Cadê os Morgan?

março 25, 2010

 
 
 
por Janaina Pereira
 
 
Sabe aquele tipo de filme que vai do nada ao lugar nenhum? Esse é Cadê os Morgan? (Did You Hear About the Morgans?), de Marc Lawrence, suposta comédia romântica estrelada pelo sem sal Hugh Grant e pela feiosa Sarah Jessica Parker, em cartaz a partir desta sexta, 26.
 
Já deu para perceber que não sou do time de mulheres que acha Sarah Jessica um exemplo de elegância e atitude. Com aquele nariz que chega antes dela em qualquer lugar, bonita é algo que a moçoila não é. Elegante, muito menos: sempre escolhe as piores roupas que os estilistas famosos são capazes de criar. E sua tão cultuada série de TV, Sex and The City, para mim é uma ode à mulherzinha – e eu sou radicalmente contra o tipo mulherzinha.
 
Também não acho o Hugh Grant essa coca-cola toda. Sempre repetindo os mesmos papéis – o bocó gente boa – o ator parece se contentar com pouco, e faz tempo que não atua em um filme razoável. Com aquela cara de panaca, ele não deve conseguir papéis melhores mas pelo menos podia honrar o ótimo Quatro casamentos e um Funeral, filme que o lançou ao estrelato.
 
Dito isso, vamos à trama:  Meryl Morgan (Sarah Jessica Parker), a maior corretora imobiliária de Nova York, e Paul Morgan (Hugh Grant), advogado e seu marido, estão se divorciando. Ele quer reverter a situação. Chega até a a levar a esposa para jantar no Daniel, um dos mais exclusivos restaurantes de Manhattan. E é depois do jantar de reconciliação que o casal testemunha um assassinato que vai causar transtornos em suas vidas. 
 
Perseguidos pelo assassino, o casal entra para o serviço de proteção à testemunha e vai parar numa cidade distante de tudo e de todos, embaixo do mesmo teto. As piadas que surgem a partir desta mudança são sem graça. Ou seja, de comédia o filme não tem nada. Para piorar, Paul é bocó e Meryl é chata ao extremo o que torna impossível o espectador ter qualquer simpatia pelo casal. Romance? Nem pensar. O casal não tem química, não tem sex appeal, não cativa e não convence. Duvido que alguém vá torcer para que eles fiquem juntinhos.
 
Todos os clichês estão lá, e o final previsível também. Aliás, é no fim que tem a única coisa que presta no longa: a ótima canção We can work it out, dos Beatles.
 
Cadê os Morgan? é perfeito para indicar aos inimigos. Aproveite.
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O Livro de Eli

março 19, 2010

 
 
por Janaina Pereira

Filmes sobre o mundo depois do apocalipse eram comuns no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Da época vieram os clássicos Mad Max – que lançou Mel Gibson – e Blade Runner – que consagrou em definitivo o ator Harrison Ford. O futuro destruído pela própria humanidade estava longe de ser o desenho dos Jetsons que marcou a infância de muitas gerações. Esse futuro sombrio, em que o homem se torna apenas um trapo humano é o cenário de O Livro de Eli (The Book of Eli), novo filme dos irmãos Allen e Albert Hughes (Do Inferno), em cartaz a partir desta sexta, 19.

A direção de arte, a fotografia e o figurino do filme são parecidos com Mad Max, só que é visível que eles tinham mais dinheiro para esta produção. E, para ninguém acusar de que se trata de uma cópia total, o roteiro – que também cita a falta de água, como em Mad Max – tem como gancho a fé.

A fotografia, quase monocromática, revela um mundo morto e extremamente seco, e temos a sensação, já na primeira cena, que aquilo é o que restou do planeta. O passado não é revelado, mas as imagens falam por si: o mundo foi parcialmente destruído por alguma guerra. Um homem solitário, Eli (o eterno mocinho Denzel Washington), vaga por estradas sem fim, aparentemente sem rumo. Demora um pouco para sabermos que o andante está percorrendo um longo caminho, a cerca de 30 anos, seguindo as ordens de uma voz que o orientou a rumar para o Oeste, em direção ao pôr do sol.

No meio do nada Eli encontra uma cidade obscura dominada pelo violento Carnegie (o eterno vilão Gary Oldman). O forasteiro acaba chamando a atenção do líder daquele bando de gente maltrapilha. Carnegie está obcecado por um livro. E, embora algumas expectadores possam não reconhecer de imediato, é muito fácil saber qual o livro que ele deseja.

