Rio 2009/2016

outubro 2, 2009

natimorto

por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

Hoje o dia amanheceu colorido no Rio de Janeiro. A cidade estava ansiosa com o anúncio da escolha da sede olímpica de 2016. Eu estava dentro do Cine Odeon, assistindo a Natimorto, quando ouvi a gritaria. Na hora já sabia que o Rio ganhara.

Foi neste clima de euforia que rolou mais um dia no Festival do Rio. Confesso que, entre dois filmes e outro, parei para comemorar a escolha da cidade para palco das Olimpíadas. Mas a vida cinematográfica continua, e a programação estava intensa.

Vamos começar falando de Natimorto, baseado no livro do famoso quadrinista Lourenço Mutarelli. O filme conta a história de um caça talentos que leva uma jovem cantora a São Paulo para apresentá-la a um renomado maestro. Enquanto esperam o dia da audição permanecem num quarto de hotel onde, entre cigarros e cafezinhos, ele lê o futuro da cantora nas advertências dos maços de cigarro como se fossem cartas de tarô. É durante essa espera que serão reveladas suas verdadeiras intenções.

A história original é muito boa e o roteiro não faz por menos, arrebenta. Interessante a metáfora entre os maços de cigarro e as cartas de tarô. Mas Natimorto se torna um filme morno e cansativo graças à pífia atuação de Mutarelli no papel do caça talentos. Infelizmente ele não leva o menor jeito para ser ator e deixa Simone Spaladore e Betty Gofman, suas companheiras em cena, contracenando com o vazio.

Chega a ser cansativo ver Mutarelli tentando, em vão, interpretar. Por ser um filme com texto consistente, dependia fundamentalmente dos atores. Graças a Mutarelli – ou ao diretor Paulo Machline que o escalou – Natimorto é um porre .

Na sequência assisti Piquenique , obra franco/romena que, pela sinopse, parece um filme sanguinário, mas na realidade é um suspense com alto grau de pressão psicológica.

Mihai e Lubi decidem passar um domingo no campo, pescando e fazendo um bom piquenique. Mas na estrada, atropelam uma prostituta de rua. Concluindo que a mulher está morta, decidem esconder seu corpo na floresta, mas a moça acorda do trauma, dizendo não se lembrar de nada. O casal, então, inventa que ela desmaiou e que eles foram ajudá-la, e a convidam para o piquenique.

Claro que no passeio a prostituta se revela, mas eu não vou contar o que ela faz, para não estragar a surpresa. O mais bacana do filme é que a câmera sempre está no ponto de vista de um dos personagens, ou seja, vemos o que cada um vê. Piquenique não é uma obra-prima, mas dá para assistir sem medo.

No final da noite foi a vez de conferir Storm, filme alemão que se passa quase todo num tribunal. A promotora Hannah Maynard trabalha no Tribunal de Haia e lidera um processo contra Goran Duric, acusado de deportar e assassinar cidadãos bósnios muçulmanos. Quando sua testemunha chave comete suicídio, o caso parece encerrado. Mas Hannah não desiste, e descobre que Mira, a irmã da testemunha, sabe de informações mas tem medo de depor.

 Apesar de conseguir a confiança de Mira, Hannah tem de enfrentar interesses políticos contrários e a pressão de nacionalistas bósnios. Aos poucos, ela percebe que seus oponentes não estão apenas do outro lado da corte, mas em sua própria bancada.

Adoro filmes de tribunal e Storm é bom, sem muita enrolação, indo direto ao ponto. O interessante é que Mira relata os fatos e tudo ficará na nossa imaginação, já que não é mostrada nenhuma imagem do que aconteceu.

Amanhã será o último final de semana do Festival. Aproveite nossas dicas e corra para conferir algumas das melhores produções do mundo num cinema pertinho de você.

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