Sex and the City 2

maio 27, 2010


 
Por William Magalhães  
 
Esqueça Alice e Avatar. Sex and the City 2 é o filme do ano. Não que o primeiro tenha sido um fracasso, mas se comparado à série a estreia da franquia foi fraca em termos de histórias, drama, ironia e piada.

Nenhuma desses ingredientes falta a sequência que estreia nesta sexta (28). A abertura já é  empolgante. As batidas de Empire State of Mind mixadas com a tradicional música de abertura da série desarmam logo de cara qualquer um que estiver com a expectativa baixa em relação ao longa.

A tomada aérea de Nova York desce até chegar até a porta do prédio onde Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), agora Carrie Preston – ela é uma moça casada afinal -, pede glamurosomante um táxi. Como contraponto a cena corta para um rápido flashback. Carrie aos 16 anos, recém chegada a cidade em 1986.

Nas cenas seguintes Carrie narra como conheceu Charlotte, Miranda e Samantha. Um pouco do passado nada fashion do quarteto é exibido alternado com as quatro mulheres poderosíssimas em Manhattan.

O casamento de Stanford Blatch e Antony Marantino, com direito a Liza Minelli celebrando a união dos pombinhos e cantando uma versão meio caída de Single Ladies, dá o start ao filme, que a partir daí vira um grande episódio da série.

A história gira em torno dos problemas de cada uma das protagonistas. Miranda precisa conciliar a carreira com a vida familiar. Samantha toma hormônios para não envelhecer, retardar a menopausa e manter aceso seu apetite sexual.  
 
Charlotte teme ser traída pelo marido com a babá gostosa e ainda passa por dificuldades para controlar o forte gênio das duas filhas pequenas. Carrie, por sua vez, percebe que a vida de casada não é aquele mar de rosas com o qual sonhava. A colunista passa a implicar com o sapato de Mr. Big em cima do sofá e sente falta de sua vida sem o agito nova-iorquino.

A oportunidade para espairecer surge quando Miranda é convidada para uma reunião de negócios em Abu Dhabi, com direito a passagens e hospedagem na faixa para as quatro. Em meio ao luxo sem fim apresentado neste emirado árabe do novo Oriente Médio, Carrie reencontra Aidan, um de seus namorados durante a série. 
 
Com o fantasma da traição perseguindo Carrie, as amigas vão resolvendo seus conflitos como na série. Uma básica reunião entre elas, alguns drinks e muita diversão. O filme guarda momentos hilários e bem amarrados com piadas irônicas que vão da crise financeira ao conservadorismo islâmico.

O bom-humor da série está de volta nas telonas. No final, Sex and the City 2 acaba sendo uma fábula moderna – e fashion – sobre redescobrir-se e fazer as próprias regras. Como qualquer mulher independente.

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O Escritor Fantasma

maio 26, 2010

 
 
por Janaina Pereira
 
 
A vida pessoal de Roman Polanski nunca deveria ser maior do que sua obra. Infelizmente esse pensamento é um pouco difícil de se explicar quando lembramos os fatos que cercam o diretor. Sua então esposa Sharon Tate foi assassinada de forma brutal em 1969 por Charles Manson e integrantes do culto que este liderava. Quando foi morta, Sharon estava grávida de 8 meses daquele que seria seu primeiro filho com Polanski.

As situações sinistras que cercam o cineasta não param por aí: condenado por estupro de uma garota de 13 anos em 1978, o diretor nunca mais pode colocar os pés nos EUA. Em 2009, a convite do Festival de Cinema de Zurique, viajou à Suíça para receber um prémio pela sua carreira cinematográfica e acabou sendo preso sob a alegação de que um mandado internacional de prisão contra ele estava em vigor, devido à condenação de estupro. Depois de muito disse-medisse foi solto e seguiu sua carreira com a mesma habilidade anterior ao escândalo.

 
Roman Polanski sempre foi um diretor de muitas facetas. Você pode conhecê-lo dos clássicos O bebê de Rosemary e Chinatown, ou de filmes medianos como Busca Frenética, ou ainda de trabalhos polêmicos como Lua de Fel, mas uma coisa em sua cinebiografia não muda: a intimidade com a câmera. O diretor sabe, como poucos, fazer de uma história cheia de clichês um exemplo de direção cativante. É o que acontece com O Escritor Fantasma (The ghost writer), seu novo filme que estreia nesta sexta, 28.
Adaptação do livro The Ghost, de Robert Harris, a história pode ser desvendada facilmente nas primeiras cenas mas, graças ao talento de Polanski, ela consegue ser mais interessante do que de fato é. O cineasta, merecidamente, levou o Urso de Prata de direção em Berlim este ano pela obra.
 
