Festival do Rio 2009: The Burning Plain

outubro 7, 2009

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por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

Existem filmes bons, maravilhosos, brilhantes… adjetivo a gente coloca aos montes nas produções que curtimos. Mas existe também os filmes perfeitos, que causam aquela sensação agradável de ‘quero ver de novo agora’. Foi assim que me senti após ver The Burning Plain, a estreia na direção do roteirista Guillermo Ariaga (Amores Brutos, 21 gramas, Babel) – o último filme a ser liberado para exibição ao público no Festival do Rio e, por isso mesmo, com apenas seis sessões – duas já foram ontem.

Para começar, a trilogia que tornou Guillermo Ariaga famoso foi dirigida pelo ótimo Alejandro González Iñárritu. Mas, após ver The Burning Plain, ficou a impressão de que Ariaga poderia dirigir perfeitamente os filmes que escreveu. Ele consegue, inclusive, dar mais ritmo à trama do que Iñarritu. Mas não estou aqui para julgá-los, e sim para falar do filme. Que é ótimo, melancólico, surpreendente, bem ao estilo do Ariaga.

Não vou entregar a história porque o bom é ver o filme e descobrir os segredos dos personagens – e assim admirar o roteiro. O que você pode saber é que a trama analisa o vínculo misterioso que une Mariana (Jennifer Lawrence), uma jovem de 16 anos que procura recompor o casamento de seus pais em uma cidade junto à fronteira do México, Sylvia (a bela Charlize Theron- foto), uma mulher de Portland que transa com desconhecidos, Gina (Kim Basinger, com rugas mas ainda em forma), a mãe de Mariana, que tem um amor clandestino, e Maria (Tessa La), cujo pai sofre um acidente de avião.

Como as vidas dessas mulheres vão se entrelaçar é a grande sacada do roteiro, e aí a mão de Ariaga fica evidente: é o seu estilo, seu jeitinho particular de desconstruir o tempo e unir algo aparentemente sem o menor sentido. A direção acompanha o ritmo do longa, a montagem dá show – especialmente na já antológica sequência final –  a trilha sonora pontua o filme com suavidade e melancolia, e o filme termina como tem que terminar, dando a tal sensação de que foi realizado com perfeição.

The Burning Plain inclui tudo que Guillermo Ariaga costuma colocar em seus roteiros, muitas histórias que se unem, acidentes, morte, superação, melancolia, redenção. Mas, dessa vez, ele é quem diz que imagens suas palavras devem ter.

Muita gente vai dizer que o cineasta é repetitivo, e nunca vai sair da fórmula que criou para contar suas tramas. Bobagem. Já citei aqui nestes dias de Festival do Rio que Almodóvar e Sam Mendes mudaram o rumo de suas carreiras enquanto Tarantino continua o mesmo, ainda que fazendo filme de guerra.

É possível se reinventar ou ser sempre o mesmo com criatividade e estilo. Por enquanto, Ariaga está bom do jeito que é: denso, melancólico, indo e vindo com histórias que nos conquistam rapidamente. The Burning Plain é um dos melhores filmes do Festival e do ano. E mais uma prova de que no roteiristas que viram diretores conseguem brilhar além das palavras que escrevem.

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