Carnegie quer o livro sagrado, pois ali estão escritas palavras que têm o poder de torná-lo um líder ainda mais forte. Como o título do filme deixa bem claro, é este o livro que Eli carrega com tanto cuidado e que lê todos os dias.

Isso é parte da história, porque a virada inverossímel do roteiro no final eu não vou contar, é claro. Mas prepare-se para uma trama que começa lenta e vai crescendo, com boas cenas de ação protagonizadas por um elegante Denzel Washington, que aos 55 anos dá show em lutas bem coreografadas.

Apesar de um roteiro que capenga nos últimos minutos, O Livro de Eli é uma história em que o velho ditado ‘á fé remove montanhas’ cai como uma luva. Não vai agradar a muitos, mas é uma obra que provoca. Ainda que você não acredite em Deus, o filme levanta algumas possibilidades sobre a existência Dele. Seria a guerra um castigo divino? Existe um ser escolhido e predestinado a salvar a humanidade? Quem tem fé supera qualquer sofrimento? O mundo está em meio aos caos porque o homem não soube entender o que é, de fato, a palavra de Deus?

Quem conhece minimamente a Bíblia sabe que o teor dela é conhecido como “Palavras da Salvação”. E são estas palavras que norteam não só o solitário Eli, mas quem assiste ao filme.

Soul Kitchen

março 18, 2010

por Janaina Pereira

Conhecido por dramas como Contra a Parede (Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2004) e Do Outro Lado (prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes de 2007), o diretor alemão de origem turca Fatih Akin realizou sua primeira comédia em Soul Kitchen, um dos maiores sucessos da Mostra de SP que estreia nesta sexta, 19.

E o cineasta não decepciona: o filme é leve, simpático, com roteiro simples mas redondinho e um personagem principal carismático, defendido com charme pelo ator Adam Bousdoukos, co-autor do roteiro com Akin.

Parte da história é baseada na experiência real do próprio Bousdoukos, um alemão de origem grega que teve um restaurante no bairro de Ottensen, em Hamburgo, o Taverna Grega. Ele  interpreta o protagonista Zinos Kazantsakis, que enfrenta uma série de problemas para administrar seu restaurante de bairro, o Soul Kitchen do título.

Zinos está passando por uma fase ruim: o restaurante pode ser fechado por problemas fiscais e de fiscalização sanitária, sua namorada vai se mudar para Xangai e seu irmão, um presidiário que passa algumas horas do dia fora da cadeia graças ao benefício prisão-albergue, só arruma confusão.

Para piorar, ao arrastar uma pesada máquina no restaurante, Zinos desloca um disco em sua coluna e passa a conviver com constantes dores. Mas ele não se intimida com nada. Com simpatia e bom humor, e embalado por músicas que inspiram o seu dia-a-dia, ele vai tentado resolver os problemas, um a um.

Com personagens bem construídos em um roteiro que não cai no lugar-comu, apoiado numa ótima trilha sonora e em um elenco excelente, Akin faz de Soul Kitchen uma das melhores produções do ano, daquelas que deixam os espectadores felizes por ter assistido algo tão simples mas muito legal.

Impossível não se envolver com a história e não se render ao charme de Soul Kitchen, um filme absolutamente fofo.

Ilha do Medo

março 13, 2010

 
 
por Janaina Pereira
 
 
Um dos maiores diretores americanos da atualidade, Martin Scorsese está de volta após dois anos de hiato. Desde que venceu o Oscar 2008 com Os Infiltrados, o diretor vinha trabalhando em uma história para retorno triunfal. E esta história é a adaptação do livro Paciente 67, de Dennis Lehane (autor também do livro que se transformou em uma das melhores obras de Clint Eastwood, Sobre Meninos e Lobos).
Em cartaz desde ontem em grande circuito e arrastando multidões aos cinemas, Ilha do Medo (Shutter Island) é a grande homenagem de Scorsese ao cinema. Porque todo grande diretor tem que fazer seu ‘filme-referência’ – Almodóvar fez o dele, com o recente Abraços Partidos.
 