A trama gira em torno de um escritor fantasma britânico de sucesso (Ewan McGregor), que concorda em completar as memórias do ex-primeiro-ministro britânico Adam Lang (Pierce Brosnan). Seu agente lhe assegura que é a oportunidade de uma vida mas o projeto parece condenado desde o início – até porque o seu antecessor no trabalho morreu em um infeliz acidente.
Em um mundo em que nada e ninguém é o que parece ser, o escritor fantasma logo descobre que o passado pode ser fatal e que a história é decidida por quem permanece vivo para escrevê-la.
 
O protagonista ser interpretado pelo ótimo Ewan McGregor já ajuda – e muito – a narrativa. O ator segura o filme com uma interpretação convincente, apoiada no carinho com que Polanski filma seu personagem. Compartilhamos de todas as angústias do protagonista e torcemos por ele mesmo quando já sabemos como vai terminar a história. O restante do elenco também faz sua parte, com destaque para Kim Cattrall, que mostra ser uma atriz de mais recursos do que Sex and the City deixa transparecer.
 
Mesmo sendo previsível, O Escritor Fantasma não decepciona. Pelo contrário. O jogo de cenas, com enquadramentos e sequências de tirar o fôlego, dão à narrativa um ritmo crescente, o que comprova o talento de Polanski em filmes de suspense. A sutileza de sugerir sem mostrar é um dos maiores trunfos do longa, que assim conquista até uma pessoa como eu que sempre reclama dos roteiros que se repetem no cinema. O Escritor Fantasma é uma aula de direção, daquelas que você contempla cada momento sem piscar os olhos, comandada pelo polêmico e talentoso Roman Polanski.

Pela primeira vez, uma mostra cinematográfica brasileira centra suas atenções na produção audiovisual sobre a maior paixão do país. Rio de Janeiro e São Paulo vão receber o CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol.

Segundo Antonio Leal, diretor e idealizador do festival, “o objetivo é oferecer à sociedade um evento inédito, de excelência, capaz de unir a magia do futebol à emoção do cinema. Duas artes centenárias e apaixonantes”.

No Rio de Janeiro, de 27 de maio a 1o de junho, acontecerão no Unibanco Arteplex as Mostras Competitivas de longas (com 8 filmes) e curtas (com 14 produções), além da exibição fora de concurso do documentário “João”, sobre o sempre polêmico João Saldanha. Somam-se assim 23 filmes selecionados e convocados.

Como na seleção de Dunga, as produções escolhidas são todas brasileiras vindas de Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

E no CINEfoot quem manda é a torcida: a sessão de encerramento, no dia 1o de junho, vai premiar com a Taça CINEfoot o melhor curta e o melhor longa da Competição, escolhidos pelo voto popular. Haverá também a exibição dos filmes vencedores do último 11MM – Festival Internacional de Filmes de Futebol, realizado na Alemanha, o mais importante evento do mundo da categoria, e parceiro do CINEfoot.

Já de 4 a 6 de junho, o CINEfoot se transfere para São Paulo, no Museu do Futebol do Estádio do Pacaembu, onde acontecerão as exibições “amistosas” (sem caráter competitivo) de 8 curtas e 3 longas metragens. O goleiro tricampeão Félix e o cineasta Maurício Capovilla serão os homenageados.

A mostra também vai prestar homenagens a personalidades do mundo do Futebol e do Cinema. No ano 1 da Mostra, o futebolista escolhido é o goleiro Félix, dono da camisa número 1 do Brasil na conquista do tricampeonato mundial em 1970.

O CINEfoot é uma realização da Conexão Cultural e do IBEFEST – Instituto Brasileiro de Estudos de Festivais Audiovisuais, produtoras com destacada atuação no segmento de festivais audiovisuais no Brasil e no exterior.

CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol De 27 de maio a 1º de junho. Unibanco Arteplex – sala 1 – Praia de Botafogo 316, Botafogo – RJ.

