Festival do Rio 2009: Distante nós vamos

outubro 2, 2009

away

por Janaina Pereira, do Rio de Janeiro

Sam Mendes ganhou o Oscar e a fama mundial em seu primeiro longa, o ácido Beleza Americana. Desde então, o diretor ficou marcado por suas fortes críticas aos padrões americanos. Sempre abordando a vida familiar da classe média dos subúrbios dos EUA, Mendes trilhou um caminho que parecia certeiro, culminado com Foi Apenas um Sonho, lançado no início deste ano no Brasil.

Em Distante nós vamos – em cartaz no Festival do Rio e com estreia prevista para este ano em cicuito – ele muda a rota de sua carreira. O casal americano de classe média está lá, mas eles não têm suas vidas dilaceradas pelo diretor. Muito pelo contrário.

O filme conta a história de Burt (John Krasinski) e Verona (Maya Rudolph), um casal de trinta e poucos anos que vai ter um filho. Os dois têm trabalhos flexíveis, gostam de viajar e desejam compartilhar sua nova experiência com pessoas queridas.

Quando os pais de Burt decidem se mudar para a Bélgica, nada mais prende o jovem casal à pequena cidade onde vivem. Com amigos morando em todos os cantos dos EUA, se perguntam qual seria o melhor lugar para criar seu bebê. Iniciam, assim, uma longa viagem, na qual visitam amigos e parentes e testemunham diferentes modelos familiares, com o intuito de decidir onde e na companhia de quem construir o novo lar.

Claro que as famílias visitadas pelo casal são problemáticas. E Burt e Verona também possuem seus impecilhos – ele quer casar, ela não; ele é nerd, ela é negra (para os padrões americanos, obviamente, porque a atriz está mais para morena latina). Como é típico de Sam Mendes, nada é politicamente correto ou previsível, mas o rumo que o filme toma e, especialmente, o sensível final, mostram que o diretor amadureceu e se permitiu buscar novos caminhos. Assim como os personagens de seu filme. Mais metafórico que isso, impossível.

Distante nós vamos é o filme em que Sam Mendes apresenta uma visão mais esperançosa das famílias americanas. Se ele vai continuar com esse ponto de vista, aí teremos que esperar seu próximo trabalho para saber. Mas, confesso, o Sam Mendes ácido e crítico é muito mais legal.

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