A Fita Branca

fevereiro 11, 2010


 

por Janaina Pereira

 
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes ano passado,  A Fita Branca é o representante da Alemanha ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme também concorre – merecidamente, por sinal – ao Oscar de melhor fotografia. Aclamado no mundo inteiro, não há exageros sobre a qualidade do longa, que estreia nesta sexta, 12. Quem conhece o trabalho do diretor  Michael Haneke (Caché)  já sabe o que esperar. E, pode ter certeza, não vai haver decepção.

Haneke usa uma deslumbrante fotografia em preto e branco para contar a história de uma vila alemã às vésperas da 1ª Guerra Mundial. O longa é estruturado a partir da voz em off de um idoso que narra lembranças de episódios que aconteceram nessa comunidade, na qual era professor.

Em duas horas e meia de projeção vemos um Barão que cria seus filhos sob educação rígida e, para reforçar suas convicções, impõe aos mais velhos o uso de uma fita branca no braço, como punição por uma suposta má ação que fizeram. A fita branca amarrada no braço das crianças deveria lembrar-lhes da pureza e da inocência, mas a gente logo percebe que não vai ser bem assim.

Atos de terrorismo atingem os cidadãos da comunidade, especialmente crianças, e ninguém sabe precisar de onde vieram ou de quem partiu. Todos parecem suspeitos e cúmplices, tudo é dúbio, e a maldade impera – e nem só os adultos são os malvados, as crianças também praticam crueldades.

O clima sombrio cerca o filme e nos faz indagnar repetidas vezes quem é o culpado pelas atrocidades. O final, daqueles que fazem a gente ficar sentado por alguns instantes na cadeira, traz uma indagação: ‘e agora?’

Alguns vão adorar, muitos vão odiar, mas a verdade é que A Fita Branca é  o filme em que as imagens falam por si só  e o texto apenas se adapta a elas. Tirem suas próprias conclusões e aproveitem, porque o cinema de Haneke é uma experiência única. E mais do que respostas, o longa traz uma pergunta: até onde pode ir o ser humano em suas atitudes assombrosas?

Vale a reflexão e os aplausos para um filme realmente perturbador.

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