Tudo pode dar certo

abril 30, 2010

por Paloma Ornelas *

Em  Tudo Pode dar Certo (Whatever Works) , que estreia hoje,  Woody Allen apresenta mais do mesmo e, diferentemente de ser um ponto negativo, a velha fórmula está mais atual do que nunca.

Boris Yellnikoff (Larry David) é um professor universitário, físico que quase ganhador do Prêmio Nobel, gênio, bem casado e bem sucedido homem de meia idade que tem um colapso nervoso e tenta o suicídio.

A partir daí, o espectador mergulha em um grande flashback e acompanha as desventuras desse homem e seus devaneios megalomaníacos. Com tiradas cômicas, as rabugices de Boris pouco a pouco são apresentadas nas muitas e mal sucedidas aulas de xadrez que ele insiste em dar para crianças, nas conversas com amigos, na sua peculiar visão do mundo e no relacionamento com pessoas próximas.

No momento em que Boris conhece de forma inusitada Melody St. Ann Celestine (Evan Rachel Woody), é que o bom Woody Allen aparece. Os diálogos entre os dois são hilários. Primeiro – a definição de que Boris é um gênio e enxerga muito além das outras pessoas (as quais ele carinhosamente chama de minhocas) e, Melody ser a garota do interior ingênua e tentadora com ares de ninfeta de Nabokov. Segundo – ele “gentilmente” dividir parte de sua genialidade com uma garota de cabeça oca como ela.

Larry David (co-criador da série Seinfield) foi um grande acerto do diretor. David bebe na fonte do standup comedy norte-americano, e isso atribuído ao seu timming para comédia, incrementam mais as nuances do roteiro. A química entre seu personagem Boris e Melody funcionam instantaneamente. Assim como quando mais tarde Marietta (a ótima Patrícia Clarckson), que interpreta a mãe de Melody, se une aos dois e juntos respondem por tiradas impagáveis.

Woody Allen não oferece novidades tecnológicas ou roteiros mirabolantes, seu requinte está na comédia cotidiana, de costumes, e na proximidade que cada personagem tem com o espectador. Todos podem encontrar um traço característico dos personagens em uma pessoa conhecida.

Tudo Pode dar Certo traz na figura de Boris um sujeito comum, porém, crítico, que alfineta o comportamento alienado das pessoas, ou melhor, minhocas como ele mesmo menciona. Não se trata da falta de informação, mas, sim, do mau uso que vem se fazendo dela. Com olhar tão aprofundado e inteligência tão superior como deve ser solitária a vida de um gênio em tempos de ignorância coletiva. Mas, como bem traduz o título no final – ‘tudo pode dar certo’.

*Paloma Ornelas é jornalista do site Laskakumbuka e escreveu esta crítica à convite do Cinemmarte.

 

Homem de Ferro 2

abril 27, 2010

por Janaina Pereira

Com o status de ‘filme mais esperado do ano’ chega aos cinemas brasileiros nesta sexta, dia 30 – uma semana antes da estreia americana – Homem de Ferro 2 (Iron Man 2), continuação do longa de Jon Favreau de 2008 que fez Robert Downey Jr ressurgir das cinzas.

Para começar gostaria de dizer que não tenho nada contra HQs, pelo contrário, curto bastante. Sou fã do Batman mas nunca simpatizei com o Homem de Ferro e mesmo o personagem ganhando o corpo e o carisma de Downey Jr, não me convenceu. O primeiro filme para mim passou batido, mas a sequência da história foi tão alardeada que resolvi dar um crédito. Ai, se arrependimento matasse… o filme é chato, muito chato, mas tão chato que perdi as contas de quantas vezes bocejei.

Homem de Ferro 2  tinha tudo para ser rock´n roll. A trilha sonora é ótima, Downey Jr é sarcástico e charmoso até dizer chega e agrada tanto aos homens quanto as mulheres. O filme traz ainda as magrelas Gwyneth Paltrow e Scarlett Johansson chacoalhando os quadris e disputando o troféu de vestido mais justo da temporada cinematográfica – as bonitonas são a melhor dupla colírio das produções nerds recentes.

