O mundo imaginário do Dr. Parnassus

abril 24, 2010

 

por Janaina Pereira

Quando Heath Ledger morreu, em janeiro de 2008, ele estava no meio das filmagens de O mundo imaginário do Dr. Parnassus, de Terri Gilliam (Os doze macacos) – um dos destaques da Mostra de São Paulo 2009 que chega ao circuito no próximo dia 7 de maio. Para qualquer diretor numa situação dessas, a morte de um dos atores principais de seu filme seria motivo para cancelar a produção. Não para Gilliam.

O cineasta, com a ajuda dos atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel – que assumiram o papel de Ledger – continuou a produção e fez de Dr. Parnassus uma das melhores coisas que o cinema já produziu.

Tudo funciona perfeitamente no filme, desde a parte técnica – direção de arte, fotografia, figurino e efeitos visuais e sonoros são impecáveis – ao  roteiro criativo e elenco que brilha  – e aí bate uma saudade enorme de Heath Ledger, realmente muito bem no filme.

O modo como os atores dão continuidade ao personagem do astro morto precocentemente é o grande charme do longa. Depp, Law e Farrel surgem dentro do tal mundo imaginário do Dr. Parnassus, onde você pode ser quem quiser e ainda fazer o que desejar, e é justamente a mudança de rosto do personagem o que torna a história mais interessante.

Dr. Parnassus (o ótimo Christopher Plummer) é um imortal que comanda uma trupe no melhor estilo circense. Quem entra em seu misterioso espelho conhece um mundo a parte, baseado nas mais surreais imaginações. O velho homem, no entanto, é surpreendido com a visita do diabo, chamado Nick (Tom Waits), que aparece para fazer uma cobrança.

No passado, Parnassus fez um pacto com o diabo envolvendo sua filha, Valentina (Lily Cole) e agora tenta dribrá-lo para não perder a jovem. Enquanto isso, a moça está se encantando pelo misterioso Tony (Ledger, Depp, Law, Farrel), que foi salvo por ela  e, aparentemente, tenta ajudar Parnassus a não perder a filha, mas na verdade está fugindo de seu próprio destino.

A relação entre os personagens, somados aos efeitos visuais que as viagens pela mente de Parnassus podem causar, transformam a história em algo mítico e encantador, uma espécie de realismo fantástico com direito a lição de moral.

Porque O mundo imaginário do Dr. Parnassus, na verdade, é sobre os pecados que cometemos, os erros que não assumimos, as histórias que deixamos de viver, o capitalismo que nos consome e os sonhos que se perdem pelo meio do caminho.

E é, claro, uma ideia genial de Gilliam, um cineasta que conseguiu fazer um grande filme e ainda uma bela homenagem a  Heath Ledger.

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