Mademoiselle Chanel no Rio

outubro 7, 2009

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por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

Está chegando a hora de ir. O penúltimo dia do Festival do Rio foi cercado de belos rostos na telona, com os novos filmes de Gael Garcia Bernal e Audrey Tatou. Mas o dia começou  com uma entrevista com o simpático Victor Bota, diretor do documentário Os Gracies e o nascimento do Vale Tudo e assistindo ao mexicano Purgatório.

O filme se passa nos anos 1950, quando o México passa por modernização, e conta três histórias independentes. A primeira história é sobre Bonfilio, que pede ao pai para cuidar de sua família enquanto ele vai para o Norte fazer fortuna. Os conflitos são resolvidos quando Bonfilio volta para dar o último adeus.

A segunda trama é sobre a vida da prostituta Lucia, que descobre o amor ao conhecer numa noite o coveiro Demetrio. A terceira história é sobre Don Julio, antigo fazendeiro, que delira de remorso após matar Cleotilde, com quem se casou por conveniência.

A narrativa do filme é legal, mas confesso que a fotografia é o melhor do longa: as duas primeiras histórias são em preto e branco, com alguns toques de cor; a terceira é colorida. Isso é o que encanta de fato, as imagens são melhores que o texto.

Em seguida vi Corações em Conflito, que traz Gael Garcia Bernal e Michelle Williams como Leo e Ellen, casal yuppie que vive em Nova York com a filha de oito anos, Jackie. Ele é criador de um website de sucesso, que vive entre grandes somas de dinheiro e importantes decisões. Ela é cirurgiã e passa longas horas trabalhando num hospital.

Obrigado a viajar à Tailândia a negócios, Leo tenta mudar sua perspectiva de vida durante a temporada no exótico país. Ao mesmo tempo, Ellen questiona suas prioridades ao perceber que a filha prefere a companhia de Gloria, sua babá filipina. Gloria, por sua vez, tem dois filhos em seu país natal que fazem de tudo para se juntar a ela.

O filme só engrena na metade. A primeira uma hora é cansativa e monótona. Depois ele deslancha, mostrando como pequenas decisões podem alterar facilmente nossas vidas. Destaque para o final que questiona o amor de mãe e coloca os workaholics em posições opostas. Fiquem atentos e aproveitem a mensagem do filme.

No final da noite foi a vez de conferir Coco antes de Chanel, de Anne Fontaine, um dos filmes mais esperados do ano. Fiquei encantada com a história desta mulher de fibra, que revolucionou a moda. Atrevida, estilosa, irreverente, Gabrielle ‘Coco’ Chanel é a grande responsável pela virada da moda feminina, com o fim dos espartilhos e o uso da calça.

O longa retrata a vida de Gabrielle, como ela se tornou Coco, seus primeiros amores e as tragédias que fizeram dela um ícone da moda. É correto, digno, com boa fotografia e direção de arte. O destaque, obviamente, fica para a brilhante interpretação de Audrey Tatou (foto) – a eterna Amelie Poulain – que dá corpo, alma e muita força a Coco Chanel.

Mademoiselle Chanel tem uma frase que sempre achei muito boa: “Uma mulher possui a idade que merece.” Concordo plenamente. Ela mesma morreu com quase 90 anos, mas com a elegância e a beleza preservadas. Na telona,  foi eternizada: o cinema acaba de transformar Coco em uma mulher além da marca Chanel.

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Uma resposta to “Mademoiselle Chanel no Rio”

  1. Hoje não fui ao cinema. Lendo Janaina assisti agora vários filmes com a sua descrição objetiva, precisa e brilhante.

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