Assim como Almodóvar, Scorcese não foi muito feliz em sua esolha. Peca, especialmente, por escolher uma história manjadíssima, daquelas que antes da metade do filme você já saca o final. Não há surpresa, não há mistério, não há nada de novo. Ilha do Medo é piada velha, frustrante. Nem precisa ler o livro – quem leu, garante que a adaptação é fiel, quem não leu, não vai ler porque o filme não desperta essa curiosidade.
 
Mas, comparando novamente Scorsese com Almodóvar, o diretor americano também tem seus fãs fiéis. E sabe filmar seu atual ator preferido, Leonardo Di Caprio, como ninguém. Repetindo uma dobradinha que vem dando certo nos últimos anos, a dupla se tornou cúmplice a tal ponto que, atualmente, ninguém filma Di Caprio com o olhar carinhoso que Scorsese tem por ele. O cineasta consegue mostrar muito mais do que a beleza de Leo – é o talento cada vez mais maduro do ator que fica evidente mais uma vez.
A trama – que chama mais atenção pelos toques hitchcockianos e pela homenagem aos filmes noir – começa no melhor estilo dos filmes do mestre do suspense. A trilha, pesada e marcante, é o ponto alto. A história, no entanto, dá reviravoltas pouco inteligentes. Teddy Daniels (Di Caprio) chega ao presídio psiquiátrico na ilha Shutter acompanhado de nosso novo companheiro, o agente Chuck Aule (Mark Ruffalo). A princípio parece que ele só está lá para investigar o desaparecimento de uma paciente, mas logo descobrimos que Teddy tem questões particulares que o assombram desde a morte de sua esposa, Dolores (Michelle Williams) e a ilha é o lugar para esclarecer – ou não –  tudo.
 
O filme conta com as preciosas participações de Patricia Clarkson, Ben Kingsley e Max von Sydow, atores que conseguem dar o tom certo a personagens ambíguos e misteriosos. É um bom entretenimento, e se salva mesmo nos três minutos finais, no último diálogo que pode gerar inúmeras interpretações mas que, do meu ponto de vista, tem um significado só.
 
Apesar de todo clima de terror, da bela fotografia, e do envolvimento que a trama proporciona, não me convenceu. Ainda acho Os bons companheiros o melhor Scorsese de todos. Ainda acho Os Infiltrados melhor do que Ilha do Medo. Mas também acho que Scorses + Di Caprio formam a verdadeira dupla dinâmica do cinema.
 
Ilha do Medo é uma espécie de O Gabinete do Dr. Caligari quase 100 anos depois. É uma grande homenagem a diversos genêros cinematográficos e, por que não, a chance de Scorsese exercitar seu lado hitchcockiano. Ele tem todo direito e mérito por fazer isso. O que não significa que soube fazer bem feito.

por Janaina Pereira

Paulo Halm tem uma carreira como roteirista bem sucedida, destacando-se em filmes como Pequeno Dicionário Amoroso e Guerra de Canudos. Em sua estreia na direção, Halm brilha com Histórias de amor duram apenas 90 minutos, exibido com sucesso no Festival do Rio 2009 e que estreia nesta sexta, 12. O filme traz o casal da vida real Caio Blat e Maria Ribeiro nos papéis principais.

A trama gira em torno do jovem escritor Zeca (Blat),  às voltas com romance que não consegue escrever, e que vive no mais profundo ócio. Tem 30 anos, mas age como se fosse um adolescente. É talentoso, mas dispersivo: escreve duas frases e logo desiste.

Casado com Julia (Maria), vive crise de relacionamento, provocada pela forma antagônica com que vêem a vida: Zeca não quer nada, Julia sabe o que quer. Zeca é infeliz, porém conformado. Até o dia que começa a acreditar que Julia o está traindo. E para seu espanto, com outra mulher.

A partir desta suposta descoberta, Zeca começa a imaginar mil situações e o filme segue um caminho de comédia, nem sempre romântica, com muita interação com o público. Graças à interpretação de Caio Blat, Zeca é simpático mesmo em situações em que age como cafajeste. Ele é quem dá o tom e o ritmo do filme, com a ajuda preciosa de Daniel Dantas, que interpreta seu pai na trama.

História de amor … diverte sem ofender, conquista sem machucar. É o típico filme que fala de igual para igual com o espectador, uma trama despretenciosa que mostra a versatilidade de Halm, tão bom escrevendo quanto dirigindo.