Mas, assim como a obra-prima dos filmes sem cérebros, o inesquecível Avatar, Homem de Ferro 2 não tem um roteiro à altura de suas boas cenas de ação, o que faz dele um filme totalmente dispensável.

A suposta trama do longa é a seguinte: seis meses após revelar sua identidade como super herói, Tony Stark (Robert Downey Jr) lida com problemas psicológicos, pressão política para compartilhar sua armadura com o governo e um novo vilão: Ivan, o Chicote Negro (Mickey Rourke, cada vez mais uma aberração da natureza) antigo conhecido do pai de Tony, Howard Stark (Jonh Slattery) e que agora pretende destruir o Homem de Ferro ajudado por Justin Hammer (Sam Rockwell).

Stark precisa forjar alianças com seu grande amigo Cel. James Rhodes (Don Cheadle), – que vira o Máquina de Combate – ; a agente conhecida como Viúva Negra (Scarlett Johansson) e o líder da S.H.I.E.L.D. Nick Fury (Samuel L. Jackson) para enfrentar novas e poderosas forças. Tudo isso sob a proteção da apaixonada Pepper (Gwyneth Paltrow).

O filme serve de trampolim para as ironias simpáticas de Downey Jr, mas tanto faz ele ser Tony Stark ou Sherlock Holmes, a risadinha sarcástica do ator está sempre lá. E mesmo gostando pacas dele, já cansei dessa repetição de si mesmo que ele sempre faz com os personagens. Os bons Don Cheadle e Samuel L. Jackson são mal aproveitados, servindo de coadjuvantes de luxo para Downey Jr.

Porém, nada é pior do que a dupla colírio Gwyneth e Scarlett, que não despenteiam o cabelo, não caem do salto e não perdem o rebolado. A Viúva Negra de Scarlett, tão aguardada pelos fãs da HQ, tem uma única sequência mais empolgante no final, quando a ruiva mostra toda sua habilidade em dar socos sem rasgar o justíssimo macacão de strech. Páreo duro para Megan Fox correndo para cima e para baixo em Transformers sem que o peitão pule para fora do decote.

Por falar em Transformers, no apoteótico e patético final de Homem de Ferro 2, o longa lembra bastante o segundo filme de Michael Bay. Ou seja, dá para perceber que é (mais) um filme totalmente dispensável para a história do cinema.

É uma pena que Tony Stark seja mais rock´n roll nos quadrinhos e na trilha sonora. No final das contas, bateu foi uma saudade enorme do Batman de Christopher Nolan, esse sim um super herói que honra os milhões de dólares de seus filmes.

Assista ao trailer de Homem de Ferro 2.

 

 

por Janaina Pereira

Viajo porque preciso, Volto porque te amo tem um dos títulos mais significativos que já vi. E o filme também tem uma marca pessoal e intransferível.

Os aclamados Marcelo Gomes e Karin Ainouz conseguem uma narrativa ímpar com a história do geólogo José Renato (Irandhir Santos), enviado para realizar uma pesquisa de campo durante a qual terá que atravessar todo o Sertão, região semi-desértica, isolada, situada no Nordeste do Brasil.

Mas onde está o protagonista no filme? A gente não vê. Ele está lá, com sua voz marcante, mas seu rosto fica na imaginação de cada um. O que fica claro são os sentimentos do personagem: a solidão e a mágoa se confundem com a paisagem árida pela qual ele passa.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo se estrutura como diário, ou impressões, de viagem. Sob a onipresente voz off de Irandhir Santos – que comenta as imagens, rememora o passado e fala diretamente com sua amada, Joana – Karim Aïnouz e Marcelo Gomes se utilizam de diversos suportes de captação para registrar as cenas através do ponto de vista do geólogo: 16mm, 35mm, Super-8, câmera digital, máquina fotográfica.

