Fúria de Titãs

maio 18, 2010

 

 

por Janaina Pereira

Quando eu era criança, meu filme preferido da Sessão da Tarde sempre foi Fúria de Titãs. Lançado em 1981 nos cinemas, a mega produção trazia Laurence Oliver, o maior intérprete de Shakespeare, como Zeus, e contava uma história ficcional a respeito dos deuses do Olimpo. Foi este filme que criou em mim uma fascinação – que permanece até hoje – sobre a Grécia.

Assim que soube do remake do longa fiquei com pé atrás. Achava desde o começo que seria uma bomba. Não me parece que, nos dias de hoje, as histórias gregas atraiam o público. Tróia e Alexandre, o Grande são provas disso. E vamos combinar que Liam Neeson fazendo o papel que foi de Laurence Olivier não tem a menor graça. Apesar disso, estava muito curiosa para assistir ao filme. E minhas suspeitas se comprovaram. Fúria de Titãs (Clash of Titans), de Louis Leterrier, estreia desta sexta, dia 21, é um filme que deixa muito a desejar mas, para minha surpresa, por causa do pífio 3D e não pela história em si.

Fúria de Titãs foi filmado em 2D e convertido para 3D, o que destruiu completamente o filme. Os atores parecem ter mil cabeças, as cenas de profundidade não tem nada de profundo e até a legenda é tosca. Parece que, cada vez mais, os estúdios querem empurrar o 3D garganta abaixo dos espectadores, garantindo assim ingressos mais caros e, consequentemente, uma grana extra na bilheteria. No caso específico de Fúria de Titãs o que vemos é uma falta de respeito com o espectador, que assiste a um filme visualmente de baixa qualidade. Triste, para dizer o mínimo.

A trama, em relação à original, sofre ligeiras modificações. Nascido da união entre um deus e uma mortal, Perseu (Sam Worthington) é criado como homem e não sabe que é um semideus, até que sua família é aniquilada por Hades (Ralph Fiennes), o vingativo deus do reino dos mortos. Sem nada a perder, Perseu se oferece como voluntário para comandar a perigosa missão de derrotar Hades, antes que este consiga obter poder de Zeus (Liam Neeson) e, assim, possa instalar o inferno na Terra. Liderando um grupo de guerreiros, Perseu parte numa jornada nas profundezas dos mundos proibidos. E a diferença desta história para a original é que tudo gira em torno do trio Perseu – Hades – Zeus, quando no filme de 1981 outros deuses têm destaque, como Athenas e Afrodite (essa interpretada pela eterna bond girl Ursula Andrews).

Sam Worthington não aparenta emoção com seu Perseu e sua performace é totalmente automática. Parece que está na hora do ator escolher filmes diferentes para atuar – ele fez Terminator 4 e Avatar antes de protagonizar Fúria de Titãs. Ralph Fiennes e Liam Neeson se esforçam, mas chamam mais a atenção pela semelhança física do que pelas atuações.

No final das contas, o simpático infanto-juvenil Percy Jackson, lançado por aqui em janeiro e que conta a história de um Perseu adolescente que vive nos dias atuais, é bem mais honesto do que esse Fúria de Titãs cheio de firula. Uma pena: os deuses mereciam uma apresentação um pouco mais digna para esta nova geração, que talvez nunca entenda porque os maiores de 30 tiveram a infância marcada pelo filme original.

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