O longa ainda consegue mostrar um retrato fiel da chamada ‘geração perdida’:  homens  de 30 e poucos anos que não arriscam em nada e não dão a cara a bater, contrapondo com mulheres da mesma idade que sobressaem graças ao idealismo e segurança.

E, sobre as comentadas tórridas cenas de amor entre Blat e sua esposa – na telona e fora dela – Maria Ribeiro, não há nada que a gente já não tenha visto antes. A abordagem proposta por Paulo Halm é de puro deboche, ressaltando o ridículo das situações e não seu lado patológico. Portanto todo mundo pode aproveitar o filme para rir muito. Sem sustos.

por Janaina Pereira

O Oscar nunca mais será o mesmo a partir de hoje. Assim como a vitória de atores negros foi importante para abrir o caminhos – alguém comentou que a melhor coadjuvante Mo´Nique é negra? Ela virou apenas ‘atriz’ e não representante de uma classe distinta graças ao prêmios recentes de Denzel Washington, Halle Berry e Forest Whitaker – o fato de uma mulher ganhar o prêmio de direção e filme muda o foco do até então eterno Clube do Bolinha que é a Academia de Hollywood.

Kathryn Bigelow, ex-mulher do todo poderoso James Cameron, diretor da maior bilheteria da história do cinema, fez poucos filmes e preciso de apoio da França, e não de seu País natal para fazer Guerra ao Terror, o filme que ganhou o Oscar 2010.

Kathryn é a primeira mulher a vencer na categoria de diretor em 82 anos de Oscar. Ela foi apenas a quarta indicada, e recebeu a estatueta dourada das mãos da sempre injustiçada pela Academia Barbra Streisand.

Sabendo a importância do prêmio, Barbra disse antes de divulgar o vencedor. “É chegada a hora.” Talvez as mulheres do mundo – jornalistas, críticas de cinema e cinéfilas, tão jogadas para escanteio no universo masculino que é o cinema – ainda não tenham se dado conta da importância da premiação de Bigelow. Mas o fato é que ela fez história e mostrou que mulher não precisa fazer ‘filme mulherzinha’ para ser diretora.

Em entrevista recente à Reuters, Bigelow disse ‘não vou mudar minhas ideias nem meu sexo para fazer filmes’, mostrando assim a personalidade forte de alguém que foi sim fazer um filme de guerra, tema tão masculino.

No Dia Internacional da Mulher, data totalmente dispensável e que só reforça o preconceito contra nós – existe Dia Internacional do Homem, por acaso? – Kathryn Bigelow, ao lado da ressurgida das cinzas Sandra Bullock, de Mo´Nique, e do filme Preciosa – grande surpresa com o prêmio de roteiro adaptado – são as melhores coisas do Oscar 2010.

E, claro, O Segredo dos Seus Olhos, filme que tive o prazer de ver no Festival do Rio 2009 muito antes de virar mania nacional. Filme, aliás, dirigido por um grande homem chamado Juan José Campanella.

Hoje estou mais feliz por ser uma jornalista que pode ver o cinema – área em que trabalho com tanta satisfação – com os olhos de uma mulher que não precisa mudar de sexo para gostar de ‘filmes que homens gostam’.

Obrigada, Kathryn Bigelow. Você é o cara.

Oscar 2010

março 8, 2010

por Janis Lyn*

Acabou neste minuto o Oscar deste ano. Guerra ao Terror surpreendeu todos e ganhou a maioria dos prêmios, passando Avatar. Veja abaixo todos os vencedores:

Melhor Ator Coadjuvante: Cristopher Waltz (Bastardos Inglórios)

 Melhor Animação:UP Altas Aventuras

Melhor Canção Original: The Weary Kind (Coração Louco)

Melhor Roteiro Original: Guerra ao Terror

Melhor Curta-Metragem de Animação: Logorama

Melhor Documentário em Curta-Metragem: Music by Prudence

Melhor Curta-Metragem Dramático: The New Tenants

Melhor Maquiagem: Star Trek

Melhor Roteiro Adaptado: Preciosa

Melhor Atriz Coadjuvante: Mo’nique (Preciosa)

