Os Inquilinos

fevereiro 24, 2010

por Janaina Pereira

Sérgio Bianchi é um dos cineastas brasileiros que melhor consegue mostrar as mazelas do País. Em Cronicamente Inviável (1999), ele colocou na telona a desigualdade social de forma nua e crua, sem cerimônia.

Considero Bianchi extremamente corajoso por mostrar o que tanta gente tenta esconder. E, mais uma vez, o diretor dá show em Os Inquilinos, um dos destaques brasileiros da Mostra de São Paulo e que entra em circuito a partir de sexta, dia 26.

De forma tranquila, mas precisa, Bianchi conduz a trama a partir do cotidiano de Valter (Marat Descartes), trabalhador de subemprego que mora na periferia de São Paulo com mulher e dois filhos. Seu dia-a-dia é abalado quando ele tem de conviver com os novos vizinhos.

Aos poucos, vamos sendo envolvidos pela rotina de Valter. E é aí que o filme aponta vários problemas da sociedade, visível aos olhos mas que, na vida real, são estrategicamente camuflados. Há desde a vulgarização e precoce sexualidade infantil, consentida pelos pais que só conseguem se incomodar com vida alheia e ter preconceitos com quem mora na favela, até a visão distorcida que muitas pessoas fazem do ‘Partido” (como o alto comando do tráfico é chamado no filme).

Neste ponto, o longa vai no mesmo caminho que Salve Geral, de Sérgio Rezende, porém ousando mais, colocando o dedo na ferida, mostrando que, como diz aquele funk, ‘tá dominado, tá tudo dominado’.

Como é de praxe na filmografia de Sérgio Bianchi, Os Inquilinos não deixa, por um minuto sequer, a esperança invandir a tela. Não poderia ser diferente: seu papel é mostrar o que se tenta esconder, é apontar a realidade dos fatos. E isso Bianchi e seu elenco conseguem fazer muito bem.

O Segredo dos seus Olhos

fevereiro 23, 2010

por Janaina Pereira

 

Fazer um bom filme, de qualquer gênero, é algo difícil. Reunir, na mesma produção, comédia, romance e suspense e conseguir um resultado perfeito parece praticamente impossível. Para cineastas comuns, talvez. Para o talentoso Juan José Campanella, não. O argentino retoma a parceria com o ator Ricardo Darín – trabalharam em O filho da Noiva, O mesmo amor, a mesma chuva e Clube da Lua – para fazer o singular O Segredo dos seus Olhos, um dos destaques do Festival do Rio 2009, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e que estreia nesta sexta, 26.

A trama é bem simples: o oficial de justiça recém aposentado Benjamín Espósito (Darín) começa a escrever um romance policial sobre um caso que ele mesmo investigou em 1974. Ao revisitar o passado pelas palavras e pela memória, ele questiona o resultados das investigações e a forma como conduziu sua vida até então.

Entre indas e vindas no tempo, descobrimos como foi o crime e o que ele causou aos envolvidos, além de desvendarmos que as decisões passadas ainda podem ser fatais no presente.

O roteiro, baseado no romance de Eduardo Sacheri e adaptado pelo próprio diretor, tem todos os elementos que enriquecem qualquer história, mas que nem sempre são usados da melhor forma. Aqui, no entanto, tudo funciona muito bem: pitadas sutis de comédia e romance com toques de suspense policial intenso, culminando com momentos sufocantes até chegar em seu final com uma apoteose digna de filmes de Hitchcock.

Para um roteiro tão bom, o elenco só podia ser brilhante. Falar que Ricardo Darín dá um espetáculo em cena é cair no lugar comum: o ator brilha com um olhar carregado de paixão e veracidade, mostrando-se grandioso a cada cena. Soledad Villamil envolui claramente nos tempos distintos da trama, amadurecendo com a personagem. Ela é cativante, mas contida, como a Irene do passado, e direta e sensível como a Irene do presente. Porém, o destaque extremo fica por conta de Guillermo Francella,que interpreta Sandoval, melhor amigo de Benjamín. Ponto cômico do longa, ele consegue ir do riso às lágrimas com rara desenvoltura.