As múltiplas imagens (que os diretores coletaram entre 1999 e 2009) são fragmentadas, efêmeras e instáveis, tais quais os sentimentos conflituosos do personagem em relação à esposa – que ao mesmo tempo ama e odeia, que ora deseja retornar para casa, ora prefere que a pesquisa de campo nunca termine.

Viajo porque preciso, Volto porque te amo é uma viagem original e inesquecível, uma busca de um homem em torno de si mesmo e da saudade que o corrói, mas também o movimenta.

 

 

por Janaina Pereira

Quando Heath Ledger morreu, em janeiro de 2008, ele estava no meio das filmagens de O mundo imaginário do Dr. Parnassus, de Terri Gilliam (Os doze macacos) – um dos destaques da Mostra de São Paulo 2009 que chega ao circuito no próximo dia 7 de maio. Para qualquer diretor numa situação dessas, a morte de um dos atores principais de seu filme seria motivo para cancelar a produção. Não para Gilliam.

O cineasta, com a ajuda dos atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel – que assumiram o papel de Ledger – continuou a produção e fez de Dr. Parnassus uma das melhores coisas que o cinema já produziu.

Tudo funciona perfeitamente no filme, desde a parte técnica – direção de arte, fotografia, figurino e efeitos visuais e sonoros são impecáveis – ao  roteiro criativo e elenco que brilha  – e aí bate uma saudade enorme de Heath Ledger, realmente muito bem no filme.

O modo como os atores dão continuidade ao personagem do astro morto precocentemente é o grande charme do longa. Depp, Law e Farrel surgem dentro do tal mundo imaginário do Dr. Parnassus, onde você pode ser quem quiser e ainda fazer o que desejar, e é justamente a mudança de rosto do personagem o que torna a história mais interessante.

Dr. Parnassus (o ótimo Christopher Plummer) é um imortal que comanda uma trupe no melhor estilo circense. Quem entra em seu misterioso espelho conhece um mundo a parte, baseado nas mais surreais imaginações. O velho homem, no entanto, é surpreendido com a visita do diabo, chamado Nick (Tom Waits), que aparece para fazer uma cobrança.

No passado, Parnassus fez um pacto com o diabo envolvendo sua filha, Valentina (Lily Cole) e agora tenta dribrá-lo para não perder a jovem. Enquanto isso, a moça está se encantando pelo misterioso Tony (Ledger, Depp, Law, Farrel), que foi salvo por ela  e, aparentemente, tenta ajudar Parnassus a não perder a filha, mas na verdade está fugindo de seu próprio destino.

A relação entre os personagens, somados aos efeitos visuais que as viagens pela mente de Parnassus podem causar, transformam a história em algo mítico e encantador, uma espécie de realismo fantástico com direito a lição de moral.

Porque O mundo imaginário do Dr. Parnassus, na verdade, é sobre os pecados que cometemos, os erros que não assumimos, as histórias que deixamos de viver, o capitalismo que nos consome e os sonhos que se perdem pelo meio do caminho.

E é, claro, uma ideia genial de Gilliam, um cineasta que conseguiu fazer um grande filme e ainda uma bela homenagem a  Heath Ledger.

 
 
