Maratona cinematográfica

outubro 3, 2009

dia

por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

O Rio amanheceu de ressaca pela conquista das Olimpíadas de 2016, e as salas de cinema do Festival estavam mais vazias ao longo deste sábado. Logo pela manhã eu deveria assistir Jaffa, um longa israelense. Eu vi, mas não de manhã graças a uma situação bizarra: o rolo do filme não estava no Espaço de Cinema e precisou ser retirado na Barra.

Para quem não conhece a cidade, a distância entre a Barra e o Espaço, que fica em Botafogo, é considerável. A sessão atrasou 45 minutos. Eu e mais uma dúzia de pessoas íamos perder a sessão seguinte, que era no Estação Botafogo, e conseguimos convencer o gerente a pedir para que a outra sessão atrasasse. E assim foi, uma verdadeira maratona, um bando de gente correndo pela rua Voluntários da Pátria após Jaffa para não perder o começo de Partir – sorte a minha que não era a única a fazer essa dobradinha de filmes na programação de hoje. É o público do Festival já se preparando para disputar a maratona olímpica em 2016.

Mas vamos aos filmes. Jaffa é um filme belíssimo, com fotografia exuberante, história simples, roteiro enxuto, sem grandes atropelos e muito bem dirigido por Keren Yedaya. Gostei bastante.

A trama mostra o jovem Toufik e seu pai Hassan, que fazem parte de um número considerável de árabes que vive em meio aos judeus na cidade marítima de Jaffa, em Israel. Eles trabalham na garagem de Reuven, que também emprega seu filho Meir e sua filha Mali no negócio familiar.

Mali e Toufik alimentam há anos um romance insuspeito e planejam em segredo seu casamento. Mas as coisas se complicam para o casal quando tensões emergem entre Meir e Toufik. Confiram.

Partir , longa francês, traz a inglesa Kristin Scott Thomaz, uma das minhas atrizes preferidas, no papel de Suzanne, uma mulher bem casada e aparentemente feliz em sua vida confortável. Um dia, porém, cruza o seu caminho Ivan, um homem recém-saído da prisão. A atração entre os dois é tão forte a ponto de Suzanne largar o marido e os filhos para começar uma nova vida. Mas as coisas, claro, não vão ser tão simples assim.

Kristin dá show, como sempre, falando em francês fluente. Sua personagem é uma mulher apaixonada, que não mede esforços para ficar ao lado do homem que ama. Partir é um filme até curto diante da densidade da trama. , não se alongando em reflexões ou conclusões. É daquelas histórias em que o amor é colocado como essencial ao ser humano e deve estar acima de tudo e de todos. Bem bacana.

Para terminar o dia, conferi O dia da transa, comédia que premiada no Sundance, o mais importante festival de filmes independentes. A história gira em torno de Ben, um cara maneiro, que tem um emprego fixo, leva uma vida tranquila ao lado da esposa e prepara-se para construir uma família.  Um dia, Andrew, seu antigo colega da faculdade, aparece no meio da noite e propõe a Ben uma volta aos velhos tempos de folia, arrastando-o para uma festa regada a álcool, drogas e sexo.

Quando surge o assunto de um concurso pornô, os dois amigos se desafiam mutuamente a participar. Juntos, decidem que o filme mais audacioso que poderiam fazer seria se transassem um com o outro diante da câmera. Até aí o filme diverte, mas quando a tão esperada cena da transa acontece… que decepção. O longa perde a força, o ritmo, o fôlego e a piada.

Já deu para perceber que filme premiado em Festival não garante um selo de qualidade. Definitivamente, gosto não se discute. Lamenta-se.

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