O Livro de Eli

março 19, 2010

 
 
por Janaina Pereira

Filmes sobre o mundo depois do apocalipse eram comuns no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Da época vieram os clássicos Mad Max – que lançou Mel Gibson – e Blade Runner – que consagrou em definitivo o ator Harrison Ford. O futuro destruído pela própria humanidade estava longe de ser o desenho dos Jetsons que marcou a infância de muitas gerações. Esse futuro sombrio, em que o homem se torna apenas um trapo humano é o cenário de O Livro de Eli (The Book of Eli), novo filme dos irmãos Allen e Albert Hughes (Do Inferno), em cartaz a partir desta sexta, 19.

A direção de arte, a fotografia e o figurino do filme são parecidos com Mad Max, só que é visível que eles tinham mais dinheiro para esta produção. E, para ninguém acusar de que se trata de uma cópia total, o roteiro – que também cita a falta de água, como em Mad Max – tem como gancho a fé.

A fotografia, quase monocromática, revela um mundo morto e extremamente seco, e temos a sensação, já na primeira cena, que aquilo é o que restou do planeta. O passado não é revelado, mas as imagens falam por si: o mundo foi parcialmente destruído por alguma guerra. Um homem solitário, Eli (o eterno mocinho Denzel Washington), vaga por estradas sem fim, aparentemente sem rumo. Demora um pouco para sabermos que o andante está percorrendo um longo caminho, a cerca de 30 anos, seguindo as ordens de uma voz que o orientou a rumar para o Oeste, em direção ao pôr do sol.

No meio do nada Eli encontra uma cidade obscura dominada pelo violento Carnegie (o eterno vilão Gary Oldman). O forasteiro acaba chamando a atenção do líder daquele bando de gente maltrapilha. Carnegie está obcecado por um livro. E, embora algumas expectadores possam não reconhecer de imediato, é muito fácil saber qual o livro que ele deseja.

Carnegie quer o livro sagrado, pois ali estão escritas palavras que têm o poder de torná-lo um líder ainda mais forte. Como o título do filme deixa bem claro, é este o livro que Eli carrega com tanto cuidado e que lê todos os dias.

Isso é parte da história, porque a virada inverossímel do roteiro no final eu não vou contar, é claro. Mas prepare-se para uma trama que começa lenta e vai crescendo, com boas cenas de ação protagonizadas por um elegante Denzel Washington, que aos 55 anos dá show em lutas bem coreografadas.

Apesar de um roteiro que capenga nos últimos minutos, O Livro de Eli é uma história em que o velho ditado ‘á fé remove montanhas’ cai como uma luva. Não vai agradar a muitos, mas é uma obra que provoca. Ainda que você não acredite em Deus, o filme levanta algumas possibilidades sobre a existência Dele. Seria a guerra um castigo divino? Existe um ser escolhido e predestinado a salvar a humanidade? Quem tem fé supera qualquer sofrimento? O mundo está em meio aos caos porque o homem não soube entender o que é, de fato, a palavra de Deus?

Quem conhece minimamente a Bíblia sabe que o teor dela é conhecido como “Palavras da Salvação”. E são estas palavras que norteam não só o solitário Eli, mas quem assiste ao filme.

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Uma resposta to “O Livro de Eli”

  1. Hmm, acho que até agora aqui foi a crítica mais positiva aque eu li sobre o filme !
    AUHSUAHSHAU
    Eu particularmente odeio esses filmes pós apocaliptico, mais até que O Livro de Eli, está chamando a minha atenção !
    Quando sair em DVd, quem sabe….

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