por Janaina Pereira

Tim Burton é um daqueles diretores com estilo próprio, que tem uma marca registrada em todas as sua produções. Dono de uma criatividade peculiar, ele é o responsável por algumas obras-primas do cinema, como Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande, Ed Wood e A Lenda do Cavalheiro sem Cabeça. Mesmo os fãs de Batman que torcem o nariz para o primeiro longa do homem morcego, dirigido por Burton em 1989, precisam admitir que o cineasta fez uma Gothan City impecável e transformou o Coringa de Jack Nicholson em pergonagem célebre.
Pouco baladado em premiações de cinema, Burton ganhou fama mundo afora por seu jeito colorido e folclórico de contar histórias, além de ter transformado o galã Johnny Depp no mais performático ator americano. A dupla volta às telas com um projeto ousado: levar Alice – a personagem imortalizada nos livros de Lewis Carroll – de volta ao País das Maravilhas 13 anos depois de sua primeira aventura por lá.
Fazendo boa bilheteria nos EUA e chegando ao Brasil nesta sexta, 23,  Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland) é um dos filmes mais esperados do ano. Em versão 3D e com visual pop, o longa deve ser encarado como uma respeitosa homenagem ao clássico de Carrol, nada além disso.
A primeira hora do filme é chata pra caramba, daquelas chatices que fazem você bocejar e até dormir no cinema. Alice (a pálida e insossa Mia Wasikowska), agora uma jovem que vai ser pedida em casamento, não se lembra do País das Maravilhas, mas é visitada pelo coelho e acaba sendo levada para lá novamente.
Em Wonderland reencontra velhos amigos como o Chapeleiro Louco (Johnny Depp em atuação pouca expressiva) e descobre que a malvada Rainha Vermelha (a ótima Helena Bonhan-Carter) está dominando o lugar.
Visualmente o filme é bacana, com direção de arte e fotografia impecáveis. Aliás, a parte técnica é um luxo, dando ao longa um status de grande produção que fez valer cada centavo investido. Alice usa vestidos deslumbrantes, o que torna o figurino da personagem um dos mais originais já vistos no cinema.
O roteiro demora a engrenar, mas quando acontece não faz de Johnny Depp o protagonista, mantendo o foco em Mia, que mesmo não sendo lá essas coisas até fica bonitinha diante de tantos personagens feios. Mas o grande momento do longa é mesmo a Rainha de Helena Bonham-Carter. A ‘cabeçuda’ literalmente salva o filme, com as melhores cenas e diálogos excelentes.
O 3D dá uma noção de profundidade interessante em algumas cenas, mas não chega a ser fundamental como em Avatar. E, ao contrário do filme de James Cameron, Burton trabalha com o visual, mas sabe contar uma história.
Porém, é preciso admitir que o Tim Burton dos anos 1990 era bem mais legal que o dos anos 2000. Nesta década ele fez filmes como os remakes de Planeta dos Macacos e A fantástica fábrica de chocolate, ambos sem brilho o suficiente para fazer parte da cinebiografia memorável do cineasta.
Se você não tem muita expectativa, Alice no País das Maravilhas vai divertir na medida certa. Para os que acham que este é o filme do ano, no entanto, a decepção pode ser enorme. De qualquer forma o filme cumpre o que Burton sempre faz em suas produções: é uma ode ao cinema esteticamente perfeito. Em outros tempos, em se tratando de Tim Burton, isso também significava um cinema inesquecível e encantador. Mas dessa vez ficou só na estética mesmo.
Assista ao trailer de Alice no País das Maravilhas.

Vidas que se cruzam

abril 16, 2010

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por Janaina Pereira


Existem filmes bons, maravilhosos, brilhantes… adjetivo a gente coloca aos montes nas produções que curtimos. Mas existe também os filmes perfeitos, que causam aquela sensação agradável de ‘quero ver de novo agora’. Foi assim que me senti após ver Vidas que se cruzam (The Burning Plain), a estreia na direção do roteirista Guillermo Ariaga (Amores Brutos, 21 gramas, Babel). Assisti ao filme no Festival do Rio 2009 e, finalmente, ele estreia nesta sexta, 16.

Para começar, a trilogia que tornou Guillermo Ariaga famoso foi dirigida pelo ótimo Alejandro González Iñárritu. Mas, após ver The Burning Plain (desculpem, o título em portugues é muito ruim, vou continuar com o orginal), ficou a impressão de que Ariaga poderia dirigir perfeitamente os filmes que escreveu. Ele consegue, inclusive, dar mais ritmo à trama do que Iñarritu. Mas não estou aqui para julgá-los, e sim para falar do filme. Que é ótimo, melancólico, surpreendente, bem ao estilo do Ariaga.