Vale ressaltar a trilha sonora que pontua bem a história, indo do romance ao drama, e passando pelo suspense, sem perder o ritmo; a fotografia ímpar – reparem na cena em que Irene e Benjamín se despedem na estação de trem -, a maquiagem que transforma os atores na passagem de 25 anos da trama e a direção segura de Campanella,com enquadramentos de câmera e planos sequênciais belíssimos (destaque para as cenas no jogo de futebol do Racing), além do ótimo trabalho com seus atores.

O Segredo dos seus Olhos é tenso e intenso, e embora transite por vários gêneros, no final das contas é uma grande história sobre o poder da paixão em nossas vidas. Para ver, rever e aplaudir de pé.

Assista ao trailer de O Segredo dos seus Olhos.

 

Um Olhar do Paraíso

fevereiro 19, 2010

por Janaina Pereira
 
 
Adoro o diretor Peter Jackson, não pelo seu trabalho na trilogia Senhor dos Anéis, mas pelo filme Almas Gêmeas, um dos meus preferidos de todos os tempos, em que a então atriz adolescente Kate Winslet foi lançada. Jackson mostrou ali que sabia filmar histórias difíceis com sensibilidade. Ele parecia retomar aos temas complexos ao escolher levar para a telona a adaptação do livro Uma vida interrompida. O filme The Lonely Bones (algo como ‘restos angelicais’), que estreia hoje, em português virou Um Olhar do Paraíso.
 
A história é chocante, abordando como Susie, de 14 anos, que é estuprada, morta e estripada, permanece entre os vivos como uma espécie de vigilante da família e do assassino. A menina não consegue  desencarnar e vê seu lar ser desfeito por causa da tragédia. Ao mesmo tempo, o homem que a matou continua vivendo sem nenhuma suspeita sobre o que ele fez.
 
A trama tinha tudo para se transformar em um grande filme, não necessariamente sobrenatural, mas especialmente sobre crime e castigo, uma espécie de Ghost mais profundo e tenso. Infelizmente Jackson erra a mão e abusa dos efeitos especiais, fazendo um filme longo, chato, sem graça e extremamente irritante graças aos erros grosseiros do roteiro e da edição.
 
Desde cenas em que a personagem de Rachel Weisz aparece de cabelos longos para, na sequência, estar de cabelos curtos – sem passagem de tempo! – até datas erradas – a história se desenrola entre 1974 e 1975 mas no filme há trechos que se referem a 1977 – há de tudo um pouco quando se trata das falhas de Um Olhar do Paraíso. E o que tem para dar e vender são efeitos especiais que tornam a trama um festival alucinógeno, com muita cor, muita fofura e muita compaixão no suposto ‘estágio pós-morte’ de Susie.
 
Para interpretar  a doce menina assassinada, Jackson escalou Saiorse Ronan, de Desejo e Reparação. Ela está bem no papel, ao contrário de Mark Walberg e Rachel Weisz, que fazem os pais de Susie. Eles não despertam qualquer sentimento diante da tragédia. Susan Sarandon, que faz a avó da garota, parece só levar seu nome de peso para o cartaz. E Stanley Tucci, ator sempre talentoso e indicado ao Oscar de melhor coadjuvante, demonstra estar pouco a vontade como o assassino.
 
No final das contas, a trama pesada vira uma história arrastada e nada acrescenta a filmografia de Peter Jackson. Lamentável.

Idas e Vindas no Amor

fevereiro 18, 2010


 
por Janaina Pereira
 
 
Juntar um elenco repleto de estrelas belas, mas não necessariamente talentosas, para contar como o Dia dos Namorados influencia a vida de pessoas comuns foi a escolha do diretor Gary Marshal (Uma linda mulher) em seu mais recente filme, Idas e Vindas no Amor (Valentine´s Day). O longa estreia nesta sexta, 19, em circuito e é uma alternativa para quem gosta de filmes simplórios após um feriadão de Carnaval.
 
