Guerra ao Terror

fevereiro 4, 2010

 
por Janaina Pereira
 
 
Adoro filmes de guerra. Como jornalista, sempre sonhei estar em uma guerra para mostrar ao mundo o que acontece. Como cinéfila, este tipo de filme me encanta desde pequena. De clássicos como Apocalipse Now, do Coppola, ao oscarizado Platoon, de Oliver Stone, passando por Império do Sol, do Spielberg – ainda acho o melhor filme dele – vi todos os filmes de guerra que o cinema já produziu. Sempre gostei de História, e as guerras (des)constroem o mundo. Talvez daí venha minha fascinação.
 
Se eu fosse fazer um filme, adoraria fazer um filme de guerra. Ideia estranha vinda de uma mulher? Graças a Kathryn Bigelow (de Caçadores de Emoção, aquele filme de surf e assaltos com Keanu Reeves e Patrick Swayze) não é mais. A diretora, até pouco tempo apontada apenas como a ex-mulher de James Cameron, conquistou público e crítica com seu filme Guerra ao Terror (The hurt locker). Claro que você já ouviu falar deste longa, o mais comentado dos últimos dias por causa das nove indicações para o Oscar. Mas existe mais força nele do que se possa imaginar.
 
Para começar, o filme chegou ao Brasil e foi direto para DVD, em abril do ano passado. Quando 2009 já estava chegando ao fim, Guerra ao Terror – que custou U$ 11 milhões, uma mixaria na indústria hollyoodiana – começou a ganhar prêmios importantes e apareceu como único filme que pode desbancar Avatar na corrida pelo Oscar deste ano. Assisti ao longo dias antes da lista de indicações ser anunciada, e afirmo que prefiro que ele ganhe, embora não ache essa coca-cola toda.
 
O que me encantou em Guerra ao Terror, além do seu final arrasador, é o olhar feminino para um tema tão masculino. Ninguém acreditava em um filme de guerra feito com poucos recursos por uma mulher. E ela foi lá e fez. Só pela ousadia  Kathryn  Bigelow já tem toda a minha admiração.
 
O filme começa com uma frase marcante, que só no final vai fazer todo sentido.  “War is a drug”, ou seja, a guerra é uma droga, um entorpecente, algo que vicia mas de certa forma dá prazer,  e para aqueles que não conseguem se controlar, pode matar. A frase é de Chris Hedges, jornalista americano, correspondente de guerra, com experiência de coberturas em mais de 50 países.A observação de Hedges não diz respeito especificamente à guerra do Iraque, onde se passa a ação de Guerra ao Terror, mas ajusta-se com perfeição ao personagem principal, o sargento William James (Jeremy Renner), que integra uma unidade do Exército americano em Bagdá especializada em desarmar bombas.

James chega para substituir o sargento Matt Thompson (Guy Pierce), que vai pelos ares na abertura da história. Faltam 38 dias para terminar a missão desse grupo, formado também por outros dois militares, o sargento J.P. Sanborn (Anthony Mackie), chefe do trio, e o soldado Owen Eldridge (Brian Geraghty), que dá cobertura aos dois. Claro que esses 38 dias serão longos e insanos, e ao longo de 131 minutos, acompanhamos a saga deste trio em Bagdá.

Os soldados são os invasores, cercados de inimigos, em missão supostamente “pacificadora”. Naturalmente, não questionam muito o sentido do que estão fazendo pois são militares, com uma missão a cumprir. E há todo aquele heroísmo em desarmar bombas e tal. É tão viril, é tão americano. E o que Kathryn explora não é apenas o lado psicólogico dos militares, nem a estupidez da guerra – isso a gente já viu antes em muitos filmes. A diretora aposta nesse lado viciante para mostrar porque os americanos não vivem sem os confrontos. Um caminho brilhante traçado pelo roteiro de Mark Boal, jornalista que passou semanas com o Exército em Bagdá, em 2004.

A primeira hora da produção é dispersa e sem nada que me convencesse. Bocejei. Achei a direção, inclusive, lenta demais. A partir da metade, em uma cena especifica – a relação de James com um menino – tudo muda. O filme cresce e isso se deve não só a câmera mais tensa de Kathryn como a atuação alucinada e alucinante de Jeremy Renner.E a partir daí que Guerra ao Terror se torna um filme que faz você pular da cadeira e ter todas as reações junto com os personagens.

No final, bem, no final eu me rendi. As duas últimas cenas são tão emblemáticas que eu sai do cinema com a certeza de que gosto tanto de filme de guerra porque também sou viciada nesse tipo de adrenalina. É inexplicável, não faz o menor sentido, e não tem nada de heróico nisso. Não é à toa que a fase “War is a drug” vem de um jornalista.

Torço para que Kathryn Bigelow leve o Oscar. Não só porque sou Anti-Avatar, como também porque ela fugiu dos caminhos das cineastas mulheres que adoram comédias românticas e dramas, mostrando que vê o mundo mais vermelho sangrento do que rosa. É bom saber que existem mulheres que pensam como eu.

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2 Respostas to “Guerra ao Terror”

  1. joana said

    olá…gostaria de saber s sabes o nome de um filme, que daria tudo para voltar a ve.lo…era de guerra, mas c a particularidade que um reporter, k supostamente so iria tirar umas fotos no campo, acabou por se aliar aos soldados americanos e lutou como um verdadeiro guerreiro…xegou ao fim, e n tinha palavras para transcrever tudo o tinha vivido naquela guerra, aos jornais…n m recordo muito bem…mas ia adorar rever esse filme

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