Não vou entregar a história (como o título nacional faz) porque o bom é ver o filme e descobrir os segredos dos personagens – e assim admirar o roteiro. O que você pode saber é que a trama analisa o vínculo misterioso que une Mariana (Jennifer Lawrence), uma jovem de 16 anos que procura recompor o casamento de seus pais em uma cidade junto à fronteira do México, Sylvia (a bela Charlize Theron- foto), uma mulher de Portland que transa com desconhecidos, Gina (Kim Basinger, com rugas mas ainda em forma), a mãe de Mariana, que tem um amor clandestino, e Maria (Tessa La), cujo pai sofre um acidente de avião.

Como as vidas dessas mulheres vão se entrelaçar é a grande sacada do roteiro, e aí a mão de Ariaga fica evidente: é o seu estilo, seu jeitinho particular de desconstruir o tempo e unir algo aparentemente sem o menor sentido. A direção acompanha o ritmo do longa, a montagem dá show – especialmente na já antológica sequência final –  a trilha sonora pontua o filme com suavidade e melancolia, e o filme termina como tem que terminar, dando a tal sensação de que foi realizado com perfeição.

The Burning Plain inclui tudo que Guillermo Ariaga costuma colocar em seus roteiros, muitas histórias que se unem, acidentes, morte, superação, redenção. Mas, dessa vez, ele é quem diz que imagens suas palavras devem ter.

Muita gente vai dizer que o cineasta é repetitivo, e nunca vai sair da fórmula que criou para contar suas tramas. Bobagem. Assim como Almodóvar e Sam Mendes, em seus recentes filmes, mudaram o rumo de suas carreiras,  Tarantino continua o mesmo, ainda que fazendo filme de guerra.

É possível se reinventar ou ser sempre o mesmo com criatividade e estilo. Por enquanto, Ariaga está bom do jeito que é: denso, melancólico, indo e vindo com histórias que nos conquistam rapidamente. The Burning Plain é um dos melhores filmes do ano. E mais uma prova de que roteiristas que viram diretores conseguem brilhar além das palavras que escrevem.

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por Janaina Pereira


Filmes que retraram os jovens de uma época são bastante comuns mundo afora, mas não por aqui. Sim, nós brasileiros nunca sabemos bem que juventude é essa que nos cerca. A cineasta Laís Bordansky (Bicho de Sete Cabeças) encontrou o tom certo para falar dos meninos e das meninas desta década no honestíssimo As melhores coisas do mundo.

Previsível, mas fofo, o longa é um retrato da galera que vive o mundo real e virtual de formas intensas, fazendo desta geração uma mistura de alienação e excesso de informações – o que torna estes jovens extremamente contraditórios.

Inspirado no livro Mano, de Gilberto Dimeinstein e Heloisa Prieto, a história conta como é a vida de Mano (Francisco Miguez), do ponto de vista do rapaz. Virgem, apaixonado pela menina mais bonita do colégio e melhor amigo da menina que adora andar com meninos, ele é o clichê da juventude em pessoa. No entanto seu mundo parece virar de ponta cabeça quando o pai abandona a mãe para ficar com outro homem. Ao mesmo tempo, ele percebe que a história de amor do irmão mais velho pode não ser para sempre.

Contando com atores conhecidos do público como Denise Fraga, Caio Blat e Paulo Vilhena, e novatos como o protagonista Fernando Miguez e o novo ídolo da garotada Fiuk (xerox do pai, Fábio Jr), o longa conquista por sua sinceridade a flor da pele.

As melhores coisas do mundo não faz estardalhaço sobre os jovens de hoje, apenas mostra a juventude exatamente como ela é: cheia de conflitos e defeitos, mas com aquela sensação de que pode mudar o mundo. Vai me dizer que você não foi assim quando jovem? Pois é.

Caçador de Recompensas

abril 14, 2010

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por Wanderson Awlis*


Caçador de Recompensas (The Bounty Hunter), que estreia nesta sexta dia 16, chega aos cinemas classificado como uma ‘comédia romântica’, no entanto, não tem uma coisa e nem outra. A direção do longa está a cargo de Andy Tennant (Hitch – Conselheiro Amoroso).