Melhor Direção de Arte: Avatar

Melhor Figurino: The Young Victoria

Melhor Edição de Som: Guerra ao Terror

Melhor Mixagem de Som: Guerra ao Terror

Melhor Fotografia: Avatar

Melhor Trilha Sonora: UP Altas Aventuras

Melhor Efeitos Visuais: Avatar

Melhor Documentário: The Cove

Melhor Montagem: Guerra ao Terror

Melhor Filme Estrangeiro: O Segredo de Seus Olhos (argentino)

Melhor Ator: Jeff Bridges (Coração Louco)

Melhor Atriz: Sandra Bullock (The Blind Side)

Melhor Direção: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)

Melhor Filme: Guerra ao Terror

*Janis Lyn é jornalista responsável pelo Diário de uma foca em crise

E o Oscar vai para…

março 5, 2010

 

 

por Janaina Pereira

Neste domingo, dia 7, acontece a maior festa do cinema, o Oscar, diretamente do Kodak Theatre. Será que os favoritos vão ganhar? Ou teremos surpresas?

Assisti a todos os 10 indicados na categoria filmes – e, consequentemente, aos cinco diretores que disputam a estatueta – além de todos os filmes em que atores e atrizes (principais e coadjuvantes) concorrem.

A partir disso, fiz minhas apostas – nos favoritos, nos azarões e naqueles que deveriam, mas não vão ganhar. Confiram.

Melhor filme

Favorito: Guerra ao Terror. Apesar do disse-me-disse que o filme pode ser desclassificado por causa de campanha irregular para o Oscar, o longa de Kathryn Bigelow ainda é o favorito, desbancando do posto o arrasa-quarteirão Avatar. Emboras os dois filmes tenham duelado de igual para igual, até o final do ano passado, nas premiações pré-Oscar, Guerra ao Terror vem se destacando nas últimas semanas, conquistando prêmios importantes como o do Sindicato dos Produtores e dos Roteiristas.

Principal adversário: Avatar. O filme de James Cameron, vencedor do Globo de Ouro, recebeu só nove indicações – esperava-se mais dele – e chega enfraquecido ao Oscar. Mas pode ter um sopro de chance com a confusão da campanha por votos de Guerra ao Terror.

Azarão: Um homem sério. O ótimo filme dos irmãos Coen não tem o perfil do Oscar. A trama sobre pessoas comuns em situações incomuns é brilhante mas, além dos diretores já terem sido premiados nesta década, este aqui está longe de ter ‘a cara de Hollywood’.

Quem merecia ganhar: Distrito 9 e Up. Sem dúvida, os filmes mais inteligentes (ao lado de Um homem sério) entre os 10 indicados. E que conquistaram excelentes bilheterias e fãs pelo mundo afora. Qualquer um deles que ganhasse seria uma (r)evolução.

Melhor diretor

Favorito: James Cameron. Vai duelar com a ex-mulher, Kathryn Bigelow, mas deve levar para não sair de mãos abanando. Afinal, ele é o maior campeão de bilheteria da história do cinema graças ao seu Avatar.

Principal adversária: Kathryn Bigelow. A diretora de Guerra ao Terror ganhou até o inédito prêmio do Sindicato dos Diretores. É a maior disputa da premiação deste ano. Diz a lenda que quem leva diretor, leva filme. Mas há exceções, inclusive recentes, quando Ang Lee venceu o prêmio de diretor, mas seu Brokeback Mountain levou rasteira de Crash em filme.

Azarão: Lee Daniels. Embora o diretor de Preciosa tenha feito um grande trabalho, é pouco provável que vença. Entra só para as estatísitcas por ser o segundo negro indicado como diretor.

Quem merecia ganhar: Kathryn Bigelow. O trabalho da diretora não chega a ser brilhante, mas só pela sua ousadia de fazer um filme de guerra – tema predominantemente masculino – ela merece. E está na hora de uma mulher ganhar o prêmio. E olha que Kathryn há fez história, ao ser a quarta mulher indicada na categoria.

Melhor ator

Favorito: Jeff Brifges. O veterano ator, em sua quinta indicação, deve levar pelo papel do cantor alcóolatra Bad Blake. Bridges está bem no filme Coração Louco e faz aquilo que o júri do Oscar mais gosta: o papel de um decadente que ressurge das cinzas.

Principal adversário: Colin Firth. Ator de talento incontestável, brilha em A single man e acaba de ganhar o Bafta. Entra forte na disputa.  

