Ilha do Medo

março 13, 2010

 
 
por Janaina Pereira
 
 
Um dos maiores diretores americanos da atualidade, Martin Scorsese está de volta após dois anos de hiato. Desde que venceu o Oscar 2008 com Os Infiltrados, o diretor vinha trabalhando em uma história para retorno triunfal. E esta história é a adaptação do livro Paciente 67, de Dennis Lehane (autor também do livro que se transformou em uma das melhores obras de Clint Eastwood, Sobre Meninos e Lobos).
Em cartaz desde ontem em grande circuito e arrastando multidões aos cinemas, Ilha do Medo (Shutter Island) é a grande homenagem de Scorsese ao cinema. Porque todo grande diretor tem que fazer seu ‘filme-referência’ – Almodóvar fez o dele, com o recente Abraços Partidos.
 
Assim como Almodóvar, Scorcese não foi muito feliz em sua esolha. Peca, especialmente, por escolher uma história manjadíssima, daquelas que antes da metade do filme você já saca o final. Não há surpresa, não há mistério, não há nada de novo. Ilha do Medo é piada velha, frustrante. Nem precisa ler o livro – quem leu, garante que a adaptação é fiel, quem não leu, não vai ler porque o filme não desperta essa curiosidade.
 
Mas, comparando novamente Scorsese com Almodóvar, o diretor americano também tem seus fãs fiéis. E sabe filmar seu atual ator preferido, Leonardo Di Caprio, como ninguém. Repetindo uma dobradinha que vem dando certo nos últimos anos, a dupla se tornou cúmplice a tal ponto que, atualmente, ninguém filma Di Caprio com o olhar carinhoso que Scorsese tem por ele. O cineasta consegue mostrar muito mais do que a beleza de Leo – é o talento cada vez mais maduro do ator que fica evidente mais uma vez.
A trama – que chama mais atenção pelos toques hitchcockianos e pela homenagem aos filmes noir – começa no melhor estilo dos filmes do mestre do suspense. A trilha, pesada e marcante, é o ponto alto. A história, no entanto, dá reviravoltas pouco inteligentes. Teddy Daniels (Di Caprio) chega ao presídio psiquiátrico na ilha Shutter acompanhado de nosso novo companheiro, o agente Chuck Aule (Mark Ruffalo). A princípio parece que ele só está lá para investigar o desaparecimento de uma paciente, mas logo descobrimos que Teddy tem questões particulares que o assombram desde a morte de sua esposa, Dolores (Michelle Williams) e a ilha é o lugar para esclarecer – ou não –  tudo.
 
O filme conta com as preciosas participações de Patricia Clarkson, Ben Kingsley e Max von Sydow, atores que conseguem dar o tom certo a personagens ambíguos e misteriosos. É um bom entretenimento, e se salva mesmo nos três minutos finais, no último diálogo que pode gerar inúmeras interpretações mas que, do meu ponto de vista, tem um significado só.
 
Apesar de todo clima de terror, da bela fotografia, e do envolvimento que a trama proporciona, não me convenceu. Ainda acho Os bons companheiros o melhor Scorsese de todos. Ainda acho Os Infiltrados melhor do que Ilha do Medo. Mas também acho que Scorses + Di Caprio formam a verdadeira dupla dinâmica do cinema.
 
Ilha do Medo é uma espécie de O Gabinete do Dr. Caligari quase 100 anos depois. É uma grande homenagem a diversos genêros cinematográficos e, por que não, a chance de Scorsese exercitar seu lado hitchcockiano. Ele tem todo direito e mérito por fazer isso. O que não significa que soube fazer bem feito.
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