O enredo é bem simples. Milo (Gerard Butler) é um ex-policial que, procurado por dívidas de jogo, é designado a capturar sua ex-mulher, a repórter Nicole Hurly (Jennifer Aniston), fugitiva da polícia por um delito. Pronto. Está armada a confusão e a brincadeira de caça entre gato e rato. Enquanto tentam resolver um caso, sobreviver a tiroteios e perseguições, os dois ainda encontram tempo para discutirem a relação mal resolvida.

Diferente de outras comédias do gênero que você até consegue rir e se divertir, em o Caçador de Recompensas isso custa a acontecer pelas situações extremamente forçadas. O casal protagonista não consegue dar conta do recado. Aliás, os dois juntos têm zero de química para esse tipo de filme.

O excesso de pequenas cenas desnecessárias e personagens que são muito mal explorados tornam a história completamente sem sentido e cansativa, além de não justificar a participação dos mesmos. Poderiam ter centralizado tudo em um só lugar, ao invés de ficarem viajando e trocando de cenário a todo momento.

Os típicos personagens – a ex-sogra, o amigo esquisito, um bobão apaixonado – estão todos presentes em situações já muito exploradas nesse gênero, mas que nesse caso não adiantou em nada. Pelo contrário, só atrapalharam.

No meio disso tudo ainda tem uma pseudo-trama policial que aparece como pretexto para manter o casal junto. Além de ser um ingrediente a mais, dispensável por sinal, só serviu para atrapalhar o roteiro, já que o mesmo foi mal desenvolvido.

Não sei o que é pior no filme, a direção, o roteiro ou os atores. Todos contribuíram para que o filme se tornasse entedioso.  Em alguns instantes você ameaça esboçar um sorriso, porém, a tentativa é em vão. Só distraí e faz passar o tempo.

*Wanderson Awlis é editor do site Laskakumbuka e escreveu esta crítica especialmente para o Cinemmarte.

Zona Verde

abril 13, 2010

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por Janaina Pereira

Se o Vietnã é a ferida sangrenta dos EUA, o Iraque é o calcanhar de Aquiles.  Filmes sobre os bastidores da Guerra contra este País começam a surgir, cada um tentando amenizar o estrago que os americanos fizeram. Mesmo com os cineastas independentes não conseguindo obter grandes retornos de bilheteria com No vale das sombras, Stop-loss – A lei da guerra e Entre irmãos, o tema acabou ganhando um impulso com os Oscars de Guerra ao Terror.

Agora, a primeira superprodução a bater de frente com o assunto chega aos cinemas nesta sexta, dia 16. Dessa vez, o diretor Paul Greengrass se une novamente ao ator Matt Damon – trabalharam juntos nos dois últimos – e bons! – episódios da trilogia Bourne: A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne – para dar a sua versão dos fatos.

Na verdade o filme Zona Verde (Green Zone) é uma adaptação do livro A vida imperial na cidade esmeralda, do repórter Rajiv Chadrasekaran, que foi escrito a partir de um relato feito nos bastidores do governo Bush. A história mostra porque o Governo não conseguiu encontrar armas de destruição em massa no Iraque e como se comportaram após a invasão de 2003.

Tudo isso é apresentado do ponto de vista do subtenente Roy Miller (Matt Damon), um personagem inspirado num oficial do Exército norte-americano na vida real, Richard Gonzalez, cuja Equipe de Exploração Móvel foi encarregada de procurar armas de destruição em massa (AMDs) durante a invasão.

Miller, cansado de ser enviado a missões que o levam do nada ao lugar nenhum, começa a desconfiar que há algum podre no exército americano – e este podre, claro, envolve o Pentágono, o Governo, e muitos poderosos que estão ao seu redor.

Greengrass, ex-jornalista, dá atenção ao roteiro – por isso mesmo seus filmes de ação se destacam, por terem sempre boas histórias. E em Zona Verde isso não é diferente. Apesar da trama ser trincada, ela é facilmente compreendida, sustentando o filme entre cenas de explosão e correrias. E ainda tem uma ótima cena em que o personagem de Damon dá uma `dura` em uma jornalista, num diálogo que serve como um grande tapa na cara da imprensa.