Azarão: Jeremy Renner. Ser indicado já é um prêmio para o ator principal de Guerra ao Terror, que não competiu nas principais premiações de atores. Apesar do oba-oba em torno do filme, suas chances são mínimas.

Quem merecia ganhar: Morgan Freeman. Um dos maiores atores americanos de todos os tempos merecia seu segundo prêmio pela atuação inesquecível como Nelson Mandela em Invictus.

Melhor atriz

Favorita: Sandra Bullock. Atriz que tem boa aceitação popular e faz filmes com grandes bilheterias, Sandra finalmente mostrou seu talento além da comédia. Ela convence e emociona em Um sonho possível e vem conquistando prêmios importantes. Repete aqui o estilo Julia Roberts em Erin Borocovich. Apesar da total semelhança de papéis e situações – Julia também é vista como uma atriz de comédia que fez um papel sério bacana e assim ganhou o Oscar – Sandra Bullock merece. Ou ganha agora ou não leva nunca mais.

Principal adversária: Meryl Streep. Divide com Sandra os principais prêmios da temporada. E Meryl é Meryl.

Azarão: Gabourey Sidibe. A jovem estreante protagonista de Preciosa é uma grata surpresa. Fora do estereótipo de atrizes lindas e loiras que concorrem ao Oscar, ela arrasa no papel da jovem que sofre violências físicas e psicológicas. Seria uma ousadia premiá-la. Mas bem que ela merecia.

Quem merecia ganhar: Meryl Streep. Porque Meryl é diva, é brilhante, é tudo. Ela arrasa em Julie & Julia. E faz tempo que merece seu terceiro Oscar.

Melhor ator coadjuvante

Favorito: Christopher Waltz.  O ator, que ganhou o prêmio máximo em Cannes 2009, ‘engole’ Brad Pitt em Bastardos Inglórios. É uma das maiores barbadas do Oscar.

Principal adversário: Matt Damon. O ator já tem uma estatueta dourada, de roteiro original por Gênio Indomável, e só não tem mais força na corrida do Oscar porque Invictus ‘implodiu’ nas indicações.

Azarão: Woody Harrelson. Embora seu desempenho em O mensageiro seja louvável, Harrelson parece sempre fazer mais do mesmo.

Quem merecia ganhar: Matt Damon. Se Chris Waltz não concorresse, era nas mãos de Damon que a estatueta dourada deveria parar. O ator brilha em Invictus, contracenando com ninguém menos que Morgan Freeman.

Melhor atriz coadjuvante

Favorita: Mo ´Nique.  A comediante dá show em sua primeira atuação dramática como a mãe desvairada de Preciosa. Assim como Waltz, é barbada.

Principal adversária: Mo ´Nique. Nunca uma categoria teve tanta disparidade de indicadas como essa. A atriz ganhou todos os prêmios da temporada e concorre com ela mesma.

Azarão: Penelope Cruz. Vencedora ano passado, a atriz espanhola tem uma única boa cena em Nine, e é inacreditável que ela tenha sido indicada e Marion Cotillard, sua companheira em cena, não.

Quem merecia ganhar: Mo ´Nique. Nenhuma das outras quatro indicadas é páreo para ela.

 

Neste domingo, dia 7, a partir das 22 horas, siga @cinemmarte no twitter e acompanhe a premiação do Oscar.  Comentários de Janaina Pereira, Janis Lyn e Léo Francisco.

 

Coração Louco

março 2, 2010


 
 
por Janaina Pereira
 
 
Jeff Bridges é um dos mais queridos atores americanos. Indicado pela quinta vez ao Oscar, parece que finalmente chegou a vez dele graças ao papel do cantor alcóolatra Bad Blake em Coração Louco (Crazy Heart), de Scott Cooper. O filme, que estreia nesta sexta, dia 5, pode não ser o melhor da carreira de Bridges, mas é o tipo de história que emociona e convence.
 
Bad Blake (Bridges) é um cantor que vive das sobras de sua fama. Percorrendo os Estados Unidos num carro caindo aos pedaços, faz shows em espeluncas, dorme com as barangas que ainda o idolatram e bebe sem parar. Decadência pura é o que lhe resta.
 
Em visita à cidade de Santa Fé, onde fará dois shows, conhece Jean (Maggie Gyllenhaal), a repórter do jornal local. Ele se apaixona pelo seu jeito meigo e seus grandes olhos azuis; ela se encanta pelo lado simplório e carinhoso daquele homem amargurado pela vida.
 