Mesa Redonda “O cinema brasileiro está preparado para Copa de 2014?”, com Birger Schmidt. Dia 31 de maio, às 15 horas, no Baukurs Cultural – Rua Goethe no. 15, Botafogo – RJ.

De 4 a 6 de junho. Museu do Futebol – Estádio do Pacaembu – Praça Charles Muller – São Paulo – SP.


Por Diego Estrella
 
A coletiva de imprensa para o lançamento do filme Quincas Berro D’Água – que estreia hoje contou com a participação do diretor Sérgio Machado, do elenco, do diretor de arte, Adrian Cooper, e do compositor da trilha sonora, Beto Villares. Os membros do elenco presentes foram a trupe principal do enredo, Paulo José (Quincas), Flávio Bauraqui (Pastinha), Irandhir Santos (Cabo Martim), Luis Miranda (Pé de Vento) e Frank Menezes (Curió).

A conversa com os jornalistas foi marcada por um tom informal, com inúmeras brincadeiras entre o elenco e o diretor. De início, Sérgio Machado explicou que sua relação com Jorge Amado existe desde o começo de sua carreira, quando o escritor o apresentou a Walter Salles, com quem o diretor trabalha até hoje. O livro A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água é, segundo ele, o melhor livro do escritor.

“O tema central é a morte, mas [o filme] fala o tempo todo da vida”, explicou. E essa idéia foi reforçada depois por Frank Menezes ao falar que o filme é uma homenagem à amizade e à vida. A amizade, aliás, estava também fora das câmeras. Para cada declaração, sempre havia uma interrupção, principalmente de Paulo José, roubando a cenas com um comentário bem humorado, e que logo se transformava em uma conversa entre amigos lembrando bons momentos. Resultado de um grupo que passou dois meses se preparando para gravar.

Sobre a ambientação, Machado disse que a idéia era fazer um filme que se passasse nos anos 1950, mas com a linguagem cinematográfica atual, complementado por Adrian Cooper, que afirmou que Salvador continua como era há cinco décadas. Os detalhes na elaboração do filme foram meticulosos. O diretor afirmou que toda a produção levou dois anos, e lembra que determinadas cenas, como a do barco na tempestade, levaram meses até serem terminadas.

O perfeccionismo de Machado, aliás, foi além. Ele chegou a fazer 500 páginas de anotações com detalhes como a tampinha de garrafa que o Cabo Martim usa como medalha, um detalhe que passa praticamente despercebido ao público.

Sobre a música, Beto Villares deixou claro que não tiveram intenção de se prender a ritmos baianos ou da época da história, apesar da música parecer vinda de um circo. Eles chegaram a pedir para os músicos desafinarem um pouco, para ajudar no tom cômico, meio patético. Machado lembrou diversos ritmos usados: maracatu, reggae, sambarock, até mambo. Nenhum ritmo tipicamente baiano, porém. Villares lembra que não havia intenção de se prender à época e ao local em que estavam.

Apesar do resultado final ser cômico, o diretor afirmou que o humor veio de cenas intensas e dramáticas, do desencontro entre o ridículo da situação e a seriedade com que os personagens era interpretados. Paulo José comparou-os com o vagabundo de Chaplin. Para ele, os personagens eram sujos, suados, mas agem de maneira fina, aristocrata. E esse limiar entre o ridículo e o sério foi um desafio para Frank Menezes, com uma carreira longa como humorista, interpretando um personagem vestido de palhaço, mas triste.

Quincas Berro D’Água

maio 20, 2010

Por Diego Estrella

Baseado na obra do escritor Jorge Amado, Quincas Berro D’Água nos mostra a morte do personagem (Paulo José) que dá título ao filme logo nos primeiros minutos.

Ele é um bêbado que abandonou sua família para viver uma vida boêmia na companhia de outros vagabundos. Cabo Martim (Irandhir Santos), Pé de Vento (Luis Miranda), Pastinha (Flavio Bauraqui) e Curió (Frank Menezes) armaram toda uma noite de comemorações do aniversário do companheiro de farra. Ao saber da morte dele, não conseguem acreditar e decidem que é uma brincadeira do amigo, pois este sempre pregava peças e devem continuar com o plano da noite de folia do aniversário.