O título em português diz tudo: vários homens e mulheres, todos moradores de Los Angeles, passam o Dia dos Namorados entre idas e vindas com as pessoas que amam – ou que nem desconfiam (ainda) amar. Casais e solteiros vivenciam os altos e baixos de encontrar, manter ou terminar relacionamentos naquele que é apontado como o dia do amor.
 
As várias histórias que se cruzam nem sempre são felizes ou originais, mas o filme é um passatempo perfeito para quem não exige muito do cérebro. As mulheres, curiosamente, não aparecem o tempo todo como românticas, o que já dá ao longo um certo crédito. Elas são modernas, decididas e nem todas acreditam no amor – apesar de, vez ou outra, cederem a ele.
 
Destaque para as cenas de Bradley Cooper – até chocantes para quem não sabe muito sobre a história – e a dupla Ashton Kutcher e Jennifer Garner, que tem a história mais fofa do filme. Também vale ressaltar que a presença do casal Taylor – Lautner e Swift – é totalmente desnecessária.
 
Idas e Vindas no Amor é distração sem maiores pretensões. Não exiga muito dele e a diversão está garantida.

Educação

fevereiro 17, 2010

por Janaina Pereira

Nick Horbny é o autor de alguns best sellers que se transforamaram em sucesso nas telonas, como Alta Fidelidade e Um Grande Garoto. O primeiro roteiro do escritor para o cinema, naturalmente, gerou muitas expectativas. E é assim que Educação (An Education), escrito por Horbny e dirigido por Lone Sherfing, chega às telas nesta sexta, dia 19. O filme foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (com o título Sedução) e no Festival do Rio 2009 (com o título em inglês).

Se você ainda não viu o filme, prepare-se para uma grande decepção. Educação vai bem até a sua metade, quando vira uma cópia mais glamourosa do bom Fish Tank, também exibido na Mostra e no Fest Rio do ano passado.

A trama se passa em 1961 e acompanha a adolescente Jenny, estudante que almeja entrar para a Universidade de oxford e toca celo com grande paixão. Em uma dia de chuva, a jovam pega carona com David, e a atração é imeadiata. Mesmo sendo bem mais velho do que Jenny, David investe na moça e, com o consentimento dos pais dela, os dois começam a namorar.

O relacionamento do casal parece um conto de fadas, com direito a transformar Jenny na versão adolescente da bonequinha de luxo Audrey Hepburn. Mas a menina descobre as falcatruas de David,culminando em uma bombástica revelação que pode mudar – ou não – sua vida. A partir daí o filme, que já era parecido com Fish Tank, fica incomodamente igual.

Nick Horbny faz um roteiro enxuto mas nada criativo. Educação tem cara de Oscar, e por isso mesmo concorre a melhor filme e ainda tem a chata Calley Mulligan indicada a melhor atriz. É o típico filme redondinho, certinho, previsível. Suas qualidades técnicas são inegáveis e só.  Uma pena. Fica para a próxima, Nick.

O Mensageiro

fevereiro 16, 2010

por Janaina Pereira

Exibido no Festival do Rio 2009 com o título The Messenger, o longa O Mensageiro, do norte-americano Oren Moverman, vencedor do 35º Festival de Cinema de Deauville, traz como grande chamariz a indicação do ator Woody Harrelson ao Oscar de melhor ator coadjuvante.

O filme, que estreia sexta, dia 19, retrata as consequências da guerra no Iraque do ponto de vista do sargento Will Montgomery (Ben Foster), que regressa aos Estados Unidos e é designado a informar às famílias americanas sobre a morte dos soldados que estavam em combate.

A árdua tarefa é realizada em companhia de outro oficial (Woody Harrelson, repetindo o já manjado papel de desvairado que fez em seus últimos filmes), que parece pouco se importar com a dramática missão. Em uma das visitas desconfortáveis aos parentes de soldados, Will acaba se sentindo atraído por uma jovem viúva (Samantha Morton), o que desencadeia um dilema ético.