Quando a gente acha que o filme vai virar um Despedida em Las Vegas – aquele em que Nicolas Cage faz um alcóolatra que morre de tanto beber (aliás, Cage levou o Oscar pela interpretação. Fica a dica.) – o carismático Blake resolve mudar o rumo, parece que pode – e quer – ressurgir das cinzas, não apenas pela paixão por Jean, mas também pelo reencontro com seu ex-parceiro Tommy (Colin Farrel, que inexplicavelmente não aparece nos créditos do filme).
 
Entre garrafas, vômitos, boas canções e aquele momento de superação que os americanos a-do-ram, Coração Louco vai se arrastando, apoiado na interpretação sensível de Bridges. O ator é Bad Blake em carne e osso: acabado, sujo, sem esperança. Ele dá luz ao filme, que ainda tem outro mérito:um final nada clichê.
 
Vale por cada música, cada ruga e cada cabelo branco que retratam os percalços do grande Bad “Jeff Bridges” Blake.

Um Sonho Possível

março 1, 2010


 
por Janaina Pereira

 
 
Quando Sandra Bullock foi indicada ao Globo de Ouro pelo seu desempenho no filme Um Sonho Possível (The Blind Side), muito se comentou o que a atriz estava fazendo ali. A surpresa maior foi quando Sandra ganhou o prêmio – e este seria o primeiro de uma série que ela vem levando.O ápice da atriz pode ser neste domingo, dia 7, quando Sandra disputa o Oscar.

Favorita, ainda que concorra com ninguém menos que Meryl Streep, Sandra Bullock pode ser conhecida como atriz de comédia, mas é extremamente injusto diminuirem seu talento só por causa disso. Desculpem os chatos de plantão, mas ela está ótima em Um Sonho Possível. E sim, merece o Oscar. Por que não?
 
Claro que Sandra não é tão talentosa quanto Meryl Streep. Mas quem disse que o mais talentoso vence? Gwyneth Paltrow não ganhou da nossa Fernanda Montenegro? Pois é. E Sandra Bullock convence bem mais que Gwyneth. Fica a dica.
 
Vamos ao filme. Logo na abertura, a decoradora e ex-cheerleader Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) explica o título original do longa, um termo derivado de táticas do futebol americano. A explicação se faz pertinente para expectadores como nós, brasileiros, que não entendemos nada desse esporte, e o termo “blind side” servirá de premissa para toda a história.

Quando um quarterback destro se prepara para um passe, o atacante esquerdo de seu time deve proteger seu lado cego, que seria como o ponto cego de um carro, de um ataque do time oponente. Esta é a metáfora da trama, que conta a história real do hoje atacante dos Baltimore Ravens, o então problemático adolescente Michael Oher, o Big Mike (o ótimo Quinton Aaron).
 
Por causa de sua altura e força, o jovem consegue estudar numa escola para ricos, já que lá apostam que ele pode ser um bom jogador de futebol americano. Mas Big Mike mal tem o que vestir, enfrenta inúmeras dificuldades para estudar e não consegue se comunicar. Com 15 minutos de filme já sabemos onde isso tudo vai parar – e já é possível sentir aquele aperto no coração: Leigh conhece Michael e resolve ajudar o rapaz.
 
Loira, perua, engraçada e extremamente amorosa, Leigh é o tipo de mulher fútil que acaba sendo um exemplo de bondade ao adotar Mike e  dar a ele as oportunidades que a vida lhe negou. O rapaz, que mal consegue esboçar um sorriso, acaba percebendo a importância de um lar e começa uma – aparentemente não promissora – carreira no futebol.
 
Apesar de ser mais um daqueles típicos filmes americanos em que o protagonista supera todas as dificuldades para vencer na vida, Um sonho possível tem seus méritos. O maior deles talvez seja o esforço enorme que a direção e o roteiro de John Lee Hancok, adaptado do livro The Blind Side: Evolution of a Game,  fazem para que o longa não seja piegas. E ele consegue. Vamos admitir que isso é um feito, e meio caminho andando para que a boa aceitação do público. Ah, e claro, a boa química entre Sandra Bullock e Quinton Aron também ajuda muito.
 
O filme só estreia no Brasil no dia 19.