Logo, o corpo de Quincas é carregado para os bares onde o grupo costumava passar as noites. O protagonista, apesar de ser um cadáver, brilha durante todo o filme, em parte pela narração de Paulo José, em parte por suas expressões faciais discretas, pois um morto não se manifesta, o personagem nos faz rir em diversos momentos.

Enquanto isso, sua família, daquelas tradicionais que desejam manter as aparências, quer que ele seja velado e visto como um homem da alta sociedade. Para justificar sua ausência de casa, eles inventaram a história de que ele se tornou um comendador e estava fora do país. Vanda (Mariana Ximenes), filha de Quincas, sente a mesma inadequação que levou o pai a sair de casa, mas prefere viver uma vida conservadora ao lado do marido, um oportunista de olho em regalias da alta sociedade.

 Esse atrito entre a família, aquela com o direito de velar o morto, e os amigos, aqueles que viviam as alegrias e as tristezas com o morto, mostra o conflito entre a rigidez da sociedade e a vida desregrada dos boêmios, estes sempre usando da malandragem para superar sua desvantagem perante a sociedade que os condena, enquanto os que vivem dentro da regra invejam a liberdade daqueles que só tem compromisso com sua alegria.

Repleto de humor e situações cômicas, Quincas Berro D’Água
trata temas sérios como a perda de um ente querido, a diferença de classes sociais, a ordem rígida que segrega os pobres e os boêmios na Bahia dos anos 1950, mas tudo com uma atmosfera leve, denunciada pela trilha sonora que, muitas vezes, parece o fundo musical de um circo. Além disso, as observações do narrador, que aproveita sua posição para tirar sarro e denunciar para o espectador todos os defeitos da sociedade que posa de moralista, enquanto esconde seus próprios pecados, também dá um tom menos denso à história.

Nada mais brasileiro do que a ordem imposta sendo desvirtuada pela farra dos bêbados e foliões no limiar da miséria e tudo terminando em festa, mesmo em horas tão trágicas. Eles não deixam de ter certa razão, pois, diante da morte, o que realmente importa?

Fúria de Titãs

maio 18, 2010

 

 

por Janaina Pereira

Quando eu era criança, meu filme preferido da Sessão da Tarde sempre foi Fúria de Titãs. Lançado em 1981 nos cinemas, a mega produção trazia Laurence Oliver, o maior intérprete de Shakespeare, como Zeus, e contava uma história ficcional a respeito dos deuses do Olimpo. Foi este filme que criou em mim uma fascinação – que permanece até hoje – sobre a Grécia.

Assim que soube do remake do longa fiquei com pé atrás. Achava desde o começo que seria uma bomba. Não me parece que, nos dias de hoje, as histórias gregas atraiam o público. Tróia e Alexandre, o Grande são provas disso. E vamos combinar que Liam Neeson fazendo o papel que foi de Laurence Olivier não tem a menor graça. Apesar disso, estava muito curiosa para assistir ao filme. E minhas suspeitas se comprovaram. Fúria de Titãs (Clash of Titans), de Louis Leterrier, estreia desta sexta, dia 21, é um filme que deixa muito a desejar mas, para minha surpresa, por causa do pífio 3D e não pela história em si.

Fúria de Titãs foi filmado em 2D e convertido para 3D, o que destruiu completamente o filme. Os atores parecem ter mil cabeças, as cenas de profundidade não tem nada de profundo e até a legenda é tosca. Parece que, cada vez mais, os estúdios querem empurrar o 3D garganta abaixo dos espectadores, garantindo assim ingressos mais caros e, consequentemente, uma grana extra na bilheteria. No caso específico de Fúria de Titãs o que vemos é uma falta de respeito com o espectador, que assiste a um filme visualmente de baixa qualidade. Triste, para dizer o mínimo.

A trama, em relação à original, sofre ligeiras modificações. Nascido da união entre um deus e uma mortal, Perseu (Sam Worthington) é criado como homem e não sabe que é um semideus, até que sua família é aniquilada por Hades (Ralph Fiennes), o vingativo deus do reino dos mortos. Sem nada a perder, Perseu se oferece como voluntário para comandar a perigosa missão de derrotar Hades, antes que este consiga obter poder de Zeus (Liam Neeson) e, assim, possa instalar o inferno na Terra. Liderando um grupo de guerreiros, Perseu parte numa jornada nas profundezas dos mundos proibidos. E a diferença desta história para a original é que tudo gira em torno do trio Perseu – Hades – Zeus, quando no filme de 1981 outros deuses têm destaque, como Athenas e Afrodite (essa interpretada pela eterna bond girl Ursula Andrews).