O Mensageiro é bacaninha e mostra toda a dor dos parentes que recebem a notícia de que seus filhos e maridos não vão mais voltar. Apesar do tema tão delicado, não apela para lágrimas fáceis e dá seu recado. Mas, ao ser lançado às vésperas do Oscar, acaba ficando à sombra de Guerra ao Terror, que também aborda a Guerra do Iraque, mas vista do campo minado.

Embora a guerra seja a mesma, e a abordagem pareça diferente, ambos procuram – mais uma vez – focar no que se passa nas cabeças – e nos corações – dos soldados. E cada filme, do seu jeito, consegue ser reflexivo sobre o assunto.

O Lobisomem

fevereiro 13, 2010

por Janaina Pereira

Drácula e Frankstein são dois dos personagens mais fascinantes da literatura que o cinema já retratou mil vezes. Mas existe uma lenda que exerce tanto fascínio quanto o vampiro de Bram Stocker e o monstro de Mary Shelley: a história do homem que vira lobo é um ícone do terror. Dirigido por Joe Johnston e estrelado por Benicio Del Toro, O Lobisomem (The Wolfman) é a adaptação do clássico de 1941 que chegou ontem às telas cercada de expectativa.

Se para alguns o longa é uma bomba, para outros vai agradar em cheio. Prefiro ficar no grupo que apreciou o filme por tentar resgatar o clima de terror do original, dando, é claro, toques modernos à trama. Pode não ser brilhante, mas tem seu valor, sobretudo na direção de arte, figurino e fotografia deslumbrantes.

A história se passa na Inglaterra Vitoriana. Lawrence Talbot (Del Toro) é um homem que retorna da América para sua terra para desvendar a misteriosa morte de seu irmão. Na busca pelo misterioso assassino, é mordido por um lobisomem, misto de lobo e homem que anda apavorando a população local. Talbot começa sua assustadora transformação sob a lua cheia e não imagina que sua mudança é bem menos rara do que parece.

Contando com nomes como Anthony Hopkins e Emilie Blunt no elenco, O Lobisomem se apoia, especialmente, no carisma de Benecio Del Toro, um ator talentoso e nem um pouco bonito mas ,sabe-se lá porque, extremamente sedutor. Ele parece ter nascido para o papel. As cenas da transformação são perfeitas e, embora seja uma filme de terror, não há maiores sustos na trama.

Para os mais jovens, sedentos por ver uma história bizarra ser apresentada em estilo videoclip, O Lobisomem cumpre sua função de jorrar sangue e adrenalina pela tela. Não que isso torne o filme especial, mas garante um bom entretenimento.

Preciosa

fevereiro 12, 2010

 
por Janaina Pereira
 
Existem filmes que surgem como retratos verdadeiros das mazelas da vida. Esse é o caso de Preciosa, de Lee Daniels, baseado no livro de Sapphire. Uma das apostas da temporada pré-Oscar – e favoritíssimo a levar o prêmio de atriz coadjuvante – o longa entra em cartaz nesta sexta, 12, cercado de comentários que remetem à trama pesada. Os mais sensíveis vão derramar rios de lágrimas – não foi o meu caso – diante de um drama de tristeza profunda.

A história se passa em 1987, no bairro do Harlem, Nova York. Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe),a Preciosa do título, é uma adolescente de 16 anos. Negra, obesa e sofrendo uma série de privações em seu dia-a-dia, ela passa por todo o tipo de infortúnio. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada fisica e psicologicamente pela mãe (Mo’Nique), a jovem cresce irritada e sem qualquer tipo de amor.

O fato de ser pobre também não a ajuda nem um pouco. Além disto, Preciosa tem uma filha (de seu próprio pai) apelidada de “Mongo”, por ser portadora de síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez (novamente, do pai), ela é suspensa da escola. A sra. Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para a adolescente uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação.