A atuação de Damon, aliás, merece destaque. Cada vez mais maduro, ele é outro ponto forte do longa. O ator, que não faz o típico galã, nem tem perfil de super herói, convence como o homem comum que tenta cumprir sua obrigação, mas que como soldado quer saber se aquela guerra vale mesmo a pena.

Longe de ser brilhante, Zona Verde é um filme correto, enxuto, sem papas na língua. E diante de tantos filmes fracos que vemos por aí, isso já está de bom tamanho.

por Janaina Pereira

Tim Burton é um daqueles diretores com estilo próprio, que tem uma marca registrada em todas as sua produções. Dono de uma criatividade peculiar, ele é o responsável por algumas obras-primas do cinema, como Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande, Ed Wood e A Lenda do Cavalheiro sem Cabeça. Mesmo os fãs de Batman que torcem o nariz para o primeiro longa do homem morcego, dirigido por Burton em 1989, precisam admitir que o cineasta fez uma Gothan City impecável e transformou o Coringa de Jack Nicholson em pergonagem célebre.
Pouco baladado em premiações de cinema, Burton ganhou fama mundo afora por seu jeito colorido e folclórico de contar histórias, além de ter transformado o galã Johnny Depp no mais performático ator americano. A dupla volta às telas com um projeto ousado: levar Alice – a personagem imortalizada nos livros de Lewis Carroll – de volta ao País das Maravilhas 13 anos depois de sua primeira aventura por lá.
Fazendo boa bilheteria nos EUA e chegando ao Brasil em 23 de abril, Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland) é um dos filmes mais esperados do ano. Em versão 3D e com visual pop, o longa deve ser encarado como uma respeitosa homenagem ao clássico de Carrol, nada além disso.
A primeira hora do filme é chata pra caramba, daquelas chatices que fazem você bocejar e até dormir no cinema. Alice (a pálida e insossa Mia Wasikowska), agora uma jovem que vai ser pedida em casamento, não se lembra do País das Maravilhas, mas é visitada pelo coelho e acaba sendo levada para lá novamente.
Em Wonderland reencontra velhos amigos como o Chapeleiro Louco (Johnny Depp em atuação pouca expressiva) e descobre que a malvada Rainha Vermelha (a ótima Helena Bonhan-Carter) está dominando o lugar.
Visualmente o filme é bacana, com direção de arte e fotografia impecáveis. Aliás, a parte técnica é um luxo, dando ao longa um status de grande produção que fez valer cada centavo investido. Alice usa vestidos deslumbrantes, o que torna o figurino da personagem um dos mais originais já vistos no cinema.
O roteiro demora a engrenar, mas quando acontece não faz de Johnny Depp o protagonista, mantendo o foco em Mia, que mesmo não sendo lá essas coisas até fica bonitinha diante de tantos personagens feios. Mas o grande momento do longa é mesmo a Rainha de Helena Bonham-Carter. A ‘cabeçuda’ literalmente salva o filme, com as melhores cenas e diálogos excelentes.
O 3D dá uma noção de profundidade interessante em algumas cenas, mas não chega a ser fundamental como em Avatar. E, ao contrário do filme de James Cameron, Burton trabalha com o visual, mas sabe contar uma história.
Porém, é preciso admitir que o Tim Burton dos anos 1990 era bem mais legal que o dos anos 2000. Nesta década ele fez filmes como os remakes de Planeta dos Macacos e A fantástica fábrica de chocolate, ambos sem brilho o suficiente para fazer parte da cinebiografia memorável do cineasta.
Se você não tem muita expectativa, Alice no País das Maravilhas vai divertir na medida certa. Para os que acham que este é o filme do ano, no entanto, a decepção pode ser enorme. De qualquer forma o filme cumpre o que Burton sempre faz em suas produções: é uma ode ao cinema esteticamente perfeito. Em outros tempos, em se tratando de Tim Burton, isso também significava um cinema inesquecível e encantador. Mas dessa vez ficou só na estética mesmo.