Sam Worthington não aparenta emoção com seu Perseu e sua performace é totalmente automática. Parece que está na hora do ator escolher filmes diferentes para atuar – ele fez Terminator 4 e Avatar antes de protagonizar Fúria de Titãs. Ralph Fiennes e Liam Neeson se esforçam, mas chamam mais a atenção pela semelhança física do que pelas atuações.

No final das contas, o simpático infanto-juvenil Percy Jackson, lançado por aqui em janeiro e que conta a história de um Perseu adolescente que vive nos dias atuais, é bem mais honesto do que esse Fúria de Titãs cheio de firula. Uma pena: os deuses mereciam uma apresentação um pouco mais digna para esta nova geração, que talvez nunca entenda porque os maiores de 30 tiveram a infância marcada pelo filme original.

 
por Janaina Pereira
 
 
A trilogia de best-sellers Millenium, do jornalista sueco Stieg Larsson (1954-2004), tem tudo para ser a nova sensação das adaptações literárias para o cinema. O filme Os Homens que não Amavam as Mulheres (Män Som Hatar Kvinnor), primeiro da série, dirigido pelo dinamarquês Niels Arden Oplev, e com roteiro adaptado por Rasmus Heisterberg e Nikolaj Arcel, chega aos cinemas com o aval do sucesso nas livrarias. E a produção não decepciona.
 
A trama é boa, embora comece confusa e enfadonha. Mas o grande charme do filme – e, certamente, o que fez o sucesso dos livros – está em sua heroína que foge completamente aos padrões das protagonistas do gênero ação/suspense. Lisbeth Salander (Noomi Rapace) é uma hacker tatuada e coberta de piercings que mais assusta do que encanta mas, no decorrer dos 152 minutos do filme, rouba a cena e conquista o público.
 
A moça de visual andrógeno é uma órfã de passado nebuloso, explicado em partes por alguns flashbacks, que trabalha incógnita numa empresa de investigação. Ela é contratada para investigar a vida do jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), editor de uma respeitada revista econômica que acaba de ser condenado por uma reportagem, supostamente com calúnias, que publicou.
 
Porém, antes de ir para a cadeia (pois é, na Suécia jornalistas são presos!) ele é contratado pelo milionário Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube) para investigar o suposto assassinato de sua sobrinha, há 40 anos. O corpo nunca foi achado e o patriarca desconfia que o assassino seja um membro de sua família.
 
Lisbeth começa a ajudar Mikael anonimamente, até que o jornalista descobre que a hacker pode ser útil em suas investigações e os dois formam uma dupla nada convencional de detetives. Entre cenas chocantes de estupro e violência, o filme se desenrola com um roteiro bem amarrado, algumas reviravoltas interessantes e  uma boa narrativa que cativa o espectador.
 
Hollywood, claro, já está de olho no sucesso do longa e David Fincher (Seven, Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamim Button) está na mira para filmar a versão americana. Duvido que ele consiga fazer a Lisbeth que a atriz Noomi Rapace e o cineasta Niels Arden Oplev construíram neste Os Homens que não Amavam as Mulheres. Um filme bacana por não tentar ser ousado, mas que conseguiu ser ao retratar uma protagonista tão peculiar e inesquecível.

O Preço da Traição

maio 12, 2010

 
 
 
por Janaina Pereira
 
 
O badalado diretor egípcio Atom Egoyan (Verdade Nua) colocou em um mesmo filme uma das melhores atrizes americanas – a sempre linda e ruiva Julianne Moore – ao lado da nova queridinha de Hollywood – Amanda Seyfried e seus esbugalhados olhos verdes. Com pitadas de erotismo e alardeando uma polêmica relação homossexual, Egoyan conseguiu bastante divulgação para seu mais recente longa, O Preço da Traição (Chloe), que estreia nesta sexta, 14. Tudo isso não serviu, porém, para fazer uma produção que valesse todo esse tititi.
 
O longa parece mais uma tentativa (frustrada) de versão moderna de Atração Fatal, o clássico dos anos 1980 dirigido por Adrian Lyne. Para quem não lembra, este filme sobre traição transformou Glenn Close na amante psicótica que nenhum homem quer ter por perto. Infelizmente, O Preço da Traição não tem metade do brilho do cultuado filme de Lyne.
 