Eu tenho horror a cenas de estupros nos filmes. É algo que realmente me incomoda. Raros são os diretores que conseguem abordar o assunto sem serem explícitos – como Almodóvar fez com sensibilidade única em Fale com ela. Aqui, Daniels consegue mostrar em duas cenas todo o desespero de Preciosa ao ser violentada pelo pai. É um momento forte e  marcante, e o diretor conseguiu ser brilhante ao não mostrar quase nada, mas dizer absolutamente tudo. Não foi à toa que ele recebeu a indicação ao Oscar de melhor diretor.

A direção de Daniels chama muito a atenção, e as cenas da imaginação de Preciosa é dão uma certa aliviada na dor extravasada pelo longa. Outro ponto fundamental é a atuação das atrizes Gabourey Sidibe e Mo’Nique. A estreante Gabourey é espontânea  e não exagera na tristeza nem nas ilusões da sua personagem. Já Mo’Nique é visceral, e temos ódio dela desde a primeira cena. Ou seja, está perfeita no papel da mãe escrota, cretina e sem coração. Seus inúmeros prêmios de atriz coadjuvante são merecidos, e acredito que ela é uma das maiores barbadas do Oscar.

O longa é triste sim, melancólico, mas não chega a ser deprimente. Há um fio de esperança na trama, e a sensação de que os sonhos podem amenizar as dores. Talvez seja uma ilusão, especialmente quando temos consciência  que a personagem é facilmente encontrada em qualquer esquina e sua história é muito real. De qualquer forma, ela nos ensina que, diante do poço, não precisamos nos jogar nele. Podemos tentar escapar e achar uma luz no final do túnel.

Preciosa é assim, honesto em suas intenções. Tão honesto, tão verdadeiro, tão sincero que se torna um filme acima da média.

A Fita Branca

fevereiro 11, 2010


 

por Janaina Pereira

 
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes ano passado,  A Fita Branca é o representante da Alemanha ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme também concorre – merecidamente, por sinal – ao Oscar de melhor fotografia. Aclamado no mundo inteiro, não há exageros sobre a qualidade do longa, que estreia nesta sexta, 12. Quem conhece o trabalho do diretor  Michael Haneke (Caché)  já sabe o que esperar. E, pode ter certeza, não vai haver decepção.

Haneke usa uma deslumbrante fotografia em preto e branco para contar a história de uma vila alemã às vésperas da 1ª Guerra Mundial. O longa é estruturado a partir da voz em off de um idoso que narra lembranças de episódios que aconteceram nessa comunidade, na qual era professor.

Em duas horas e meia de projeção vemos um Barão que cria seus filhos sob educação rígida e, para reforçar suas convicções, impõe aos mais velhos o uso de uma fita branca no braço, como punição por uma suposta má ação que fizeram. A fita branca amarrada no braço das crianças deveria lembrar-lhes da pureza e da inocência, mas a gente logo percebe que não vai ser bem assim.

Atos de terrorismo atingem os cidadãos da comunidade, especialmente crianças, e ninguém sabe precisar de onde vieram ou de quem partiu. Todos parecem suspeitos e cúmplices, tudo é dúbio, e a maldade impera – e nem só os adultos são os malvados, as crianças também praticam crueldades.

O clima sombrio cerca o filme e nos faz indagnar repetidas vezes quem é o culpado pelas atrocidades. O final, daqueles que fazem a gente ficar sentado por alguns instantes na cadeira, traz uma indagação: ‘e agora?’

Alguns vão adorar, muitos vão odiar, mas a verdade é que A Fita Branca é  o filme em que as imagens falam por si só  e o texto apenas se adapta a elas. Tirem suas próprias conclusões e aproveitem, porque o cinema de Haneke é uma experiência única. E mais do que respostas, o longa traz uma pergunta: até onde pode ir o ser humano em suas atitudes assombrosas?

