.

Quando chega, o dogue é apresentado a um mundo com o qual não estava muito acostumado. O parque vira logo uma metáfora para as escolas de ensino médio, com os cães representando os mais variados estereótipos. A cadelinha patricinha, o cachorro atleta, os cães hippies, os de raça e os vira-latas.

A princípio Duke é bem recebido pelos membros do último clã, em especial por Mazie, que logo simpatiza com o grandalhão. A chegada do dogue e sua paixão por Jezebel, uma cachorra collie, a mesma raça de Lassie, mexem com os ânimos de Bosco, o temido rottweiler local e chefão dos cães com pedigree.

Um dos grandes eixos do filme gira em torno da teimosia e de não saber escutar. Tanto Duke não ouve seus amigos vira-latas como Phil não dá a devida atenção ao filho, que prefere skate a futebol, e a filha adolescente que só quer impressionar o surfista mais bonito do colégio e ir às festas.

Os personagens aprendem a lidar com isso quando Duke foge de casa e se perde. A partir daí é  aquele desfecho cheio de moral. A família é importante, devemos nos aceitar como somos, todos são iguais, etc. etc. Vale a ida ao cinema pra levar as crianças, mas também não faz falta esperar a exibição na “Sessão da Tarde”.

por Paloma Ornelas*

Mais uma adaptação saída do vídeo-game direto para a telona, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo(Prince of Persia: The Sands of Time), principal estreia deste feriadão, conta a história de Dastan (Jake Gyllenhall), um órfão pobre que vagava com seus amigos pelas ruas da mítica Pérsia, em tempos de grandes batalhas e conquistas de muitos impérios.

Em um de seus passeios pela cidade, o Rei Sharhrman percebe a coragem de Dastan (o príncipe que dá nome ao título), e o leva para seu castelo criando-o junto de seus filhos. Anos mais tarde, já nos campos de batalhas os três irmãos tornaram-se exímios combatentes e responsáveis por muitas conquistas, no entanto, seu irmão mais velho Tus (Richard Coyle), agora comandante das tropas fortemente influenciado pelo tio e conselheiro de batalha Nizan (Bem Kingsley), decide invadir a cidade sagrada de Alamut, contrariando as ordens do pai.

Residência da Princesa Tamina (Gemma Arterton) a cidade guarda entre suas paredes um artefato místico de grande poder. Uma adaga que permite a seu guardião controlar o tempo. Após um atentado que incrimina Dastan, este se vê obrigado a fugir tanto para proteger sua vida, assim como, para recuperar as areias do tempo necessárias para o funcionamento da adaga. Tão logo, príncipe e princesa partem para uma jornada de muitas aventuras.

Com o nome de Jerry Bruckheimer ao fundo, “Príncipe da Pérsia” tem as características para se tornar a mais nova franquia de Hollywood. No entanto, nesse primeiro trabalho o resultado deixa muito a desejar. O filme é recheado de fórmulas super batidas tão comuns ao gênero ação com pitadas de realidade fantástica.

Como sempre o herói não sabe lidar muito bem com ordens o que o torna insubordinando simultaneamente adorado por seus colegas. Mesmo que arrisque as vidas de muitos homens na guerra para salvar outros poucos ele segue seu instinto de justiça.  A mocinha no começo cheia de atitude e destemida acaba por virar uma chata que na maioria das vezes só atrapalha na busca pelas areias, e o vilão invejoso não consegue superar a frustração de ser o irmão e não ele o rei de toda a Pérsia. E ainda sobra espaço para àquelas velhas lições de moral apelativas sobre confiança entre irmãos e amor à família. 

A direção de Mike Newell, peca principalmente no ritmo do longa que engrena mesmo do meio para o final tornando o filme arrastado por várias sequências. Com efeitos especiais bem acabados Príncipe da Pérsia, credita pontos por não optar por uma versão em 3D, após muitos exemplos, pode-se notar que nem sempre está a essa a melhor contribuição na forma de se contar uma história.

O filme é um exercício preguiçoso do talento de Jake Gyllenhall,  aqui  desperdiçado em um personagem ora enfadonho ora caprichoso. No quadrante dos nomes principais, a ponta mais fraca é sem dúvida Genna Arterton, sua Tamila é inexpressiva e de longe é a escolha errada para um papel de destaque como esse. Fica evidente a falta de maturidade da atriz de sotaque fortíssimo. O quadrado se fecha com Ben kingsley dando um ar caricatural a Nizan, no qual se lembra bastante os antigos vilões dos desenhos animados da Disney e ainda Alfred Molina com esporádicas, porém, ótimas aparições como o viciado em corridas de avestruzes Sheik Amar.

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo pode agradar em cheio aos muitos conhecedores do jogo, os efeitos visuais bacanas, os figurinos, a direção de arte e grandiosos cenários estão coerentes com a proposta do filme, o que falta é amarração e sentido na história em si. No mais parece que toda a questão central se resolveria com umas boas sessões de análise para Nizan curar seu o de inferioridade.

 *Paloma Ornelas é jornalista do site Laskakumbuka, e escreveu esta crítica à convite do Cinemmarte.