Versão canadense do longa francês Nathalie X, O Preço da Traição narra a desconfiança da bem-sucedida ginecologista Catherine (Julianne Moore) sobre seu marido, o professor David (Liam Neeson). Ela está convicta que ele é infiel e quer desmascará-lo. Para isso, contrata a prostituta Chloe (Amanda Seyfried) e arma um plano de sedução. Claro que isso vai dar errado.
 
Entre as reviravoltas do roteiro, que até surpreendem, embora não sejam convincentes, os três atores se esforçam para honrar seus nomes – e do diretor – ao longo da história. Amanda Seyfried não lembra em nada a mocinha fofa de Querido John – estreia da semana passada – e convence como a prostituta aparentemente de bom coração. Liam Neeson consegue manter até o fim a duablidade de seu personagem. E Julianne Moore, competente como sempre, não perde o rebolado nem nas cenas mais difíceis.

O problema do filme é focar demais nos clichês de trailers eróticos que envolvem traição. Estão ali a loira inofensiva que surta (como em Atração Fatal)  e a versão estilizada do picador de gelo de Instinto Selvagem. Vale lembrar também que o título original é melhor do que a versão nacional, afinal, o longa gira em torno das mudanças que a prostituta Chloe faz na vida de uma família.

O Preço da Traição não chega a ser um filme ruim, mas é daqueles que você demora a saber se gostou ou não. E quando descobre,  já até esqueceu a história.

Robin Hood

maio 10, 2010

 

por Janaina Pereira

 

Robin Hood, o herói que roubava dos ricos para dar aos pobres, tem sua história adaptada par o cinema há um século. Errol Flynn foi quem deu corpo e alma ao Robin que imaginamos geração após geração. Mas o meu Robin Hood sempre foi Kevin Costner, que em 1991 interpretou o personagem no filme Robin Hood, Príncipe dos Ladrões, grande sucesso de bilheteria da época.

Nesta quarta, dia 12, o Festival de Cannes, um dos mais conceituados do cinema mundial, abre justamente com a nova versão de Robin Hood, dessa vez sob as mãos da dupla Ridley Scott e Russel Crowe – que repetem aqui a bem-sucedida parceria do oscarizado Gladiador. Robin Hood, o filme, chega ao Brasil na sexta 14 de maio.

O longa de quase 2 horas e 30 minutos de duração desconstrói o mito e vai atrás do homem que existiu antes da lenda virar história. Repetindo as boas cenas de luta e de ação de Gladiador, Ridley Scott cria um herói meio perdido num mundo de guerras e ganância, mas fiel aos seus princípios. Já Russell Crowe, também repetindo a performance de Gladiador, investe em seu lado ogro para fazer um Robin Hood charmoso e rude, que sabe ser doce sem jamais perder a virilidade. Um Robin bem a cara de Russell, é bom frisar.

A trama mostra Robin Longstride (Russell Crowe), um soldado da infantaria rebelde e desalinhado, arqueiro hábil e leal ao rei Ricardo Coração de Leão (Danny Huston), que aproveita a morte do Rei para retornar à Inglaterra após as Cruzadas. Um acaso o coloca de posse da coroa do rei morto e da espada de um de seus cavaleiros, Robert Loxley, que ele promete devolver ao pai deste, Walter (o sueco Max von Sydow, sempre brilhante). Cabe a Longstride, se fazendo passar por Loxley, contar à rainha-mãe, Eleonor de Aquitânia (Eileen Atkins), sobre a morte de Coração de Leão, o que faz do fracote e despreparado John (Oscar Isaac) o novo Rei.

A devolução da espada deixa Robin em situação delicada: a pedido de Walter, ele continua se fazendo passar por seu filho. E, portanto, também por marido da viúva de Robert Loxley, Lady Marian (a cada vez mais esticada Cate Blanchett). Enquanto isso, o rei John, influenciado por seu supostamente leal escudeiro Godfrey (Mark Strong, repetindo a cara de mau de Sherlock Holmes), acaba deixando o reino fragilizado e sob a perspectiva de invasão francesa. É neste momento que a veia heroíca de Robin pulsa latentemente.

