Mostra de SP 2009: Vencer

novembro 4, 2009

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por Janaina Pereira

Um dos filmes mais vistos na Mostra de SP é Vencer (Vincere), do italiano Marco Bellocchio, drama histórico que acompanha a história real de Ida Dalser, supostamente a primeira esposa de Benito Mussolini.

O filme começa na década de 1910, com o futuro líder fascista (vivido por Filippo Timi) falando que Deus não existe para um grupo de católicos de Trento, em nome do grupo socialista do qual  se tornaria porta-voz. A ousadia de Mussolini encanta a jovem Ida (Giovanna Mezzogiorno), e os dois logo se tornam amantes às vésperas da Primeira Guerra Mundial.

Segundo a história oficial, o casal teve um filho, Benito Albino Mussolini, nascido em 1915, e o pai o reconheceu legalmente, mesmo sendo casado com outra mulher, Rachele (Michela Cescon). Na época, Ida não sabia que Mussolini era casado e já havia vendido todos os seus bens para financiar o jornal do então militante político.

Nos anos 1920, já conhecido como Il Duce (O Líder), Mussolini abandona Ida que, revoltada, exige seus direitos. Ela acaba sendo separada do filho e internada em um hospício, e passa o resto de sua vida alternando entre clínicas psiquiátricas e mantendo o discurso de ser a primeira esposa do ditador.

Sem ter como provar o casamento, Ida é coagida a negar o envolvimento com Mussolini e assim se livrar do hospício. Ela, no entanto, mantém sua palavra, e aí vem toda a força do filme ao apontar as atitudes opostas de Ida e do ditador.

Enquanto Il Duce discursa para as massas, depois de fazer as pazes com a Igreja, contruindo sua postura dissimulada que o mundo conheceu bem, Ida Dalser mantém sua palavra e permance até o fim afirmando sua condição de esposa. Enquanto isso, o filho do casal cresce à sombra do pai, e seu destino não é muito diferente do de sua mãe.

Vencer foi filmado como uma grande ópera, com músicas dramáticas pontuando as cenas mais densas, o que o torna cansativo várias vezes. Na segunda metade do filme, o diretor Bellocchio optou por usar cenas reais de Benito Mussolini, o que dá mais veracidade ao longa que mostra, acima de tudo, como uma imagem política e o poder de persuassão são construídos.

Mussolini começou enganando Ida para depois enganar meio mundo. Seu discurso manipulador não é muito diferente do que se ouve por aí, nos dias de hoje.  Por isso o filme de Marco Bellochio é muito mais do que um relato histórico; é, também, uma crítica à política.

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