Chico Xavier

abril 2, 2010


 
por Janaina Pereira
 
 
O Brasil é uma país falsamente católico. Ok, oficialmente o catolicismo é a nossa religião, mas muita gente tem um pé no espiritismo. Grande parte dessa força pelo desconhecido vem de nomes como Bezerra de Menezes, o médico que era méduim, e Frâncisco Cândido Xavier, o médium que psicografava mensagens do além.
 
Se você não conhece a doutrina espírita, talvez o filme Chico Xavier, de Daniel Filho, não lhe diga nada. Mas acho pouco provável que alguém não saiba, minimante, quem foi Chico. Homem que atraia multidões ao seu centro espírita, durante muitos anos ele recebeu o título de maior médium brasileiro, tornando-se um símbolo do espiritismo. Calmo, sereno e cheio de fé, Chico Xavier psicografou mais de 400 livros, sem receber direitos autorais e vivendo apenas de seu salário – e posterior aposentadoria – de funcionário público.
 
Chico Xavier, o filme, estreiou justamente quando seu protagonista, que morreu em 2002, completaria um século de vida. Este é o primeiro de uma série de filmes em homenagem a este homem especial, figura ímpar do universo de bondade que mal estamos acostumados a conviver. E é esta bondade que o longa mostra com convivção.
 
A partir de uma entrevista dada por Chico nos anos 1970, para a TV Tupi, o filme se desenrola apresentando alguns fatos da vida do médium, desde sua infância – e a influência espiritual da mãe (vivida por Letícia Sabatella) e influência psicológica da madrasta (interpretada por Giovanna Antonelli).
 
A vida adulta, em que começa a psicografar e é acusado de ser uma grande farsa, também ganha destaque no longa. Neste período, Chico Xavier é interpretado pelo ator Ângelo Antônio (que já fez outro Chico no cinema, o Francisco pai de Zezé di Camargo e Luciano).
 
Mas é em sua fase envelhecida, quando Nelson Xavier assume o papel de Chico, que o filme se apóia. Com semelhança física e repetindo gestos e trejeitos do médium, o ator consegue uma intepretação sólida e, porque não, mediúnica. É a própria reencarnação de Chico Xavier.
 
É nesta fase também que o longa aborda como o médium se tornou figura importante da sociedade brasileira, ao ter uma de suas cartas psicografadas usadas para absolver um rapaz acusado de assassinato.
 
Apesar das boas intenções, Chico Xavier, o filme, é global demais para o meu gosto. Parece que havia uma necessidade absurda de encaixar todos os atores da Globo no filme, o que torna o longa uma espécie de Globo Repórter  com um toque de Por toda minha vida, o programa em que a Globo homenageia personalidades da música já falecidas.
 
Uma das grandes falhas do roteiro – baseado no livro As vidas de Chico Xavier, de Marcel Souto Mayor – é dar ênfase ao espírito Emmanuel (intepretado pelo insosso André Dias), o principal guia de Chico, deixando de lado André Luiz, o espírito que deu ao médium diversas psicografias importantes, entre elas a do livro Nosso Lar, o mais importante do espiritismo brasileiro (que chega em adaptação aos cinemas no segundo semestre deste ano).
 
O interessante é que o roteiro superficial não vai impedir que milhares de pessoas assistam ao filme. Em seu dia de estréia – hoje,  feriado católico da sexta-feira santa, exatamente o dia em que Chico completaria 100 anos – os cinemas lotaram, com o filme aplaudido ao final. Ninguém saia até os créditos terminarem. Impressionante. Isso mostra que o homem Chico Xavier é muito mais forte do que qualquer filme possa retratar.
 
Eu, particularmente, tenho admiração profunda por Chico, uma dessas figuras especiais que passam pela Terra com uma missão única. E que ensinou que não devemos temer os mortos. O medo maior deve ser dos vivos.

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