O filme traça um perfil bem diferente do personagem que estamos acostumados a adorar: Robin continua destemido e valente, mas longe de ser o ladrão famoso que o cinema sempre retratou. E se a ideia era essa – mostrar quem foi Robin antes de se tornar Hood – Scott atingiu seu objetivo perfeitamente.

Robin Hood pode não ser brilhante, mas é entretenimento da melhor qualidade. Parece uma história à moda antiga, grandiosa, bem ao estilo aventura épica. É cinemão puro para agradar a toda família, que traz de quebra o bom e (não tão) velho Russell Crowe em boa forma. E papel de homem másculo mas fofo é com Russell mesmo.

Querido John

maio 7, 2010

 
 
por Janaina Pereira
 
 
Já na primeira cena de Querido John (Dear John), estreia desta sexta, dá para perceber quem será o grande nome do filme. Musculoso, bonito, cativante e com um ar de homem sério, Channing Tatum observa a moça loira que conversa com os amigos. Mesmo com os olhos gigantes de Amanda Seyfried e seu cabelão loiro, ela não é páreo para Channing, o John do título. O rapaz é candidato fortíssimo a novo Brad Pitt, mesmo já tendo 30 anos – e um rostinho de 23 e um corpão de 18.
 
Channing é a razão de qualquer mulher, mesmo as menos românticas como eu, manter os olhos abertos ao longo de Querido John. O filme, baseado no best-seller do escritor norte-americano Nicholas Sparks, e dirigido pelo ótimo Lasse Hallström (Minha Vida de Cachorro, Sempre ao seu Lado, Chocolate, Regras da Vida), é uma história de amor açucarada, daquelas que arrancam lágrimas com facilidade dos mais sensíveis. Para aqueles que, como eu, não choram à toa, o longa pode surpreender porque, por incrível que pareça, não é tão ruim.
 
Sparks escreve seus livros sempre da mesma forma: o amor deve ser testado por uma grande tragédia e o casal vai perceber que a paixão supera tudo, porém, por terem feito escolhas erradas, pode ser tarde demais para esse amor dar certo. Querido John não foge disso.
 
John Tyree (Channing Tatum) e Savannah Curtis (Amanda Seyfried) se conhecem e se encantam à primeira vista – ou à primeira cena, como preferirem. Ele é um soldado em licença de duas semanas que pega onda em uma pequena praia onde foi criado. Ela é uma estudante altruísta incapaz de falar um palavrão e que está de férias na mesma pequena praia. O destino e as ondas do mar unem o casal, mas a separação é inevitável. Depois de 15 dias de juras de amor, o belo John voltará para a Alemanha, onde está a sua tropa, e Savannah para a faculdade.
 
Como o rapaz deve concluir o serviço militar em um ano, Savannah sugere que eles continuem se correspondendo, a princípio por e-mail. Mas o fofo John nunca sabe onde estará, então eles passam a trocar as velhas e boas cartas de amor. Ele volta para casa no tempo previsto, porém, para passar apenas 18 horas. Os EUA vivem o pós 11 de setembro e o idealista John resolve se realistar – aí ele parece um personagem de Guerra ao Terror, um típico soldado viciado em guerra, aquela coisa bem americana mesmo.
 
Savannah, indignada, não sabe se aguentará mais dois anos sem o seu grande amor. Ela literalmente se entrega ao amado John, mas não tem muita certeza se este romance vai sobreviver a tudo. É aí que a moça resolve fazer a escolha que mudará não só sua vida mas, claro, a do queridíssimo John. E as consequências desse ato é o que conduz os intermináveis 105 minutos do filme.
 
Mesmo procurando ser fiel ao texto de Nicholas Sparks, o sueco Lasse Hallström não conseguiu manter o final proposto inicialmente e que era mais próximo do desfecho do livro. Agora o que temos é uma versão que faz o espectador feliz, e não a realidade cruel de Sparks.
 
Querido John é filme de mulherzinha, que muitos homens vão ter que assistir para satisfazer a vontade da namorada. Para o público masculino, vale se contentar com os olhos de Amanda Seyfried, que parecem que vão saltar da telona a qualquer momento. O longa vai mesmo é agradar as mulheres que acreditam no amor mas, de uma forma geral, deixa aquela sensação de drama romântico da vez, sem nada a acrescentar. A não ser, é claro, pela escolha de Channing Tatum como protagonista. Ele é muito mais do que um querido John: é um maravilhoso John.