Vale a reflexão e os aplausos para um filme realmente perturbador.

por Léo Francisco*

Não é a primeira vez que vemos a Fox Film apostando na adaptação de uma  franquia de livros de fantasia e aventura para conseguir se destacar nos cinemas como aconteceu com Harry Potter e Senhor dos Anéis. Desde o fim da saga de Frodo e com a proximidade do fim das aventuras do bruxinho, chega aos cinemas a primeira aventura da saga Percy Jackson e O Ladrão De Raios (Percy Jackson and The Lightning Thief), baseado nos livros do escritor Rick Riordan, professor de mitologia grega, que transformou as histórias que contava a seu filho em livros de romances, que conquistaram de milhões de fãs no mundo inteiro.
Para dirigir e produzir o primeiro longa da franquia, nada melhor do que Chris Columbus (diretor dos dois primeiros filmes da série Harry Potter e Esqueceram de Mim), que diferente da saga do bruxo traz as telonas um filme mais voltado para adolescentes, repleto de aventura, comédia, efeitos especiais e mergulhado na cultura pop atual.

Não posso me aprofundar muito sobre se o roteiro adaptado por Craig Titley (os dois filmes da série “Doze É Demais”) é ou não fiel ao livro, pois até o momento não tive a chance de conferir a obra, mas após assistir ao filme, a vontade de ler os livros da franquia aumentaram, pois o filme tem um bom ritmo, agradando a um público bem maior. Mas vale citar, que no filme o protagonista não tem doze anos, como no livro, ele está com dezessete anos, uma idade mais adequada para mostrar o relacionamento de Percy e Annabeth, a filha de Atenas.

Na história, os deuses da Mitologia Grega saem das páginas dos livros de Percy e entram em sua vida, pois ele descobre ser um semideus (metade humano), filho de Poseidon, deus dos mares. Ele acaba descobrindo tal novidade, quando é acusado por Zeus, rei de todos os deuses, de ter roubado o seu raio, a primeira e verdadeira arma de destruição em massa.

Percy terá que viver várias aventuras para resgatar sua mãe, Sally, uma humana, que está nas mãos de Hades, deus di submundo e irmão de Poseidon e Zeus, que também está a procura dos raios de Zeus.

Para viver o protagonista da trama, o jovem Percy Jackson, foi escalado o ator Logan Lerman (Os Indomáveis), que estreou nos cinemas interpretando o filho mais novo de Mel Gibson em O Patriota, um dos papeis de sua carreira que lhe rendeu indicações a vários prêmios. E assim como em outras franquias de sucesso, o Percy terá ao seu lado, dois amigos, o ator Brandon T. Jackson (Trovão Tropical) como o sátiro Grover, o protetor de Percy e Alexandra Daddario (Bereavement) como a semideusa Annabeth, filha de Atena, que se une a Percy e Grover em sua missão em busca do raio desaparecido. Vale citar, que dos três o único personagem que chega a incomodar na história é o de Brandon T. Jackson, que se destaca dos outros por tentar ser engraçado demais em momentos importantes da história.

E esse é um dos poucos pontos negativos da história, tentar ser engraçada demais em certos seguimentos e o exagero de cenas de cultura pop, como vemos na cenas na qual o trio se encontra em Las Vegas, mas nada que chegue a estragar o filme.

Um dos grandes destaque é a trilha sonora que mesmo moderna, se encaixa perfeitamente em algumas cenas que são apresentadas e também os efeitos apresentados tanto na cena da batalha contra a hidra, como também na cena da batalha final.

Longe de ser uma produção grandiosa ao estilo de O Senhor dos Anéis, o filme Percy Jackson E O Ladrão De Raios consegue apresentar uma aventura contemporânea com muitas informações sobre a mitologia Grega, trazendo uma mensagem sobre a importância da família e da amizade, que agradará e conquistará muitos fãs. Se o filme terá seus outros volumes adaptados para os cinemas, só o tempo dirá, mas com certeza a Fox tem em mãos uma franquia que se for bem trabalhada e concertarem os pequenos erros do primeiro filme, pode dar certo e se destacar. Resta apenas apostar e não abandonar com os primeiros tropeços, como aconteceu com As Crônicas de Nárnia (Disney), Os Seis Signos de Luz(Fox), Eragon (Fox) e Desventuras em Série (Paramount).
 

* Léo Francisco é editor do Planeta Disney e Pipoca Combo e escreveu esta crítica à convite do Cinemmarte.